Ao grande chefe

sábado, 6 de novembro de 2010



Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz já mais de cento e cinquenta anos. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. Eis a carta:

“O grande chefe de Washington mandou dizer que desejava comprar a nossa terra, o grande chefe assegurou-nos também de sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não precisa de nossa amizade.
Vamos, porém, pensar em sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O grande chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano.
Minha palavra é como as estrelas – elas não empalidecem.
Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal ideia nos é estranha. Se não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água, como então podes comprá-los? Cada torrão desta terra é sagrado para meu povo, cada folha reluzente de pinheiro, cada praia arenosa, cada véu de neblina na floresta escura, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. A seiva que circula nas árvores carrega consigo as recordações do homem vermelho.
O homem branco esquece a sua terra natal, quando – depois de morto – vai vagar por entre as estrelas. Os nossos mortos nunca esquecem esta formosa terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia – são nossos irmãos. As cristas rochosas, os sumos da campina, o calor que emana do corpo de um mustang, e o homem – todos pertencem à mesma família.
Portanto, quando o grande chefe de Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, ele exige muito de nós. O grande chefe manda dizer que irá reservar para nós um lugar em que possamos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, vamos considerar a tua oferta de comprar nossa terra. Mas não vai ser fácil, porque esta terra é para nós sagrada.
Esta água brilhante que corre nos rios e regatos não é apenas água, mas sim o sangue de nossos ancestrais. Se te vendermos a terra, terás de te lembrar que ela é sagrada e terás de ensinar a teus filhos que é sagrada e que cada reflexo espectral na água límpida dos lagos conta os eventos e as recordações da vida de meu povo. O rumorejar d’água é a voz do pai de meu pai. Os rios são nossos irmãos, eles apagam nossa sede. Os rios transportam nossas canoas e alimentam nossos filhos. Se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar e ensinar a teus filhos que os rios são irmãos nossos e teus, e terás de dispensar aos rios a afabilidade que darias a um irmão.
Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um lote de terra é igual a outro, porque ele é um forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo o que necessita. A terra não é sua irmã, mas sim sua inimiga, e depois de a conquistar, ele vai embora, deixa para trás os túmulos de seus antepassados, e nem se importa. Arrebata a terra das mãos de seus filhos e não se importa. Ficam esquecidos a sepultura de seu pai e o direito de seus filhos à herança. Ele trata sua mãe – a terra – e seu irmão – o céu – como coisas que podem ser compradas, saqueadas, vendidas como ovelha ou miçanga cintilante. Sua voracidade arruinará a terra, deixando para trás apenas um deserto.

Não sei. Nossos modos diferem dos teus. A vista de tuas cidades causa tormento aos olhos do homem vermelho. Mas talvez isto seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que de nada entende.
Não há sequer um lugar calmo nas cidades do homem branco. Não há lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o tinir das asas de um inseto. Mas talvez assim seja por ser eu um selvagem que nada compreende; o barulho parece apenas insultar os ouvidos. E que vida é aquela se um homem não pode ouvir a voz solitária do curiango ou, de noite, a conversa dos sapos em volta de um brejo? Sou um homem vermelho e nada compreendo. O índio prefere o suave sussurro do vento a sobrevoar a superfície de uma lagoa e o cheiro do próprio vento, purificado por uma chuva do meio-dia, ou recendendo a pinheiro.

O ar é precioso para o homem vermelho, porque todas as criaturas respiram em comum – os animais, as árvores, o homem.
O homem branco parece não perceber o ar que respira. Como um moribundo em prolongada agonia, ele é insensível ao ar fétido. Mas se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar reparte seu espírito com toda a vida que ele sustenta. O vento que deu ao nosso bisavô o seu primeiro sopro de vida, também recebe o seu último suspiro. E se te vendermos nossa terra, deverás mantê-la reservada, feita santuário, como um lugar em que o próprio homem branco possa ir saborear o vento, adoçado com a fragrância das flores campestres.
Assim, pois, vamos considerar tua oferta para comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, farei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.
Sou um selvagem e desconheço que possa ser de outro jeito. Tenho visto milhares de bisões apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem em movimento. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante do que o bisão que (nós – os índios ) matamos apenas para o sustento de nossa vida.

O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Porque tudo quanto acontece aos animais, logo acontece ao homem. Tudo está relacionado entre si.
Deves ensinar a teus filhos que o chão debaixo de seus pés são as cinzas de nossos antepassados; para que tenham respeito ao país, conta a teus filhos que a riqueza da terra são as vidas da parentela nossa. Ensina a teus filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. Tudo quanto fere a terra – fere os filhos da terra. Se os homens cospem no chão, cospem sobre eles próprios.
De uma coisa sabemos. A terra não pertence, ao homem: é o homem que pertence à terra, disso temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto agride a terra agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizer à trama, a si próprio fará.
Os nossos filhos viram seus pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio, envenenando seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias – eles não são muitos. Mais algumas horas, mesmos uns invernos, e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nesta terra ou que têm vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.
Nem o homem branco, cujo Deus com ele passeia e conversa como amigo para amigo, pode ser isento do destino comum. Poderíamos ser irmãos, apesar de tudo. Vamos ver, de uma coisa sabemos que o homem branco venha, talvez, um dia descobrir: nosso Deus é o mesmo Deus. Talvez julgues, agora, que o podes possuir do mesmo jeito como desejas possuir nossa terra; mas não podes. Ele é Deus da humanidade inteira e é igual sua piedade para com o homem vermelho e o homem branco. Esta terra é querida por ele, e causar dano à terra é cumular de desprezo o seu criador. Os brancos também vão acabar; talvez mais cedo do que todas as outras raças. Continuas poluindo a tua cama e hás de morrer uma noite, sufocado em teus próprios venenos.
Porém, ao perecerem, vocês brilharão com fulgor, abrasados, pela força de Deus que os trouxe a este país e, por algum desígnio especial, lhes deu o domínio sobre esta terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é para nós um mistério, pois não podemos imaginar como será, quando todos os bisões forem massacrados, os cavalos bravios domados, as brenhas das florestas carregadas de odor de muita gente e a vista das velhas colinas empanada por fios que falam. Onde ficará o emaranhado da mata? Terá acabado. Onde estará a águia? Irá acabar. Restará dar adeus à andorinha e à caça; será o fim da vida e o começo da luta para sobreviver.
Compreenderíamos, talvez, se conhecêssemos com que sonha o homem branco, se soubéssemos quais as esperanças que transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais as visões do futuro que oferece às suas mentes para que possam formar desejos para o dia de amanhã. Somos, porém, selvagens. Os sonhos do homem branco são para nós ocultos, e por serem ocultos, temos de escolher nosso próprio caminho. Se consentirmos, será para garantir as reservas que nos prometestes. Lá, talvez, possamos viver os nossos últimos dias conforme desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará vivendo nestas florestas e praias, porque nós a amamos como ama um recém-nascido o bater do coração de sua mãe.
Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Proteja-a como nós a protegíamos. "Nunca esqueças de como era esta terra quando dela tomaste posse": E com toda a tua força o teu poder e todo o teu coração – conserva-a para teus filhos e ama-a como Deus nos ama a todos. De uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus, esta terra é por ele amada. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum.”

Cacique Seattle, em 1855.

Precisamos

sexta-feira, 5 de novembro de 2010


Precisamos de mais pessoas que saibam ouvir,
porque os que muito falam estão por toda a parte.
Precisamos de mais realizadores,
porque os que vivem no mundo das idéias,
estão em casa, dormindo e sonhando.
Precisamos de mais religiosidade,
porque de religiões, o mundo já está bem servido.
Precisamos de mais humildade,
porque a soberba e o orgulho andam de mãos dadas.
Precisamos de mais guias sensatos,
porque os “cegos da alma” estão se multiplicando.
Precisamos de mais serenidade,
porque o nervosismo gera pedras,
e a ignorância faz as pedras voarem para todos os lados.
Precisamos de mais educação, respeito,
que permita reconhecer onde começa o seu direito,
e onde termina o meu.
Precisamos de mais remadores no grande barco da Vida,
porque os que desistiram de remar são muitos,
e o barco não pode parar.
Precisamos de pessoas especiais,
que brilhem sem medo de brilhar,
que não parem de lutar,
que não deixem de sonhar e amar.
Precisamos de mais amor,
precisamos de você.
Não se deixe abater pelos pingos da chuva,
depois da maior tempestade, o sol volta a brilhar,
depois da longa noite, o dia vai raiar,
e tudo pode recomeçar.
Encontre no próximo um motivo para acreditar, que o mundo pode ser cada vez melhor. Porque aqueles que só vêem defeitos, aqueles que só criticam, desses, o mundo está cheio…
Eu acredito em você!
Paulo Roberto Gaefke.

Manual contra a depressão

As distorções cognitivas e o desejo de ser feliz!
Este é um humilde tratado de um leigo que se preocupa com o próximo.

Distorções cognitivas
Quando uma pessoa tem uma tendência para “negativar” todas as suas ações, “catastrofizando” tudo, ou seja, ela começa a ver “derrota”, “coisas ruins” em praticamente tudo o que ouve, vê ou “pressente” e/ou, quer encontrar culpados para todo e qualquer fato na sua vida, ela está passando por um transtorno psiquiátrico, denominado “distorção cognitiva“.
Essas afirmações negativas, esse estado emocional, onde a pessoa não consegue enxergar o lado bom da vida, onde tudo que é dela ou é ruim ou é “meia-boca” é que acaba levando a doença conhecida pelo nome de DEPRESSÃO.
Funciona assim: se ela tira uma boa nota em uma prova, acha que foi “sorte”, se tira uma nota ruim, é porque é burra mesmo. Não tem meio termo, não tem aquela possibilidade de dizer: é uma fase, vai passar ou, foi uma deslize. Tudo, tudo é negativo, tudo é “coisa ruim”…
No estudo que “Aaron Beck” fez em 1976 com diversos pacientes em estado DEPRESSIVO, ele percebeu que esse estado emocional de ver tudo negativo é o que leva o indivíduo a Depressão, e não o contrário. Todo mundo imagina que a pessoa em depressão vê tudo negativo por causa da doença, mas é lá atrás, em determinado momento da vida onde ela começou a “se colocar para baixo” é que a levou a doença.
CUIDADO!
Não fique aumentando o problema que você está passando, alias, você sabia que todo mundo, desde o mais miserável do pedinte na rua até ao ser mais rico da Terra passam por “atribulações”, tem problemas das mais diversas ordens? Ou seja, problema não é um privilégio da sua vida.
Não faça adivinhações do seu futuro, nem para o bem, muito menos para o mal. Lembrando Jesus:
“
Portanto, não andeis ansiosos pelo dia de amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal” Matheus 6-34
Fundamental:
Comemore cada conquista, por menor que ela seja. O nascimento do broto de feijão que você plantou ontem a noite. O dente de leite do seu filho que caiu sem dor. A sua sogra que decidiu não vir mais esta semana na sua casa (brincadeirinha…). Valorize as suas conquistas pessoais. Coloque na moldura aquele diploma de Truco que você ganhou em terceiro lugar na rodada em que você já estava “bebim”. Tudo deve ser motivo para “orgulho”, orgulho do bem!
PERIGO:
Evite a FIXAÇÃO MENTAL, ou seja, até para ter problema é melhor ter mais de 1. Esse negócio de ficar em cima de um assunto, sem mudar o disco leva a paranóia e a camisa de força. Se aquela pessoa tão especial te abandonou é sinal de que ela não era tão especial assim. Se fosse, ficaria com você que é uma “Brastemp”!.
Não valorize o “oposto” daquilo que você é, acreditando que isso vai melhorar alguma coisa em você. Por exemplo, você gosta de falar e de repente quer ficar mudo engolindo sapos para todos os lados, só para “provar que aquele inverso do que você é, é o melhor. Isso maltrata até a sua alma.
Não vire “dodói”
O “dodói da mamãe” é aquela pessoa que cisma que tal pessoa foi rude com ela.  As vezes a pessoa nem falou com ela, mas cria a cisma de que foi sim, foi com ela e foi rude…
Magoou! Não brinco mais!
É o típico comportamento da criança mimada…
RÓTULOS
Eita coisa perigosa em qualquer momento da vida! É o rotular as pessoas ou fatos. Pior ainda quando não estamos bem. Se não estamos de bem nem com a gente mesmo, imagine o que vamos achar dos outros? No primeiro olhar: Ela não presta, ele não vale nada. Ihh…essa é fofoqueira, aquele é ladrão…e assim vai.
Cuide da sua mente, não deixe ela viajar na “maionese passada”.
RECEITAS:
Cultive a alegria.
Tenha amigos:

Não deixe de ter amigos (principalmente quando se apaixona por alguém: não suma da roda de amigos!)
Tenha uma ocupação prazerosa:
Não importa se você é bancário ou banqueiro, atendente de enfermagem ou cirurgião especializado, tenha um HOBBY, algo que te dê prazer, como cozinhar, bordar, mexer com a terra, colecionar alguma coisa, tirar remela dos olhos, sei lá, faça qualquer coisa que te dê alegria gratuita, aquela alegria boba, quase infantil.
Motive-se com pequenos prêmios
Você fez um trabalho para a escola que foi elogiado? Comemore-se!
Compre um pequeno presente para você, pode ser um da loja de R$ 1,99. Não importa o que seja, pode ser uma bala Juquinha, “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

Creia em uma “força superior”
Não importa o seu credo, se tem ou não uma religião. É importante crer, ter com quem conversar no íntimo, naqueles momentos em que só você sabe onde está sangrando por dentro. Não sei o nome que você dá para o “Ser Superior”, se é Deus, Jeová, Javé, Buda,
Krishna, Energia Superior, ou Pai, importa sim, ter um momento para a Divindade que insiste em existir dentro de você.
Perdoe-se!
Muito se fala em perdoar os outros, mas eu te peço antes de mais nada: perdoe-se!
Pelas “cagadas” que todos nós estamos sujeitos a fazer. Pelos erros bobos e até pelos erros mais grotescos, perdoe-se. Você é a única pessoa que não pode viver sem você. parece óbvio, mas para muita gente isso não é assim. Vivem pelos cantos chorando pelo erro de 20, 30 anos atrás.



Sai fora!
Dance, cante, leia, pule, ande na chuva, toque-se, acaricie-se, descubra-se.
Tenha tesão pela vida e por você. Sem você, eu te juro, a vida não tem a menor graça, porque muita gente boa conta com o seu sorriso, com o seu empenho, com o seu carinho, com esse jeito de fazer as coisas do seu jeito, assim, especial de ser.
Por favor, seja feliz.
Simples assim!
Eu acredito em você!

Paulo Roberto Gaefke.

Coração & Mente

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A cabeça faz muita confusão. Não dá para ficar só na cabeça, porque a gente pensa demais e questiona tudo. Fica com muita dúvida, muita incerteza e muita insegurança.

O que tempera a cabeça é o coração. No peito, a gente tem um centro de força tão poderoso quanto o mental. É o chacra cardíaco, o centro do sentimento, da alma da gente. É ele que nos faz humanos, que nos faz amar, criar e ir em frente. É ele que nos dá a coragem, a força, a luz.
Quando vemos uma pessoa simpática, iluminada, é porque ela está com o seu chacra cardíaco aberto. Mas a maioria das pessoas tem esse chacra fechado por medo de ser dominada, medo de ser feita de boba, medo que os outros não gostem dela, medo de ser rejeitada. Com isso, acaba fechando o peito.
Tende, então, a agir só com a cabeça. E você sabe como a cabeça é. Ela fica sob o domínio das emoções que vêm lá do nosso centro de força inferior. Quando a cabeça se emociona, ela fica sem coração, fica exagerada. E você fica vivendo sob o império da loucura, sendo rígido, muito exigente consigo mesmo, se torturando e torturando outras pessoas com sua impaciência, com sua ansiedade, com suas exigências perfeccionistas.

Calunga, "Um Dedinho de Prosa".

Gostar de si mesmo

Às vezes, você quer fazer mentalização, pensamento positivo para atrair um bom emprego, fortuna, bons fluidos, abrir caminho, etc. Mas, se você é uma pessoa dividida por dentro, é fraquinha. É capaz de seu pensamento nem funcionar. Agora, se você é uma pessoa unida consigo mesma, então, a sua força é inteira, e aí não tem o que não consiga na vida.
O que são as pessoas fracassadas, desanimadas, no tédio, na revolta? São as pessoas divididas. Não tem pessoa inteira que esteja mal. Todo mundo que está mal na vida é porque se dividiu. Acolheu o mal dentro de si. É contra si próprio, porque se olha com maus olhos, se critica, tem vergonha de si. Não se gosta e não procura, no fundo do coração, as coisas melhores. 
Gostar-se é gostar do coração, é defender sua vontade de dizer "não" ou de querer dizer "sim". É expressar-se com liberdade, sem medo dos outros.

Calunga, "Um Dedinho de Prosa".

O homem que perdoava

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Há muitos anos, vivia um homem que era capaz de amar e perdoar a todos que encontrava em seu caminho. Por causa disso, Deus enviou um anjo para conversar com ele.
- Deus pediu que eu viesse visitá-lo e lhe dizer que Ele quer recompensá-lo por sua bondade – disse o anjo. – Qualquer graça que desejar lhe será concedida. Você gostaria de ter o dom de curar?
- De maneira nenhuma – respondeu o homem. – Prefiro que o próprio Deus selecione aqueles que devem ser curados.
- E que tal trazer os pecadores para o caminho da Verdade?
- Isso é uma tarefa de anjos como você. Eu não quero ser venerado por ninguém e ficar servindo de exemplo o tempo todo.
- Eu não posso voltar para o céu sem ter lhe concedido um milagre. Se não escolher, será obrigado a aceitar um.
O homem refletiu um pouco, e terminou respondendo:
- Então, eu desejo que o Bem seja feito por meu intermédio, mas sem que ninguém perceba – nem eu mesmo, que poderei pecar por vaidade.
E o anjo fez com que a sombra daquele homem tivesse o poder de cura, mas só quando o sol estivesse batendo em seu rosto. Desta maneira, por onde passasse, os doentes eram curados, a terra voltava a ser fértil e as pessoas tristes recuperavam a alegria.
O homem caminhou muitos anos pela Terra, sem jamais se dar conta dos milagres que realizava. Porque, quando estava de frente para o sol, a sombra estava sempre nas suas costas. Desta maneira, pode viver e morrer sem ter consciência da própria santidade.
Paulo Coelho.

O fanatismo é a doença sagrada

Quando alguns visitantes
inesperadamente encontraram Heráclito
se aquecendo ao fogo,
eu lhes disse:
Os deuses também estão aqui.
Eu mesmo procurei.
O tempo é uma criança
Movendo as pedras de um jogo;
o poder régio é o de uma criança.
O fanatismo é a doença sagrada.
Há duas maneiras de procurar a verdade: uma é emprestar conhecimento, a outra é procurar por si mesmo.
É claro, emprestar é fácil, mas tudo o que você empresta nunca é seu, e o que não for seu não pode ser verdadeiro. Essa condição precisa ser satisfeita; a verdade precisa ser sua.
Posso ter conhecido a verdade, mas não posso transferi-la a você. No próprio ato de transferi-la, ela passa a ser uma mentira. Essa é a natureza da verdade.
Desse modo, ninguém pode lhe dar a verdade e você não pode emprestá-la, não pode roubá-la, não pode comprá-la — você precisa conhecê-la por você mesmo.
E, a menos que você próprio a experimente, seu conhecimento não é um saber — ele é um esconderijo para a sua ignorância. Você está se enganando e está completamente mal orientado.
Osho, "A Harmonia Oculta: Discursos Sobre os Fragmentos de Heráclito".

Aprendendo a Pedir

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Rafi, um jovem discípulo atento e dedicado, resolveu isolar-se nas montanhas para trabalhar melhor o medo que ainda sentia das criações do seu próprio ego.
Quando lá chegou, um Velho sorridente o recebeu:
Sejas bem vindo, Filho!
Rafi não estava esperando encontrar ninguém naquele lugar, então perguntou:
Não esperava encontrar ninguém nesta montanha, o que fazes aqui?
E o Velho, calmamente, respondeu:
Vim para realizar qualquer pedido que me faças. 
E seja muito preciso, pois terás direito apenas a um pedido.
Rafi estranhou, mas aceitou a proposta do Velho e fez o seu pedido:
Desejo nunca mais sentir medo de nada!
E o Velho disse:
Que assim seja!
E quando Rafi voltou-se para o velho, este havia sumido.
Anoiteceu e Rafi começou a sentir muito medo dos sons que vinham da mata. Por mais que tentasse manter-se relaxado e meditativo, não conseguia. O medo o tomava cada vez mais. Em todos os cantos da montanha ele percebia inúmeros perigos e começou a gritar por socorro. Sentia um medo enorme pairando em seu ser, ao ponto de entrar em pânico.
Socorro, socorro! Alguém me ajude!
E de repente o Velho apareceu na sua frente.
Rafi gritou ainda mais com a aparição inesperada do Velho.

Por que estás a gritar, Rafi?
Ora, pedi que ficasse livre de todos os medos e o que eu mais sinto neste momento é exatamente o oposto. Não atendestes ao meu pedido, Velho. E agora estou em apuros.
E então o Velho lhe disse:
Quando pedes, deves saber que nada desaparece ou aparece por si mesmo.
Para estar livre do medo, deves trabalhar com o medo. Deves encará-lo de frente, conhecer sua natureza frágil e ilusória. Só assim, mostrando tua determinação em aprender, é que dissipas as maiores ilusões criadas por ti mesmo.
"Quando sentires falta de alguma coisa que ainda não tens, não precisas entristecer-te. Se esta mesma coisa possuir valor para ti, recolha teu ser no mais absoluto silêncio e pede. Mas, pede exatamente como queres. Pois, em muito dos teus pedidos ainda desconheces as consequências que acompanham cada um deles.
Teus pedidos nunca vêm sozinhos. Tens que estar ciente que, para receber o que pediste, deves estar preparado para também receber os meios pelos quais eles podem ser realizados.
E, será que tu estás preparado para passar por estes meios?".

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Um dia ele veio à minha procura

Um dos grandes místicos indianos, Kabir, diz:
Passei anos e anos procurando Deus e não consegui encontrá-lo. Então desisti da ideia e fiquei tranquilo e amoroso - o que mais poderia fazer? Não conseguia encontrar Deus, então o jeito era estar o mais perto possível da divindade. Assim, fiquei silencioso, tranquilo, amoroso, alegre, como se já o tivesse encontrado - era "como se". Um dia ele veio à minha procura, e desde então não me preocupo muito com ele, mas ele continua me seguindo. Antes eu o chamava: "Deus, onde está você?" Agora, ele me chama: "Kabir, onde está você?"
Kabir está dizendo algo tremendamente importante. Suas palavras exatas são: "Ele continua me seguindo como uma sombra, chamando-me: 'Kabir, Kabir, aonde está indo? O que está fazendo? Posso ajudar?' Nem ligo para ele, agora que conheço o caminho: ele não é um lugar do lado de fora, é do lado de dentro. Não está nos rituais da religião, está no amor. Não está nas formalidades, mas numa amizade informal com a existência".
Osho, "Meditações Para o Dia".

Vivendo e aprendendo

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Ao longo desses anos aprendi que se aprende errando... 
Que crescer nem sempre é fazer aniversário;
Que trabalhar não significa apenas ganhar dinheiro;
Que amigos conquisto mostrando quem sou;
Que não se espera a felicidade, mas se busca por ela;
Que quando penso saber tudo, vejo que pouco aprendi
Que a natureza é o Dom mais belo da vida;
Que amar é doar-se por inteiro;
Que apenas um dia pode ser mais importante do que anos;
Que sonhar é tudo; mas conquistar é realizar-se;
Que o julgamento alheio não é, e nunca foi, algo importante...
E que, o que realmente importa é nossa verdadeira paz interior.
Autor desconhecido.
 

Rabinos

Uma lenda conta que vários judeus piedosos rezavam numa sinagoga, quando começaram a escutar uma voz de criança dizendo:
- A, B, C, D,... 

Aos poucos, todos foram parando de rezar. 
Quando olharam para trás, viram um menino
que continuava dizendo: 
- A, B, C, D,... 
Um rabino se aproximou do garoto e perguntou:
- Porque você está fazendo isto?
- Porque não sei os versos sagrados! Respondeu o menino.
- Então tenho a esperança que recitando o alfabeto, Deus pegue essas letras e forme as palavras corretas. 
- Obrigado por essa lição. Disse o rabino para o garoto.
- Obrigado por me lembrar que Deus escuta o  que vem de nosso coração, e não as palavras que saem da nossa boca.


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