Meus muitos mestres...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Quando o grande místico sufi Hasan estava morrendo, um dos seus discípulos perguntou: - Mestre, quem foi o teu mestre? - Eu tive centenas de mestres – foi a resposta. - Se tivesse que dizer o nome de todos eles, levaria meses, talvez anos, e mesmo assim ainda terminaria esquecendo alguns.- Entretanto, não houve algum deles que marcou mais que outros? Hassan pensou por um minuto, e disse: - Na verdade, existiram três pessoas que me ensinaram coisas muito importantes. 
“O primeiro foi um ladrão. Certa vez eu estava perdido no deserto, e só consegui chegar em casa muito tarde da noite. Havia deixado minha chave com o vizinho, mas não tinha coragem de acordá-lo aquela hora. Finalmente encontrei um homem, pedi ajuda, e ele abriu a fechadura num piscar de olhos. “Fiquei muito impressionado, e implorei que me ensinasse a fazer aquilo. Ele me disse que vivia de roubar as outras pessoas, mas eu estava tão agradecido que convidei-o para dormir em minha casa. “Ele ficou comigo por um mês. Toda noite saía e comentava: “Estou indo trabalhar; continue sua meditação e reze bastante.” Quando voltava, eu perguntava sempre se tinha conseguido alguma coisa. Ele invariavelmente me respondia: “Não consegui nada esta noite. Mas, se Deus quiser, amanhã tentarei de novo.” Era um homem contente, e nunca o vi ficar desesperado com a falta de resultados. 
Durante grande parte da minha vida, quando eu meditava e meditava sem que nada acontecesse, sem conseguir meu contato com Deus, eu me lembrava das palavras do ladrão – “não consegui nada esta noite, mas, se Deus quiser, amanhã tentarei de novo”. Isso me deu forças para seguir adiante.
- Quem foi a segunda pessoa? - Foi um cachorro. Eu estava indo em direção ao rio, para beber um pouco de água, quando o cachorro apareceu. Ele também estava com sede. Mas, quando chegou perto da água, viu outro cachorro ali – que não era mais que sua própria imagem refletida. “Ficou com medo, afastou-se, latiu, fez tudo para que afastar o outro cachorro. Nada aconteceu, é claro. Finalmente, porque sua sede era imensa, resolveu enfrentar a situação e atirou-se dentro do rio; neste momento a imagem sumiu. 
Hassan deu uma pausa, e continuou: - Finalmente, meu terceiro mestre foi uma criança. Ela caminhava em direção à mesquita, com uma vela acesa na mão. Eu perguntei: “Você mesmo acendeu esta vela?” O garoto disse que sim. Como fico preocupado com crianças brincando comchamas, insisti: “Menino, houve um momento em que esta vela esteve apagada. Você poderia me dizer de onde veio o fogo que a ilumina?” “O garoto riu, apagou a vela, e me perguntou de volta: “E o senhor, pode me dizer para onde foi o fogo que estava aqui?”
“Neste momento eu entendi o quão estúpido sempre tinha sido. Quem acende a chama da sabedoria? Para onde ela vai? Compreendi que, igual aquela vela, o homem carrega por certos momentos no seu coração o fogo sagrado, mas nunca sabe onde ele foi aceso. 
A partir daí, comecei a comungar com tudo que me cercava – nuvens, árvores, rios e florestas, homens e mulheres. Tive milhares de mestres a minha vida inteira. Passei a confiar que a chama sempre estaria brilhando quando dela precisasse; fui um discípulo da vida, e ainda continuo sendo. Consegui aprender a aprender com as coisas mais simples e mais inesperadas, como as histórias que os pais contam para os seus filhos.”
Paulo Coelho, “Histórias para Pais, Filhos e Netos”.

Adultério

O significado comum dessa palavra é "fazer amor com uma mulher ou um homem com quem você não esteja casado(a)". Mas o verdadeiro significado de adultério é fazer amor sem amar.
Pode ser sua própria esposa, mas, se você não a estiver amando naquele momento, fazer amor com ela será um adultério.
O homem é um ser complexo: hoje você pode estar amando sua mulher - sim, sua própria mulher! Eu sei que é difícil, talvez seja muito raro, mas acontece. Então hoje você pode estar amando sua própria mulher, e fazer amor com ela será uma oração, uma devoção, uma comunhão com Deus.
Essa comunhão pode acontecer até mesmo com outra mulher que não seja sua esposa: se houver amor, não será adultério. Mas se o amor não estiver presente, seja quem for a outra pessoa, será adultério.
Osho, "Osho de A a Z - Um Dicionário Espiritual do Aqui e Agora".

Caridade é a disposição para o bem (4)

domingo, 3 de outubro de 2010

Caridade social não é ficar dando comida para pobre. É acordar a consciência dessas pessoas para produzir, para trabalhar com boa vontade, para crescer. Vocês ficam querendo dar tudo para pobre. Que coisa para pobre, nada! Pobre precisa de estímulo. Ô meu filho, vamos trabalhar, vamos fazer. Você não quer, meu filho? Então, vocês vão todos morar no mato, feito índio. Vocês vão comer do que apanharem, do que pegarem no rio e não vão ficar aqui na sociedade, amolando quem quer ir para a frente.
A gente precisa ter essa conversa que vocês acham que é dura, mas não é não. A sociedade precisa oferecer escola, treinamento para essas pessoas, ajuda para aqueles que querem ser ajudados.
Agora, ficar dando Tudo de graça? 
Isso está errado. Não é caridade, não! 
Caridade é promoção
Do ser humano.
Precisamos promover as pessoas para uma categoria melhor. Que vergonha esse povo todo miserável na fila para pegar uns quilos de comida! Que vergonha para o país esse povo na miséria! Mas é o espírito da pessoa que está ali, incomodado, porque não quer aproveitar a chance. Precisa de boa vontade e de esforço para consigo próprio.
A sociedade dá muitas chances. O povo é bom e sempre se encontra tolerância e uma mão que queira ajudar. Esses espíritos ficam todos na moleza e o povo endossa na hipocrisia de dar para os pobres. Tem que ensinar os pobres a conseguir por si, a se estimular. Tem que dizer:
- Olhe aqui, você tem capacidade e não precisa ficar nessa vergonha de pedir as coisas, de pegar uns quilinhos aqui, um brinquedinho ali. Que coisa mais feia! Você é um ser humano, um homem com capacidade. Vamos fazer uma força, vamos aprender um ofício, vamos andar.
Se a sociedade toda falasse assim, essa gente acabaria com essa ignorância, mas o povo endossa. A gente não pode endossar. Ao contrário, tem que dizer:
- Vamos para o serviço, vamos trabalhar. 
Há muita coisa para se fazer neste mundo. O povo, porém, é acomodado. Às vezes, nem é pobre. Às vezes, foi uma pessoa estudada, até bem amparada.
- Ah, estou dezoito meses desempregado, Calunga. - Quanto? - Dezoito. - Pouca vergonha, que sem-vergonhice! Por que não inventou algum serviço com tanta coisa para fazer? O povo é acomodado, quer emprego. Não quer arrumar serviço. É falta de amor. A vida assim mesmo dá milhões de chances a cada momento. Às vezes, você tem chance, mas fica com má vontade. Quem vai querer contratar você? Mas o povo não gosta de olhar isso. É rebelde:
- Ah, não, eu sou bom. Os outros é que são ruins. O patrão que é ruim.
- O que é isso, minha gente? É mais fácil pôr a culpa no mundo para não ter que olhar os seus problemas. Isso é falta de caridade. Você é encrenqueiro. Vai ficar na encrenca, na miséria, no sofrimento, na dor e na dificuldade. É muito triste ver uma pessoa assim, às vezes até com muito talento desenvolvido. Tem também aquele miserável que nunca fez nada por si. Tem menos talento desenvolvido e dá trabalho para a sociedade ensiná-lo a ler, a aprender uma profissão, mas a sociedade tem a responsabilidade de cutucá-lo para ir para a frente. Há ainda aquele que já está formado, mas fica com a cabeça no desânimo. Que falta de caridade para com a vida!
A boa vontade para com a vida é a caridade, é a busca do bem. A fé serve para melhorar a vida no cotidiano, porque senão fé nenhuma teria sentido. Mas como é o seu dia-a-dia, hein, companheiro? É isso o que eu quero saber, porque é no vamos-ver da coisa que você mostra o seu valor, a sua força e a sua verdade, que acende a sua luz, a luz da caridade.
A luz da caridade é a boa 
Vontade a cada momento.

Calunga, "Tudo pelo Melhor".

Caridade é a disposição para o bem (3)

Caridade é a disposição da boa vontade. Se você tem boa vontade com a vida, então é considerado um ser caridoso. O que é um ser caridoso? É aquele que tem a luz no coração, que está semeando o bem, que está fazendo este planeta melhorar a cada dia com a sua colaboração, por menor que seja. É a pessoa que usufrui de uma felicidade interior, de um contentamento diário, de uma alegria diária. É o indivíduo que tem o peito aberto, gostoso, os olhos claros para ver a verdade, os ouvidos bem abertos para escutar todas as coisas e aprender de tudo. Uma pessoa que purifica o seu pensamento, que faz o melhor com inteligência. Precisa puxar pela cabeça, mas não é para ser bobo. Falei para ser bom. Isso que é caridade.
É tudo o que é feito com a disposição do bem, sem querer encrencar, sem querer dizer as verdades na cara do outro, o que vocês logo querem fazer. Mas não dizem na cara porque são covardes, falam pelas costas. Isso é baixaria, coisa de gente de baixo astral. Vocês têm de melhorar o padrão para atrair na vida o melhor, atrair uma melhor oportunidade de serviço, atrair companhias boas encarnadas e desencarnadas, atrair energia do ambiente saudável para o seu negócio, para a sua família, para quem você ama e quer ajudar, para a sua casa, para as máquinas. Pois tudo se quebra nas suas mãos. Fica velho logo, arrebenta. Parece que seu dinheiro some, você ganha, ganha e não dá para nada. Tudo fica miúdo, pobre, mesquinho. Por que você está mesquinho?
- Ah, sabe o que é? É a crise.
Não é, não! O povo anda muito mesquinho, ganancioso. Então vai cair mesmo, porque não se pode viver de ilusão. A gente tem que aprender a viver com mais simplicidade no coração para não ser tão ganancioso e para ter a disposição do bem. 
Se você trabalha, meu filho, o bem é também para o seu cliente. Quando você paga, pague sem choro, sem dor. Faça de boa vontade, que vai ver como as coisas ficam sólidas na sua vida: seu serviço rende, o seu dinheiro aumenta, sua casa se conserva, seu filho fica calmo, as pessoas vêm sempre dar uma cooperação, porque você atrai cooperação. Nós precisamos de muita ajuda na vida, porque ninguém vive sem ajuda, sem o concurso de um vizinho, de uma empregada, de um ajudante. A vida solitária não existe, a não ser que você vá viver no meio do mato, que nem bicho. Se você quer viver em sociedade, tudo é troca, tudo é ajuda. É a lei da cooperação.
Você que tem negócio, meu filho, não adianta pensar em competição, em preços competitivos. Tudo isso é besteira. A nossa energia tem que ser de alegria nos negócios para que as pessoas se liguem no coração e para que prefiram fazer negócio com você porque a sua energia é boa. Ninguém vai fazer negócio se a sua energia não for boa, se você for encrenqueiro. Vai todo mundo embora. E você vai morrer na miséria, na mesquinhez. Vamos abrir, portanto, a consciência. Em qualquer canto da vida, a caridade entra em primeira mão. Para prosperar, é preciso ter essa luz.
O homem pode até ser mesquinho em casa, não dar esmola para pobre. Os negócios dele, no entanto, vão para a frente, prosperam. É porque ele tem a luz no coração quando vai fazer algum negócio. É uma pessoa generosa, que não vive na ganância. Tem uma clientela grande, porque ele pensa também na vantagem do companheiro que está fazendo negócio com ele. Não engana ninguém. Sabe que se enganar só engana meia dúzia, porque logo acabam descobrindo que é um salafrário e ninguém mais quer comprar dele.
É preciso tratar bem a clientela e fazê-Ia feliz. Se não tiver caridade, boa vontade, bom sentimento, o negócio não vai para a frente. Quem é negociante por conta própria tem amor pelo que faz. O sucesso do negociante não se mede apenas pelo dinheiro ganho, mas pela clientela que gosta dele, pela energia boa em volta dele, pelo crédito que ele conquistou na praça, pela energia que ele conseguiu movimentar progressivamente. É isso que faz o sucesso do comerciante.
Sem amor e boa vontade, ninguém vai para a frente. Veja os seus filhos. Vocês ficam cobrindo de presentes, mas nunca perguntam o que o seu filho sente. Nunca teve boa vontade com o sentimento dele, nunca o tratou com respeito. Fica bajulando com presentes e depois enche a paciência da criança. Ah, minha gente, isso não é a verdadeira caridade. Não quer dizer que o presente não seja um carinho bom, se tem coração por trás. Se tem verdadeiro amor e boa vontade, um presente cai muito bem. Mas é coisa pequena, pois o que o povo precisa é muito mais que um presentinho. É de cooperação o ano inteiro, é verdadeiramente a amizade, a compreensão, a boa vontade para com as fraquezas do ser humano.
Se você não pode ter isso, não pode nem conviver nesse mundo. Tem que ir lá para o mato, viver como um ermitão, porque você só arruma confusão por aqui. Você está sendo uma pedra no sapato dos outros, um empecilho para o sucesso social. Você que é preguiçoso, que não quer trabalhar e não quer ter boa vontade, é pobre de espírito, pobre de tudo. É um entrave para a sociedade que precisa de gente progressista, com muita boa vontade para crescer. O que precisa esse Brasil? Boa vontade, minha gente!


Calunga, "Tudo pelo Melhor".

Caridade é a disposição para o bem (2)

- Ah, Calunga, pelo menos no Natal a gente faz alguma coisa boa para alguém.
- Você pensa que engana quem? Só se for a sua vaidade, pois a vida você não engana, não engana Deus. Está na dívida porque está adiando as oportunidades de aprender a viver melhor. Cada pessoa da família que é encrenqueira está ali para você aprender a lidar e a não ser encrenqueira também.
- Ah, porque a minha sogra é metida. É ciumenta, é ruim ... - Está ali na sua vida para você aprender a lidar. - Ah, porque a minha cunhada é metida. Faz aquela pose, porque é enxerida. Parece que tem o rei na barriga. - Está ali para você aprender a lidar. - Ah, porque meu marido quer isso, eu não quero. Ele é um chato, me amola ... - Está ali para você aprender a lidar. 
Minha filha, largue de ser implicante, largue de ser encrenqueira, porque a vida que você atraiu é essa. E você não vai querer acabar uma perdedora. Me conte se você tem cara de quem quer perder? Então, se você tem um pouco de decência na cara, faça o favor de aquietar, de puxar o breque e começar a refletir:
- Ah, já que vou ter que conviver com ele mesmo, então, vou aprender a levá-Io no bico. Vou aprender a conversar com esse homem, porque também não vou ficar assim feito boba. Tudo é gente! Por que ele não pode gostar de mim? Por que não posso me dar bem com ele? Uai, qualquer pessoa, por pior que seja, tem sempre alguém de quem ela gosta e a quem ela respeita. Então, você vai melhorar um pouco a sua energia para os outros a tratarem bem. Comece daí.

- É mesmo. Sou muito ruim, implicante. Estou querendo ser marruda, ser fortona, ser fortão. Arrumo encrenca por qualquer coisinha. Implico em casa com os filhos, com a esposa.
Uma coisinha que não está boa na comida, o marido já fala mal. Que coisa feia esses homens enjoados. Meu filho, caridade a gente faz o dia inteiro, o ano todo. Não só porque a gente quer ser bom para os outros, mas porque quer viver no reino do amor, da paz. A gente quer viver na luz para ter prosperidade não apenas por fora, mas prosperidade por dentro. A gente quer felicidade, quer tranquilidade mental, quer tranquilidade na saúde. A gente quer uma vida boa. Mas se vocês continuam na rebeldia, não merecem vida boa. Não adianta ficar na queixa. Vocês não são flor que se cheire, por que querem viver no perfume, se vocês estão assim?
Se você quer uma vida melhor, comece a usar o breque. É, minha filha, não tem jeito de ficar nas rezas, nas preces e nas caridades de dar coisinha para pobre, se você continua o mesmo angu encruado. Não dá, não, minha filha! Amor, a gente tem que ter primeiro pela gente. É preciso pensar que eu posso me amar e viver para fazer o melhor. O melhor é eu aprender a desenvolver os meus talentos, o meu charme, meu jeito de lidar com esse povo, porque não vou fugir mesmo. Saio dessa família, caio em outra igual. Não adianta, porque a vida coloca na sua frente tudo aquilo que você precisa: gente igualzinha a você, implicante, fedida, esnobe, gente ruim também, crítica, gente que vai ficar ali como pedra no seu sapato, incomodando, incomodando até você não poder andar direito. 
Se está na sua frente é porque você merece, então abaixe as orelhas, puxe o breque e mude de situação. Comece mudando por dentro de você:
- Não vou encrencar com esse menino hoje.
Você fica o dia inteiro encrencando com o menino. Ele não pode nem encostar, nem sentar, que você já está encrencando. Que inferno! Poupe-se, minha filha. Você também, companheiro. Se a comida não está boa, vá comprar no restaurante e leve para casa. 
Pare de amolar os outros.
O lar é sagrado, é um templo onde a gente tem que exercer o poder da intimidade, do carinho verdadeiro, do verdadeiro sentimento de amor. Eu sei que é difícil. Eu sei que tem empecilhos, que tem gente com problema, com mágoa no coração, sem vontade de cooperar, revoltada, pessoa difícil, encrenqueira. Eu não estou pedindo para você ser uma mártir. Não estou pedindo para você ser um herói. Não é isso. Eu sei que a vida tem muitos desafios no cotidiano. Não estou ignorando a verdade de cada dia, mas sei também que você tem a capacidade de mudar, de espalhar no seu lar uma outra energia e, com tempo e com paciência, semear no seu solo uma semente de frutos muito mais substanciosos.

Precisa parar e brecar, minha filha, porque a vida não lhe trouxe esse mundo que você tem de graça. Ninguém está querendo judiar de você, mas você precisa, no exercício do dia-a-dia, melhorar. A caridade é a vontade do bem. Não importa em que situação, seja diante da lei, seja diante do vizinho, seja diante do feirante, do seu trabalho, de si próprio, há sempre o desejo do melhor.

O melhor é relativo
À capacidade de cada um, 
Pois cada um faz 
O melhor que sabe. 
Mas o melhor pode 
Crescer com a boa vontade.

Calunga, "Tudo pelo Melhor".

Caridade é a disposição para o bem (1)

A vida é uma chance constante. A cada momento, há uma nova chance de poder voltar atrás no que se fez de errado e fazer de novo, de poder aprender coisas novas e resolver antigas questões. Mas a coisa melhor da vida é saber usar o breque. Você sabe usar o breque? Brecar é bom, pois não dá para a gente sair por aí sem breque.
As coisas vão ficando automáticas e a gente vai falando, pensando, sentindo sempre igual. Vive assim uma vida cheia de impulsos que a gente mesmo criou. Por isso, precisa aprender a brecar para mudar de direção, de sentido, para mudar de pensamento, de sentimento, de atitude e de ação. Pois só assim a gente pode melhorar a qualidade da nossa vida.
Cada um está na sua direção. Mas precisa aprender a prestar atenção no tráfego da vida, porque senão você ainda vai trombar muito. O povo, no entanto, não quer prestar atenção: "Ah, porque sou assim mesmo", e mete a cara. Depois, fica trombando daqui, trombando dali, porque fica com raiva do mundo. Tem gente, porém, que não pára para ver como quer dirigir o próprio carro, dirigir as próprias decisões, o que quer escolher para pensar, o que quer escolher para fazer, com que sentimentos quer continuar determinada coisa, como quer se dar com as pessoas. O povo gosta de arrumar encrenca, é muito assim:
- Ah, se essa pessoa me aprontar uma, faço logo duas. Se fez uma comigo, acabou, porque eu não tolero ...
Começa logo a trombar porque, na verdade, não quer tolerar o companheiro, não quer entender a loucura dos outros. Com isso, está sempre trombando de cá, trombando de lá, acabando com machucado, doente, na mesa de cirurgia. Arranca pedaço de cá, arranca de lá, porque a pessoa é da encrenca. E quem é da encrenca está sempre com problema, sempre com encrenca. 

Por isso, a gente precisa aprender a brecar e a dizer:
- Não, não adianta encrencar com o povo. O ser humano é o ser humano. Tem gente de todo jeito e de todo tipo. Sou eu que tenho que aprender a dirigir o carro da minha vida no meio desse povo. Sou eu que tenho que aprender a desenvolver qualidades para ter jeito de lidar com as coisas, se é que eu quero a paz; se é que eu quero viver uma vida sem ser enganado, sem me machucar, sem machucar o outro; se é que eu quero viver com a verdadeira sabedoria e não só com a esperteza.
Mas, para isso, você precisa aprender a brecar: - Espera aí. Não é assim. O povo é como é. Não adianta. - Ah, não tolero mentira, Calunga. - Uai, minha filha, precisa tolerar, porque o povo mente mesmo. O povo tem medo de dizer a verdade, é covarde. Ele se sente inferior, então mente para parecer superior. Isso é do mundo, minha gente. Não acaba assim do dia para a noite, porque se nós pudéssemos já tínhamos tirado tudo isso do mundo, mas não dá.
O povo ainda experimenta a loucura de não querer dirigir a própria mente. Ele deixa todo mundo dirigir o tráfego da vida dele, a escola, os pais, os outros todos, sem fazer uma seleção:
- Não quero mais essas coisas. Não quero mais pensar assim. Quero limpar isso, quero limpar aquilo e fazer a vida melhor para mim.
Qualquer um pode fazer isso. Pode e até deve, porque a vida está sempre exigindo que a gente se atualize, que se modernize, não nas modas. Modernizado quer dizer uma pessoa que vive o momento com toda a sua inteligência, procurando o bom, o novo, que vai aprendendo e melhorando. Mas vocês gostam de fazer drama:
- Ah, Calunga, porque eu fiz muito esforço para melhorar, porque lutei muito ... Vocês é que são dramáticos demais.
Não é verdade que Precisa fazer esforço, 
Porque a gente muda A hora que quiser e, 
Quando quer, muda Com a maior facilidade.
Minha gente, então, precisa aprender a usar o breque. Brecar não é ficar engolindo tudo goela abaixo, porque isso também não é bom. Significa aprender a fazer as coisas com jeito, aprender a se expressar com sinceridade, aprender a lidar com o povo. Mas vocês não têm boa vontade com ninguém. Gostam de bajular, de passar a mão na cabeça para fazer carinho, essas coisas meladas demais. Pensam que isso é ser bom? Isso é nadinha, é coisinha.
Bom de verdade é aquele que sabe lidar com o povo. Esse que é bom. Bom não é o que fica dando pão para pobre, que fica fazendo caridade para cima e para baixo, alimentando o povo na miséria. Isso não é bondade. Isso aí as pessoas fazem por sentimento de culpa. De medo de sentir culpa, ficam fazendo essa caridade.
Caridade de verdade, de verdade verdadeira, é aquela coisa de aprender a lidar com o povo. Você sabe lidar bem com o povo de casa? Sabe entender todo mundo, a toda hora? Tem paciência? Tem boa vontade com eles para entender o limite de cada um, a ignorância de cada um, o medo de cada um, os complexos de inferioridade? Dá para você entender e aprender a lidar com isso? Você é uma pessoa hábil? Se você não é, minha filha, então não é caridosa. É caridosa só da boca para fora:
- Ai, que pena desse. Ai, que pena daquele ...
Esse negócio aí é hipocrisia. É uma coisinha, não uma coisona de verdade. Depois, você passa o resto do tempo implicando com esse, implicando com aquele. Não quer conversar com fulana porque você está magoada. Não quer mexer com sicrano porque é perigoso. Vixe, meu Deus! É uma inabilidade para lidar com o próximo que é uma vergonha! 


Então, minha filha, que caridade é essa? Isso é só para se ver no dia de Natal? E o resto do ano, como é que faz, hein, meu filho? Você é aquela pessoa ruim, que tem medo dos outros, que trata os outros com indiferença, que critica, xinga e fala mal? Então, pare com essa vergonha de caridade no Natal, porque isso é feio até demais. É muito hipócrita.


Calunga, "Tudo pelo Melhor".

O dever real

sábado, 2 de outubro de 2010

Vamos fazer um trato? Ninguém deve nada a ninguém. Ninguém deve explicação a ninguém. Ninguém deve satisfação a ninguém. 

Essa questão do dever está muito relacionada ao meio social, ao que é esperado da gente, aos papéis que as pessoas nos dão absolutamente de graça! Porque tem coisas que a gente não pediu pra ser,  nunca quis ser, mas acaba sendo, porque o povo acha que a gente deve.
O dever real de cada ser humano está relacionado às suas necessidades mais íntimas. A gente deve fazer o que satisfaz nosso coração, e fazer da melhor forma, porque aí nosso coração fica contente de verdade.
Se nosso coração diz que a gente deve ajudar uma pessoa que passa por um aperto, é porque a gente deve ajudar. Não porque a família, a vizinhança, a sociedade esperam que a gente faça.
Se a gente entra na loucura de fazer o que os outros esperam, acaba entrando num ciclo de ansiedade e frustração muito grande. Primeiro, fica ansioso de pensar se o que vai fazer vai agradar. Depois, fica frustrado porque fez o que achou que os outros queriam, mas é impossível, im-pos-sí-vel, agradar todo mundo nessa vida. Tem até uma frase que diz que nem Jesus conseguiu agradar todo mundo! Por que você vai se achar mais capaz que ele?
É preciso repensar urgentemente esse assunto do dever. Os nossos deveres são aqueles que estão escritos nas leis de Deus. E eles vão ficando claros pra nós, à medida em que conhecemos estas leis, que são a ordem de todo o Universo.
Eu sou Filho de Deus, criado para ajudar o Universo a funcionar, e o Universo tem regras de funcionamento, como tudo que é organizado. Se em cada situação, a gente perguntasse:
- Como é que eu colaboro com o Universo, neste momento? - a gente teria uma noção melhor do nosso dever.
Tem vezes em que, pra cumprir o nosso dever, a gente vai ter que ir contra tudo que a família, a sociedade e  mundo acham que a gente deve. E daí?
As leis do Universo são o desenvolvimento dos potenciais do Espírito; a harmonia em todos os níveis, do micro ao macrocosmo, o amor e a compaixão por todas as criaturas; a atividade útil; a reverência e a ligação constante com Deus Nosso Pai; o retorno de todas as nossas ações a nós mesmos, recebendo cada um segundo suas obras; a transformação para melhor.
O que a comadre, o marido, a esposa, enfim, o povo acha, não passa de palpite.

Calunga, "Pensamentos que Resolvem".

O seu joguinho...

Você pode se encontrar porque é você que se esconde.
A iluminação não é algo a ser alcançado, é algo a ser vivido.
Quando afirmo que alcancei a iluminação, quero dizer simplesmente que resolvi vivê-la. Só isso! E desde então a tenho vivido. É a decisão de não querer mais criar problemas - só isso. É a decisão de parar com toda essa besteira de criar problemas e encontrar soluções.
Toda essa baboseira é um jogo que você joga consigo mesmo - você se esconde e você mesmo procura, interpretando os dois papéis. E você sabe disso! É por isso que, quando falo disso, você ri.
Não estou falando de nada ridículo - você compreende. Está rindo de si mesmo. Observe-se rindo, veja seu sorriso - você compreende. Tem que ser assim porque é seu jogo: você se esconde e aguarda ser descoberto por si mesmo.
Pode se encontrar agora mesmo, porque é você que se esconde. É por isso que os mestres zen batem na cabeça das pessoas. Sempre que alguém diz: "Eu gostaria de ser um Buda", o mestre fica muito zangado. Pois a pessoa está dizendo bobagem. Ela é um Buda.
Se o Buda vem até mim e pergunta como ser um Buda, o que posso fazer? Bater-lhe na cabeça. "Quem você acha que está enganando? Você é um Buda."
Osho, “A Música Mais Antiga do Universo”.

Deixe todas as culpas para trás

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Você já reparou que a maioria das pessoas vive às voltas com a culpa? Culpa por não dar a atenção devida ao amigo, culpa por não acolher tal pessoa em tal hora, culpa por não ter tomado tal atitude, culpa por ter agido de tal maneira em tal ocasião, culpa disso e daquilo. Os motivos são o mais variados possível, mas lá está a culpa, sempre atormentando a cabeça da gente.
Pois eu lhes digo: a paz interior só será conquistada à medida que você ouvir a própria alma e der espaço para o bom senso. A culpa, minha gente, assim como a tristeza, a angústia, a pena e todas as sensações ruins, é puro sentimentalismo. A nossa sociedade nos obriga a ser bonzinhos e sofremos muito com essa imposição. A culpa, por exemplo, acarreta dor e desconforto, que são formas de nossa alma nos mostrar que alguma coisa está errada. A culpa significa que estamos agindo inadequadamente, e mais: significa que estamos dando uma farta atenção às amebas, aqueles pensamentos ruins que habitam nossa cabeça e vivem fazendo cobranças na nossa vida. Cobranças do tipo: "Você tem que ser assim" ou "você tem que fazer assado".
Por exemplo: temos sempre que fazer algo pelo outro porque ele é "coitadinho". A ameba do "tem que" aparece e diz: "Você tem que ajudar". Ela pressiona, fazendo você ter aquela sensação de culpa. Consequentemente, você acaba cedendo. Veja bem: a culpa nada tem a ver com a sua vontade, que é genuína e vem lá do fundo da sua alma.
Quando a gente dá ouvidos aos pensamentos ruins, a essas terríveis amebas, perdemos o entusiasmo e o nosso espírito se fecha, bloqueando todos os caminhos, nosso bem-estar e nossa felicidade. Ora, dê uma basta nisso tudo! E, definitivamente, fique do seu próprio lado. Lembre-se de que você não é obrigada a fazer nada que a sua alma não queira.
Agora preste atenção: provavelmente você notará um grande alívio ao ficar do seu próprio lado, em sintonia com a sua alma. Se sentirá leve, porque estará trabalhando com a sua verdade. Não importa o que dizem a seu respeito. Você está bem consigo mesma e, principalmente, estará sendo verdadeira com a realidade. Com o tempo, se sentirá ainda mais corajosa para ser autêntica com as pessoas. Pare de pedir desculpas e comece a se assumir como você é. O respeito por si mesma, com certeza, a levará a aperfeiçoar suas habilidades sem sofrimento.
Agora, como ficar do lado da alma? Ouvi-la e atendê-la? O que fazer para a alma realizar o seu trabalho? Simplesmente sendo você mesma. Confie no próprio taco, não faça tipos para agradar ninguém, não dê ouvidos aos outros, faça apenas o que gosta. Quem não está bem consigo não vai pra frente. Quem está bem consigo, se realiza.
Meu recado, portanto, é ouvir a voz que vem dentro do seu coração. Não subestime sua intuição, sua verdadeira essência. O grande desafio da vida é administrar os dois lados sempre opostos e que causam esse conflitos. De um lado, a nossa alma; do outro, tudo o que você aprendeu, as terríveis amebas. Imponha-se, simplesmente! Dessa forma, você se sentirá aliviada, encontrará a paz e se libertará definitivamente das falsas culpas.
Luiz Gasparetto.

O teste de fogo da verdade

Nenhum relacionamento pode crescer se você continuar evitando se expor. Se você continuar sendo astuto, erguendo salvaguardas, se protegendo, só as personalidades se encontrarão e os centros essenciais continuarão sozinhos. Só a sua máscara estará se relacionando, não você.
Sempre que algo assim acontece, existem quatro pessoas no relacionamento, não duas. Duas pessoas falsas continuam se encontrando, e duas pessoas verdadeiras continuam separadas uma da outra.
Existe um risco. Se você for verdadeiro, ninguém sabe se esse relacionamento será capaz de compreender a verdade, a autenticidade; se esse relacionamento será forte o suficiente para vencer a tempestade. Existe um risco, e, por causa dele, as pessoas continuam se protegendo.
Elas dizem o que deve ser dito, fazem o que deve ser feito. O amor se torna algo como um dever. Mas assim a realidade continua faminta, e a essência não é alimentada, e vai ficando cada vez mais triste.
As mentiras da personalidade são um fardo muito pesado para a essência, para a alma. O risco é real, e não existem garantias, mas eu lhe digo que o risco vale a pena.
No máximo, o relacionamento pode acabar. Mas é melhor se separar e ser verdadeiro do que ser falso e viver com outra pessoa, pois esse relacionamento nunca será gratificante. As bênçãos nunca recairão sobre vocês. Você continuará faminto e sedento, e você continuará se arrastando pela vida, só esperando que algum milagre aconteça.
Para que o milagre aconteça, você precisa fazer alguma coisa: comece sendo verdadeiro, com risco de que o relacionamento não possa ser forte o bastante para resistir a isso. A verdade pode ser dura demais, insuportável, mas nesse caso o relacionamento não vale a pena. Por isso é preciso passar pelo teste.
Depois que for verdadeiro, todo o restante se torna possível. Se você for falso — só uma fachada, uma coisa artificial, um rosto, uma máscara — nada é possível. Porque com o falso, só o falso acontece; com o verdadeiro, só a verdade.
Eu entendo o seu problema. Esse é o problema de todos os casais: eles têm medo dessa atitude de ir mais fundo. Eles vivem perguntando se esse relacionamento será forte o bastante para suportar a verdade. Mas como você vai saber de antemão? Não há como saber. A pessoa precisa fazer para saber.
Como você vai saber, sentado na sua casa, se conseguirá vencer a tormenta e o vento lá fora? Você nunca esteve numa tormenta. Vá e veja. Tentativa e erro é a única maneira — vá e veja. Talvez você seja derrotado, mas até nessa derrota você se tornará mais forte do que é agora.
Se uma experiência derrota você, depois outra e outra, pouco a pouco a própria vivência da tempestade vai tornando você mais forte. Chega um dia em que você simplesmente começa a se deliciar com a tempestade, você simplesmente começa a dançar na tempestade. Então ela deixa de ser sua inimiga. Isso também é uma oportunidade — uma oportunidade delirante — para ser.
Lembre-se, o ser nunca acontece de modo confortável; do contrário aconteceria a todos. Ele não pode acontecer de modo conveniente; de outro modo todo mundo teria o seu próprio ser autêntico sem nenhum problema. O ser só acontece quando você assume riscos, quando você enfrenta o perigo. E o amor é o maior perigo que existe. Ele exige você totalmente.
Portanto não tenha medo, mergulhe de cabeça. Se o relacionamento sobreviver à verdade, será maravilhoso. Se ele perecer, isso também é bom, porque um relacionamento falso chegou ao fim, e agora você poderá iniciar outro — mais verdadeiro, mais sólido, mais relacionado à essência.

Osho, "A Essência do Amor: Como Amar com Consciência e se Relacionar Sem Medo".