A razão de existir

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Eckhart Tolle, em seu livro O Poder do Agora diz que o ego se identifica com as posses, o trabalho, o nível social, o conhecimento, a fama, mas nenhuma delas é você. Você acha isso aterrador ou é um alívio sabê-lo? Cedo ou tarde você terá que renunciar a todas essas coisas, e saberá que isso irá ocorrer quando a morte se aproximar. A morte é despir-se de tudo que você não é. O segredo da vida é morrer antes de morrer e descobrir que a morte não existe.
O ideal é que você liberte-se de sua mente, daquela voz interna que comenta, especula, julga, compara, queixa-se, aceita, rechaça e assim por diante. A voz não se refere ao seu momento presente, ela está revisando um passado recente ou longínquo, ou então imaginando situações futuras. A vida é uma repetição de lembranças que são como chips, ou uma gravação que toca em nossas cabeças 24 horas por dia. Essas gravações, essas fitas nos dirigem e influenciam sem que nos demos conta. Não podemos evitar que essas gravações existam mas podemos escolher parar de tocá-las, como se desligássemos o toca-fitas.
Como desligar o toca-fitas, como parar a gravação em nossa mente, aquelas que não nos servem e que já não funcionam para nós? Somente quando cessamos essas gravações é que podemos descobrir quem realmente somos e todo o poder que possuímos. Ao apagar, limpar e remover antigas lembranças permitimos que nossos sentimentos sejam transmutados e começamos então a experimentar nosso verdadeiro ser.
O Ho’oponopono é um processo de perdão, arrependimento e transmutação. Cada vez que utilizamos qualquer de suas ferramentas, estamos assumindo 100% da responsabilidade sob nós mesmos e pedindo perdão (a nós mesmos). Aprendemos que tudo o que acontece em nossas vidas é projeção de nossa programação mental. Podemos escolher nos posicionar como um observador, observar nossos pensamentos, nossa programação e então liberá-la para que se vá. Ou então podemos reagir e nos prender a elas. Todos nós temos um rascunho incorporado e a tecla de deletar, mas nos esquecemos como usá-la.
O Ho’oponopono nos ajuda a recordar o poder que temos de escolher entre apagar (soltar) ou reagir, ser feliz ou sofrer. É só uma questão de escolha em cada momento de nossas vidas. Quando menciono “limpar” ou “apagar”, estou me referindo ao uso das técnicas de Ho’oponopono para apagar as lembranças e pensamentos que criam nossos problemas.
Queria também lhes esclarecer que quando menciono a palavra Deus não o estou fazendo absolutamente em seu contexto religioso. Para mim, Deus é essa parte que temos dentro de nós mesmos que sabe tudo, tem todas as respostas. Em realidade não pode ser definido em palavras pois é uma experiência. Também notarão que uso a palavra Deus como sinônimo de Amor. Refiro-me ao Amor Incondicional, aquele que pode curá-lo de tudo. Este é o Amor que tem todas as respostas.
Quando menciono os ensinamentos de Jesus, tampouco o faço em um contexto religioso. O propósito é recordar ao leitor que sempre tivemos mestres que vieram nos despertar para a verdade como, por exemplo, Jesus que falava em dar a outra face, um conceito até hoje difícil de entender. Entretanto quando apagamos em vez de reagir estamos dando a outra face, a face do amor. O liberar em vez de reter e reagir é dar a outra face.
A única razão de nossa existência é a de descobrir quem somos.
Mabel Katz, “Ho’oponopono - O Caminho mais Fácil”.

A responsabilidade autêntica

Se você praticar uma virtude, ela deixará de ser uma virtude. A virtude praticada é uma coisa morta, um peso morto. A virtude é uma virtude só quando é espontânea. A virtude é uma virtude só quandoé natural, não praticada — quando ela é resultado da sua maneira de ver as coisas, da sua consciência, da sua compreensão.
Normalmente, a religião é considerada uma prática. Ela não é. Esse é um dos mal-entendidos básicos sobre religião. Você pode praticar a não-violência e continuar sendo violento, porque sua visão não mudou. Você ainda olha para as coisas da mesma forma. Uma pessoa gananciosa pode praticar a generosidade, mas a ganância continuará sendo a mesma. Até a generosidade será corrompida por essa ganância, porque não se pode praticar nada que não se entenda, que esteja além da capacidade de compreensão de cada um. Você não pode se forçar a seguir princípios sem que esses princípios sejam fruto da sua própria experiência.

A única responsabilidade autêntica é em relação ao seu próprio potencial, à sua própria inteligência e consciência — e agir de acordo com eles. Os valores não podem ser impostos a você. Eles têm que ser cultivados com a sua consciência, dentro de você.

Existem duas palavras a serem lembradas: uma é reação, a outra é resposta. A maioria das pessoas reage, não responde. A reação vem da memória, das experiências passadas, do conhecimento. Ela é sempre inadequada em uma situação nova, diferente. E a existência é sempre diferente.
Portanto, se você age de acordo com o seu passado, isso é uma reação. Mas essa reação não vai mudar a situação, não vai mudar você. Ela levará a nada.
A resposta muda a cada momento. Ela não tem nada a ver com o passado, tem a ver com a consciência. Você vê a situação com clareza — está lúcido, silencioso, sereno. Essa serenidade faz com que você aja com espontaneidade. Não se trata de uma reação, trata-se de ação. Você nunca fez isso antes. E a beleza da resposta é que ela se ajusta à situação.
A maior obsessão que a humanidade sofre é a do "tem que ser". E um tipo de loucura. A pessoa realmente saudável não se preocupa com o que tem que ser. Ela só está interessada no imediato, no que é. E você ficaria surpreso: se entrar no imediato, encontrará ali o definitivo. Se se voltar para o que está perto, encontrará ali todas as estrelas distantes. Se entrar no momento presente, toda a eternidade estará em suas mãos.
A pessoa verdadeiramente livre do ego não é humilde em absoluto. Ela não é nem arrogante nem humilde — é simplesmente ela mesma.
Tenha um objetivo e, mais cedo ou mais tarde, você acabará no divã de um psicanalista. Minha visão é a de uma vida sem objetivos. Essa é a visão de todos os budas. Tudo simplesmente é, por nenhuma razão em absoluto. Tudo é simplesmente um completo absurdo. Se isso for entendido, então qual é a pressa? E pressa para quê?
Osho, “Faça o Seu Coração Vibrar”.

Seja apenas quem você é

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Seja apenas quem você é e não dê a mínima para o mundo.
Então você sentirá um imenso sossego e uma profunda paz no coração. Isso é o que os zen-budistas chamam de "face original" — sossegada, sem tensão, sem pretensão, sem hipocrisia, sem as assim chamadas disciplinas acerca de como deve se comportar.
E, lembre-se, a face original é uma belíssima expressão poética, mas não significa que você terá um rosto diferente. Essa mesma face que você tem se livrará de toda tensão, ficará descontraída, não julgará ninguém nem coisa alguma, não achará que ninguém é inferior.
Essa mesma face, sob esses novos valores, será sua face original.
Osho, em “Coragem — O Prazer de Viver Perigosamente”.

A maçã

Uma vez um professor contou-me a história hawaiana da criação do mundo. Segundo essa história quando Deus criou a terra e pôs nela Adão e Eva, disse-lhes que estavam no paraíso, que não deveriam preocupar-se com nada, que tudo de que necessitassem lhes seria provido. Também lhes disse que lhes daria um presente, a oportunidade de escolher se queriam tomar suas próprias decisões, e nesse caso lhes daria o livre arbítrio. Então Deus criou a árvore das maçãs e disse-lhes:
- “Isso se chama pensar. Vocês não necessitam de pensar. Eu posso prover todas suas necessidades. Não devem preocupar-se, mas podem escolher se ficam comigo ou se tomam seu próprio caminho”.
E assim eles escolheram comer a maçã, ou seja, decidiram pensar por si mesmos e assumir os riscos. Mas o grande problema não foi comer a maçã, e sim não se fazerem responsáveis e dizer: “Sinto-o”. Foi aí que Adão teve que ir procurar seu primeiro trabalho.
Tal como Adão, estamos sempre mordendo a maçã, sempre pensando que sabemos mais, que podemos resolver tudo sozinhos com nosso pensamento e não nos damos conta de que existe um caminho bem mais fácil.
A questão do pensamento precisa ser bem explicada. O pensamento é o que difere o homem de outros animais. Deus disse ao casal no paraíso que eles teriam de tudo que necessitassem, e que para isso não precisariam pensar. O que o criador quis dizer era que eles não precisavam se preocupar, ficar pensando com angústia de onde viria a próxima refeição ou aonde iriam se abrigar durante a noite. Disse também a eles que poderiam pensar (assumir a responsabilidade) se quisessem bastando para isso comer a maçã. 
Quando Adão e Eva comeram a maçã, decidiram-se pelo livre arbítrio, ou seja, pensarem por si mesmos. Porém eles não sabiam ainda como fazer e desconheciam o poder do pensamento, essa que é a força mais poderosa do universo. Sentiram-se inseguros e preocupados, o que levou Adão a sair à procura do primeiro trabalho. Sua mente racional passou a funcionar, e ela lhe dizia que ele deveria trabalhar a fim e prover o seu sustento. Ele desconhecia que bastaria alinhar seus pensamentos ao pensamento de Deus para criar tudo de que necessitava. Bastaria ter fé, assim como as aves dos céus e os lírios dos campos para que fossem supridas todas as suas necessidades. Eles não entenderam e julgaram que teriam que conquistar tudo com suor e esforço.
Desde então a humanidade assim age para conseguir seus intentos: trabalho duro, competitividade, esperteza. Se Adão e Eva não sabiam usar de forma correta o poder do pensamento, tampouco nós o sabemos atualmente, milênios depois. Estamos em busca do paraíso, aquele perdido lá atrás com a mordida na maçã. E essa é a nossa angústia, pois quase sempre procuramos no lugar errado. Por isso que continuamos mordendo a maça, todos os dias, e acreditando conhecer tudo, nos afastamos de nossa originalidade.
Mabel Katz, “Ho’oponopono - O Caminho mais Fácil”.

Em casa

domingo, 28 de novembro de 2010

Não existe nenhum lar, a menos que encontremos um dentro de nós mesmos.
Você vem para este mundo exatamente como um livro não-escrito, cheio de páginas em branco. Você tem que escrever o seu destino. Não há ninguém que esteja escrevendo o seu destino. E quem escreveria? E como? E para quê?
Você vem para este mundo apenas como uma potencialidade em aberto — uma potencialidade multidimensional. Você tem que escrever o seu destino, tem que criar o seu destino. Você tem que se tornar você mesmo.
Você não nasceu com um "eu" pronto. Você nasceu apenas como uma semente — e também pode morrer assim como uma semente, mas também pode se tornar uma flor, pode se tornar uma árvore.
A vida se compõe de pequenas coisas. Então, se você passar a se interessar pelas chamadas grandes coisas, estará deixando a vida escapar.
A vida consiste em bebericar uma xícara de chá, fofocar com os amigos, sair pela manhã para fazer uma caminhada — sem qualquer destino em particular, só para caminhar, sem rumo, sem finalidade, podendo a qualquer instante dar meia-volta —, cozinhar para alguém que você ama, cozinhar para si mesmo — porque você ama seu corpo também —, lavar suas roupas, limpar o chão, regar o jardim... Essas coisas pequenas, bem pequenas... Dizer olá a um estranho, o que não seria absolutamente necessário, já que não há qualquer interesse sobre ele.
A pessoa que pode dizer olá a um estranho também pode dizer olá a uma flor, também pode dizer olá a uma árvore, também pode cantar uma canção para os passarinhos.
Osho, “Faça o Seu Coração Vibrar”.

O Jardim Interno

Se o ouro se encontra na escuridão, muitos de nós o têm procurado no lugar errado. Como Deepak Chopra diz, com frequência: “Dentro de cada ser humano há deuses e deusas em embrião, com um único desejo: eles querem nascer”. Ansiamos por ver as sementes da nossa divindade florescer, mas esquecemos que toda semente necessita de solo fértil para crescer. Aquele lugar escuro, terroso e essencial dentro de nós é nossa sombra. É um campo que precisa ser aceito, amado e cultivado para que as flores do nosso ser desabrochem.
Eis uns exercícios que podem auxiliá-los na tarefa de reintegração de você com as “partes esquecidas” no seu inconsciente. A peça fundamental aqui é usar a sua imaginação e criar o ambiente interno nescessário para você realizar “o contato” consigo mesmo.
Quando você fizer esses exercícios, é importante estar bem atento, porque as respostas estão todas dentro de você, mas é preciso fazer muito silêncio para poder ouvi-las. Reserve para si mesmo um bom espaço de tempo, certifique-se de que o telefone esteja desligado e renda-se totalmente ao processo. Recomendo que você reserve pelo menos uma hora para esses exercícios. 
Vista roupas que o deixem à vontade e sente-se no seu lugar preferido da casa. Se quiser, acenda algumas velas e coloque uma música suave para ajudar a criar uma atmosfera de sedução para si mesmo. Deixe à mão um diário e uma caneta ou um lápis com que você goste de escrever. Providencie um gravador e uma fita para registrar as próximas etapas, assim não precisará abrir os olhos para ler o que vem a seguir, quando estiver fazendo os exercícios.
Depois de tudo pronto, feche os olhos e respire cinco vezes, profunda e lentamente. Inspire contando até cinco, prenda o ar contando até cinco e, então, expire bem devagar pela boca. Use a respiração para relaxar o corpo inteiro. Concentre toda a atenção na respiração enquanto prossegue, já que esse é um dos melhores meios de acalmar a mente.
Agora, com os olhos fechados, imagine-se entrando num elevador e fechando a porta. Pressione um dos botões do elevador e desça sete andares. Imagine que está descendo fundo em sua consciência. Quando a porta se abre, você vê um magnífico jardim sagrado. Tente visualizar tudo o que se refere a ele. Observe as árvores, as flores, os pássaros. De que cor está o céu? Está claro, de um azul brilhante, ou rendilhado de nuvens? Sinta a temperatura e a brisa acariciando seu rosto. Como você está vestido? Está usando uma roupa de que gosta muito? Imagine-se com sua melhor aparência. Tire os sapatos e sinta o chão sob os pés. Tem grama ou é arenoso? Está seco ou úmido? Você vê um caminho revestido de pedra ou de mármore? Há cascatas ou estátuas? Você vê algum animal por aí? Permaneça pelo menos um minuto olhando em volta, em todas as direções, e observe o que mais existe no seu jardim.
Quando tiver terminado de criar o jardim, crie um lugar destinado à meditação, onde você possa ficar para encontrar todas as respostas que sempre procurou. Mantenha-se durante um minuto explorando o seu lugar interior sagrado e comprometa-se a visitá-lo com frequência. Volte sua atenção para a respiração e inspire e expire de novo cinco vezes, lenta e profundamente. Conduza-se a um estado ainda mais profundo de relaxamento consciente.
Agora, faça a si mesmo a série de perguntas que vem a seguir, e vá com calma para que você possa ouvir sua voz interior. Depois de cada pergunta, abra os olhos por um momento e escreva as respostas no diário. A melhor maneira de fazer isso é escrever rápido e qualquer coisa que venha à mente. Não existem respostas certas ou erradas. Não se preocupe com o que estiver escrevendo, permita-se sentir e expressar qualquer coisa que precise emergir por esse processo. Quando tiver a resposta para a primeira pergunta, feche os olhos, volte ao seu jardim e sente-se no seu lugar de meditação. Respire mais duas vezes, lenta e profundamente, antes de se fazer a segunda pergunta, e assim por diante. Não tenha pressa.
1. Do que é que eu tenho mais medo? 
2. Quais os aspectos da minha vida que precisam ser mudados? 
3. O que pretendo conseguir ao empenhar em me conhecer? 
4. O que mais temo que alguém descubra sobre mim? 
5. O que mais me atemoriza descobrir sobre mim mesmo? 
6. Qual foi a maior mentira que já contei a mim mesmo? 
7. Qual foi a maior mentira que eu já disse a outra pessoa? 
8. O que pode me impedir de fazer o trabalho necessário para transformar a minha vida?
Quando terminar esse exercício, leve o tempo necessário para escrever em seu diário e expressar no papel qualquer coisa a mais que precise vir à tona. Então, espere um momento para se conscientizar da coragem e do trabalho árduo com que você se empenhou nesse exercício.

Sinta-se livre para praticar essas sugestões quantas vezes você sentir necessário. Lembre-se que você criou o seu "local de meditação" dentro do seu Jardim Interno. Ele é seu e estará "lá" sempre que você decidir "mergulhar dentro de si".
Debbie Ford, “O Lado Sombrio dos Buscadoes da Luz”.

Amando

sábado, 27 de novembro de 2010

A cabeça diz: "Pense antes de saltar." E o coração diz: "Salte antes de pensar." Esses dois caminhos são diametralmente opostos. Amar é saltar numa situação perigosamente viva, sem calcular nada de antemão.
Cada pessoa é um mistério tão infinito, inextinguível, inescrutável, que não é possível que um dia você diga: "Eu conheço essa mulher" ou "Eu conheço esse homem". O máximo que você pode dizer é: "Eu dei o melhor de mim, mas o mistério continua um mistério." Na verdade, quanto mais você conhece, mais misterioso o outro fica. É por isso que o amor é uma constante aventura.
Como é possível conhecer o outro? Você pode amar e, através do amor, esse milagre acontece. Se amar o outro, uma grande compreensão surge naturalmente. Não que tente compreender o outro: você simplesmente ama o outro como ele é, sem julgamentos.
O amor de verdade não é uma fuga da solidão, o amor de verdade é uma solitude abundante. A pessoa está tão feliz em ficar sozinha que tem vontade de compartilhar. A felicidade sempre quer compartilhar. Ela é excessiva, não pode se conter, como a flor não pode conter sua fragrância — ela tem que se espalhar pelo ar.
Solidão é quando você está sentindo falta do outro. Solitude é quando você está encontrando a si mesmo. O amor é um subproduto da liberdade. É a alegria transbordante da liberdade, é a fragrância da liberdade. Primeiro é preciso que haja a liberdade para que depois haja o amor.
A mente é boa quando se trata de dinheiro, de guerra e de ambição, mas a mente é absolutamente inútil quando se trata de amor. Dinheiro, guerra, desejo, ambições — você não pode pôr o amor nessa mesma categoria. O amor vem de uma outra fonte do seu ser.
Os problemas do ciúme e da possessividade não são de fato problemas, mas sintomas — sintomas de que você ainda não sabe o que é amor. Achamos que sabemos o que é amor e por isso surge o problema do ciúme. Não é isso. O problema surge porque não existe amor. Ele mostra que o amor ainda não brotou, mostra simplesmente a falta de amor. Por isso você não pode solucioná-lo. Tudo o que é necessário é esquecer o ciúme, porque essa é uma luta negativa, é uma luta com a escuridão. Não faz sentido. Em vez disso, acenda uma vela. Isso é que é amor. 

Depois que o amor começa a fluir, o ciúme e a possessividade deixam de existir. Você fica simplesmente surpreso ao ver que eles se foram. Você não consegue mais encontrá-los. E exatamente como quando acende uma vela e, ao procurar pela escuridão por todo o cômodo, descobre que não pode mais encontrá-los. Você os procura até com uma luz, mas não consegue encontrá-los. Não pode encontrá-los porque não estão mais ali. Eram, simplesmente, a falta de luz. O ciúme é a falta de amor.
O amor é o único mandamento. Se não houver amor, nem mesmo os Dez Mandamentos ajudarão em alguma coisa. Os Dez Mandamentos não são necessários — eles só são necessários porque você não está pronto para cumprir o primeiro e único mandamento. Eles são apenas substitutos fracos para o único mandamento: o amor.
Antes que você possa se relacionar com alguém, relacione-se consigo mesmo. Esse é o requisito básico para se sentir realizado. Sem ele, nada é possível. Com ele, nada é impossível.
Milhões de pessoas estão sofrendo. Elas querem ser amadas, mas não sabem amar. E o amor não pode existir como monólogo: o amor é um diálogo, um diálogo muito harmonioso.
Deixe de lado a ideia de que você é um homem ou uma mulher. Somos todos seres humanos. Ser um homem ou uma mulher é uma coisa muito superficial. Não faça tanto estardalhaço por causa disso. Não é nada muito importante. Não faça disso grande coisa.
Viva e ame. E ame total e intensamente — mas sem nunca ir contra a liberdade. A liberdade deve continuar sendo um valor supremo.
Osho, “Faça o Seu Coração Vibrar”.

O maior obstáculo para a iluminação

Iluminação – o que é isso?
Por mais de trinta anos um mendigo ficou sentado no mesmo lugar, debaixo de uma marquise. Até que um dia, uma conversa com um estranho mudou sua vida:
– Tem um trocadinho aí pra mim, moço? – murmurou, estendendo mecanicamente seu velho boné.
– O mendigo resolveu abrir a caixa. Teve que fazer força para levantar a tampa e mal conseguiu acreditar ao ver que o velho caixote estava cheio de ouro.
Eu sou o estranho sem nada para dar, que está lhe dizendo para olhar para dentro. Não de uma caixa, mas sim de você mesmo. Imagino que você esteja pensando indignado: “Mas eu não sou, um mendigo!”
Infelizmente, todos que ainda não encontraram a verdadeira riqueza – a radiante alegria do Ser e uma paz inabalável – são mendigos, mesmo que possuam bens e riqueza material. Buscam, do lado de fora, migalhas de prazer, aprovação, segurança ou amor, embora tenham um tesouro guardado dentro de si, que não só contém tudo isso, como é infinitamente maior do que qualquer coisa oferecida pelo mundo.
 
Eckhart Tolle, “O Poder do Agora”.

De todo o coração

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O ciúme é uma das áreas predominantes da ignorância psicológica — sobre si mesmo, sobre os outros e, principalmente, sobre os relacionamentos. As pessoas acham que sabem o que é o amor — elas não sabem. E essa incompreensão sobre o amor cria o ciúme.

As pessoas acham que amor é uma espécie de monopólio, de possessividade — sem entender um fato simples da vida: no momento em que você possui um ser vivo, você o mata. A vida não pode ser possuída. Você não pode segurá-la nas mãos. Se quiser tê-la, você terá que deixar as mãos abertas.

O que faz você ter ciúme? O ciúme em si não é a raiz. Você ama uma mulher, você ama um homem. Você quer possuir essa pessoa só porque tem medo de que, amanhã, ela talvez possa ir embora com outra pessoa. O medo do amanhã destrói seu dia de hoje, e esse é um círculo vicioso.

Se cada dia que passa é destruído por causa do medo do amanhã, mais cedo ou mais tarde o homem vai começar a buscar outra mulher, a mulher vai começar a buscar outro homem, porque você é, simplesmente, um chato de galocha. E quando ele começa a buscar outra mulher ou ela começa a sair com outro homem, você acha que tinha razão em ter ciúme. Na verdade, foi o seu ciúme que provocou isso tudo.

Ciúme é comparação. E fomos ensinados a comparar, condicionados a comparar, a sempre comparar. Alguém tem uma casa melhor, um corpo mais bonito, mais dinheiro, uma personalidade mais carismática. Compare, continue se comparando com todo mundo que cruza seu caminho e isso resultará em um grande ciúme. O ciúme é a consequência do condicionamento para se comparar.

Se, pelo contrário, você parar de se comparar, o ciúme desaparece. Você passa simplesmente a saber que você é você e ninguém mais, e nada mais é necessário.

Não se incomode com o amanhã: o hoje é suficiente. Alguém ama você... Deixe que este seja um dia de alegria, um dia de celebração. Deixe-se ficar hoje tão totalmente no amor que sua totalidade e seu amor serão suficientes para que a outra pessoa não se afaste de você. Seu ciúme a afastará de você. Só o amor pode fazer com que ela fique ao seu lado. Seu ciúme a afastará. Seu amor pode mantê-la com você.

Não pense no amanhã. No momento em que você pensa no amanhã, sua vida de hoje fica meio desanimada. Contente-se em viver o hoje e deixe que o amanhã se resolva por si mesmo — ele tomará seu próprio curso. E lembre-se de uma coisa: se o seu dia de hoje for uma bela experiência, uma bênção, desse hoje brotará o amanhã. Então, para que se preocupar?
Osho, “Faça a Sua Vida Vibrar”.

Filtrando seus sentimentos

Tudo que chega a vocês, apesar de muitas vezes não terem consciência, fica gravado e em algum momento essas informações serão acessadas. Alguns de vocês dirão que já sabem disso, ok, mas quero despertá-los para aprenderem a filtrar aquilo que entra em vocês.
Durante seu dia muitas informações chegam até vocês de inúmeras formas, e outras tantas são acionadas em função das que vocês estão recebendo. Essas informações vindas pela audição ou visão, buscam dentro de você informações que dará a interpretação daquilo que ouviu ou viu.
E aí esta um grande ponto a ser trabalhado por todos vocês. Filtrar aquilo que entra em você é desejar que só entre coisas boas. É se amar e abençoar seu corpo, mente, saúde e vida.
Tenho colocado a necessidade de trabalhar sem expectativas, porque a expectativa quase sempre traz frustrações e tristezas a vocês. A expectativa cria situações que quase nunca surgirão, e por isso é um desperdiçar de energia causando desequilíbrio em suas vidas.
Mas sei que vocês vão dizer que não é fácil viver sem expectativa e EU entendo, mas gostaria que tentassem viver com menos expectativas. 

E como fazer isso? Fazendo as coisas de outra forma. A maioria de vocês faz algo esperando uma resposta, mas se vocês fizerem pelo simples desejo de apenas fazer, você já terá a resposta.
Vou explicar melhor. Quando você faz alguma coisa a alguém o sentimento que flui dentro de você é o de felicidade, portanto você já esta recebendo pelo que fez. Se você não ficar esperando agradecimentos do outro, se ele não vier você já terá sentido felicidade e se houver uma resposta da pessoa você ganhará em dobro.
O que vem a ser o Amor Incondicional?
É exatamente isso: fazer porque seu coração esta pedindo e não esperar nada, pois se você espera não é doação é troca. O Amor Incondicional é o amor que você sempre ganha e jamais sofre, porque você ouviu a voz do seu coração e foi fiel a seu EU INTERNO.
Por quê vocês sofrem tanto? Porque não sabem amar, buscam trocas, barganham com aquele que ama e muitas vezes fazem coisas que não desejam em troca de algo que poderia conseguir sem sofrimento. Enquanto vocês buscarem sua felicidade em outras pessoas não estará sendo fiel ao seu coração.
Não estou dizendo que não devem amar outras pessoas. Estou dizendo que devem amar as outras pessoas, mas também amar você. Se você tem vontade de ir ao cinema e ninguém deseja ir com você, então você não vai ao cinema e fica frustrada e triste, quando poderia ter ido sozinha, pois é você que deseja assistir o filme.
Sei que alguns desejam compartilhar alguns momentos com seus amigos, ou familiares, mas o que quero lembrá-los; é de que nem sempre você terá todas as pessoas que você ama ao seu lado.
Filtrar seus sentimentos é interpretar o que aquela informação esta dizendo, e fazer algo que seja bom e traga felicidade a sua alma.
Quero que vocês aprendam a não trazerem tanto lixo, tristeza, mágoa, ódio e desequilíbrio às suas vidas. Façam uma análise de como foi seu dia, guarde aquilo que foi bom para você e deixe ir aquilo que não lhe trouxe nenhum bem. Comece a filtrar aquilo que é bom e eliminar aquilo que não serve para você.
Se alguém lhe magoou, reconheça esse sentimento, mas deixe-o ir dizendo que não irá cultivá-lo dentro de você. Envie luz à pessoa e siga sua vida. Não alimentem sentimentos que tem corroído vocês, apagando suas luzes internas.
Veja como está sua vida e avalie o que está te trazendo felicidade e redirecione aquilo que não está sendo bom para você.  Recrie sua vida. O mundo se encontra sob a vibração do medo, da insegurança, pois é esse o sentimento interno das pessoas e, portanto, o externo é um reflexo do seu mundo interior.
Há milhões de anos estamos enviando Luz e Amor a vocês e o fazemos com um profundo amor. Não esperamos nada em troca porque já estamos sendo recompensados pelo Criador. E é esse amor que "Deus" deseja que reconheçam dentro de vocês, o Amor Incondicional, o verdadeiro Amor.
Quando vocês começarem a filtrar o que entra em vocês, estarão trazendo felicidade a si e Luz a sua existência.
Fiquem sob a Minha Luz!

EU SOU METRATON, O Senhor da Luz.

http://sandramluz2010.blogspot.com/

Abandonando o tempo psicológico

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Aprenda a usar o tempo nos aspectos práticos da sua vida – podemos chamar de “tempo do relógio” –, mas retorne imediatamente para perceber o momento presente, tão logo esses assuntos práticos tenham sido resolvidos. Assim, não haverá acúmulo do “tempo psicológico”, que é a identificação com o passado e a projeção compulsiva e contínua no futuro.
O tempo do relógio não diz respeito apenas a marcar um compromisso ou programar uma viagem. Inclui aprender com o passado, para não repetir os mesmos erros indefinidamente. Estabelecer objetivos e trabalhar para alcançá-los. Predizer o futuro através de padrões e leis, que podem ser físicas, matemáticas, etc. Aprender com o passado e adotar as ações apropriadas com base em nossos prognósticos.
Mas, mesmo aqui, no âmbito da vida prática, onde não podemos agir sem uma referência ao passado ou ao futuro, o momento presente permanece como um fator essencial, porque qualquer ação do passado é relevante e se aplica ao agora. E planejar ou trabalhar para atingir um determinado objetivo é feito agora.
O principal foco de atenção das pessoas iluminadas é sempre o Agora, embora elas tenham uma noção relativa do tempo. Em outras palavras, continuam a usar o tempo do relógio, mas estão livres do tempo psicológico.
Esteja alerta quando praticar isso, para que você, sem querer, não transforme o tempo do relógio em tempo psicológico. Por exemplo, se você cometeu um erro no passado e só agora aprendeu com ele, está utilizando o tempo do relógio. Por outro lado, se você considerar isso mentalmente e daí resultar uma autocrítica, um sentimento de remorso ou de culpa, então você está transformando o erro em “meu”. Ele passou a ser uma parte do seu sentido de eu interior e se transformou em tempo psicológico, que está sempre relacionado a um falso sentido de identidade. A dificuldade em perdoar envolve, necessariamente, uma pesada carga de tempo psicológico.
Se estabelecemos um objetivo e trabalhamos para alcançá-lo, estamos empregando o tempo do relógio. Sabemos bem aonde queremos chegar, mas respeitamos e damos atenção total ao passo que estamos tomando neste momento. Se insistimos demais nesse objetivo, talvez porque estejamos em busca de felicidade, satisfação ou de um sentido mais completo do eu interior, deixamos de respeitar o Agora. E ele é reduzido a um mero degrau para o futuro, sem nenhum valor intrínseco. O tempo do relógio se transforma então em tempo psicológico. Nossa jornada deixa de ser uma aventura e passa a ser encarada como uma necessidade obsessiva de chegar, de possuir, de “conseguir”. Aí, não somos mais capazes de ver nem de sentir as flores pelo caminho, nem de perceber a beleza e o milagre da vida que se revela em tudo ao redor, como acontece quando estamos presentes no Agora.
Eckhart Tolle, “O Poder do Agora”.

Entrega à existência

Sempre conto a história de dois pedaços de palha que estão se afogando em um rio caudaloso. Uma das palhas, que está disposta em diagonal na correnteza, está tentando conter o rio, está gritando que não deixará o rio continuar.
Apesar de as águas do rio continuarem rolando e a palha ser incapaz de controlá-las, ela continua gritando que o rio será contido: está se gabando de que, quer ela viva ou morra, o rio será contido.
Mas essa palha continua se afogando. O rio não ouve sua voz e não sabe que a palha está lutando contra ele. É uma palha muito pequena; o rio não sabe que ela existe, e ela não faz a menor diferença para ele.
Mas para a palha é uma questão de grande importância. É a maior dificuldade de sua vida. Ela está se afogando, mas continua lutando, ela chegará ao mesmo lugar que chegaria se não estivesse lutando.
No entanto, como está lutando, esse momento, esse período será de dor, de pesar, de conflito e ansiedade.
A palha perto dela se soltou. Ela não está indo contra o fluxo; está deitada reta, na direção em que o rio está correndo — e acredita que está ajudando o rio a correr.
O rio também não conhece a existência dessa palha. A palha pensa que, como está levando o rio para o mar, o rio vai chegar lá. E o rio desconhece essa ajuda.
Tudo isso não faz a menor diferença para o rio, mas para as duas palhas trata-se de um assunto de grande importância. Aquela que está guiando o fluxo do rio está sentindo uma imensa alegria; está dançando, repleta de prazer.
A palha que está lutando contra o rio está sofrendo muito. Sua dança não é uma dança: é um pesadelo. Nada mais é do que uma torção de seu corpo, ela está com problemas, está sendo derrotada; enquanto aquela que está indo com o rio está vencendo.
Um indivíduo é incapaz de fazer qualquer coisa exceto aquilo que seja a vontade do todo. Mas ele tem a liberdade de lutar, e lutando ele tem a liberdade de ficar ansioso.
Sartre disse algo importante: "O homem está condenado a ser livre". O homem está fadado, está condenado, está amaldiçoado a ser livre. 
No entanto, o homem pode usar sua liberdade de duas maneiras. Pode usar sua liberdade contra a vontade da existência e criar um conflito. Nesse caso sua vida será de pesar, dor e angústia, e por fim ele será derrotado.
Outro indivíduo pode fazer de sua liberdade um objeto de entrega à existência — e sua vida será uma vida de alegria, uma vida de dança e canção. E qual será o resultado final? O final não será nada além de uma vitória para ele.
A palha que acredita que está ajudando o rio tem a probabilidade de ser vitoriosa. Ela não pode ser derrotada. A palha que tenta parar o rio certamente será derrotada. Ela não pode vencer.
Então é impossível conhecer a vontade da existência, mas certamente é possível transformar-se em um com a existência. E se esse for o caso, então a vontade de uma pessoa desaparecerá e apenas a vontade da existência permanecerá.
Osho, "Guerra e Paz Interior: Ensinamentos do Bhagavad Gita".

Pró Vida

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Seja a favor da vida. Vida é sinônimo de Deus. Você pode esquecer a palavra "Deus" — a vida é Deus. Viva com reverência, com grande respeito e gratidão. Você não conquistou esta vida: ela é um mero presente do além. Sinta-se grato e reverente. Abocanhe o máximo que puder, mastigue bem e digira tudo muito bem. E desfrute a vida de todas as maneiras possíveis — viva o bom e o ruim, o doce e o amargo, o escuro e o claro, o inverno e o verão. Viva todas as dualidades. Não tenha medo da experiência: quanto mais experiência você tiver, mais integrado ficará.
Quando você encontrar um amigo, encontre-o de fato. Sabe-se lá... Talvez nunca mais volte a encontrá-lo. Então vai se arrepender. E, assim, esse passado insatisfeito vai assombrá-lo, cobrando aquilo que você queria ter dito e não disse. Existem pessoas que querem dizer "eu te amo" a alguém, esperam anos por isso e acabam não dizendo. E a outra pessoa pode um dia morrer e elas vão chorar e se lamentar: "Eu queria ter dito a ela que a amava, mas não disse."
Sempre que tiver um sonho, anote-o. Esse sonho mostra o que você está deixando de viver na realidade. O homem que vive na realidade faz com que seus sonhos comecem a desaparecer. Não existe nada para ele sonhar. Na hora em que vai dormir, ele põe fim ao trabalho do dia. Ele se desliga. Não sobra nada para levar para os sonhos.
O medo da morte não é o medo da morte, é o medo de não se sentir realizado. Você vai morrer e descobrir que não experimentou nada, absolutamente nada, ao longo da vida — nenhuma maturidade, nenhum crescimento, nenhum desabrochar. Você chegou de mãos vazias e está partindo de mãos vazias. Esse é o medo.
Osho, “Faça o Seu Coração Vibrar”.

O caminho para escapar do sofrimento

Consciência! Não crie mais sofrimento no presente.
A maior parte do sofrimento humano é desnecessária. Ele se forma sozinho, enquanto a mente superficial governa a nossa vida.
O sofrimento que sentimos neste exato momento é sempre alguma forma de não- aceitação, uma forma de resistência inconsciente ao que é. No nível do pensamento, a resistência é uma forma de julgamento. No nível emocional, ela é uma forma de negatividade. O sofrimento varia de intensidade de acordo com o posso grau de resistência ao momento atual, e isso, por sua vez, depende da intensidade com que nos identificamos com as nossas mentes. A mente procura sempre negar e escapar do Agora. Em outras palavras, quanto mais nos identificamos com as nossas mentes, mais sofremos. Ou ainda, quanto mais respeitamos e aceitamos o Agora, mais nos libertamos da dor, do sofrimento e da mente.
Por que a mente tem o hábito de negar ou resistir ao Agora? Porque ela não consegue funcionar e permanecer no controle sem que esteja associada ao tempo, tanto passado quanto futuro, e assim ela vê o atemporal Agora como algo ameaçador. Na verdade, o tempo e a mente são inseparáveis.
Imagine a Terra sem a vida humana, habitada apenas por plantas e animais. Será que ainda haveria passado e futuro? Será que as perguntas “que horas são?” ou “que dia é hoje?” teriam algum sentido para um carvalho ou uma águia? Acho que eles ficariam intrigados e responderiam: “Claro que é agora. A hora é agora. O que mais existe?”
Não há dúvidas de que precisamos da mente e do tempo, mas, no momento, em que eles assumem o controle das nossas vidas, surgem os problemas, o sofrimento e a mágoa.
Para ter certeza de que permanece no controle, a mente trabalha o tempo todo para esconder o momento presente com o passado e o futuro. Assim, a vitalidade e o infinito potencial criativo do Ser, que é inseparável do Agora, ficam encobertos pelo tempo e a nossa verdadeira natureza é obscurecida pela mente. Todos nós sofremos ao ignorar ou negar cada momento precioso ou reduzi-lo a um meio para alcançar algo no futuro, algo que só existe em nossas mentes, nunca na realidade. O tempo acumulado na mente humana encerra uma grande quantidade de sofrimento cuja origem está no passado.
Se não quer gerar mais sofrimento para você e para os outros, não crie mais tempo, ou, pelo menos, não mais do que o necessário para lidar com os aspectos práticos da sua vida. Como deixar de “criar” tempo? Tendo uma profunda consciência de que o momento presente é tudo o que você tem. Faça do Agora o foco principal da sua vida. Se antes você se fixava no tempo e fazia rápidas visitas ao Agora, inverta essa lógica, fixando-se no Agora e fazendo visitas rápidas ao passado e ao futuro quando precisar lidar com os aspectos práticos da sua vida. Diga sempre “sim” ao momento atual. O que poderia ser mais insensato do que criar uma resistência interior a alguma coisa que já é? O que poderia ser mais insensato do que se opor à própria vida, que é agora e sempre agora? Renda-se ao que é. Diga “sim” para a vida e veja como, de repente, a vida começa a trabalhar mais a seu favor em vez de contra você.
Eckhart Tolle, “O Poder do Agora”.

Tome uma xícara de chá

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Uma historieta Zen:
Joshu, um mestre Zen, perguntou a um novo monge do mosteiro: “Já o vi antes?”
O novo monge respondeu: “Não, senhor.”
Joshu disse: “Tome uma xícara de chá.”
Joshu, então, voltou-se para um outro monge: “Já o vi por aqui antes?”
O segundo monge respondeu: “Sim, senhor, é claro que sim.”
Joshu disse: “Então tome uma xícara de chá.
Mais tarde, o monge administrador do mosteiro perguntou a Joshu: “Como é que o senhor faz o mesmo oferecimento de chá para qualquer resposta?”
Diante disso, Joshu gritou: “Administrador, o senhor ainda está aqui?”
O administrador respondeu: “É claro, mestre.”
Joshu disse: “Então, tome uma xícara de chá.
A história é simples, mas difícil de ser entendida. É sempre assim. Quanto mais simples a coisa, mais difícil de ser entendida. Para se entender, algo complexo é necessário. Para entender, você tem de dividir e analisar. Uma coisa simples não pode ser dividida e analisada – não há nada para se dividir e analisar – a coisa é tão simples. O mais simples sempre escapa à compreensão.
É por isso que Deus não pode ser compreendido. Deus é a coisa mais simples, absolutamente a coisa mais simples possível. O mundo pode ser compreendido; ele é muito complexo. Quanto mais complexa é a coisa, mais a mente pode trabalhar nela. Quando a coisa é simples não há nada para queimar as pestanas, a mente não pode funcionar.
Os lógicos dizem que qualidades simples são indefiníveis. Por exemplo: alguém lhe pergunta o que é amarelo. É uma qualidade tão simples, a cor amarela, como você a definirá? Você dirá: “Amarelo é amarelo.” O homem dirá: “Isso eu sei, mas qual a definição de amarelo?” Se você diz que amarelo é amarelo, você não está definindo, você está simplesmente repetindo a mesma coisa novamente. É uma tautologia.
G. E. Moore, uma das mentes mais penetrantes deste século, escreveu um livro entitulado Principia Ethica. O livro inteiro resume-se a um esforço muito persistente para definir o que é o bem. Fazendo esforços em todas as direções, em duzentas ou trezentas páginas – e duzentas, trezentas páginas de G. E. Moore valem três mil páginas de qualquer outro –, ele chegou à conclusão de que o bem é indefinível. O bem não pode ser definido – é uma qualidade tão simples.
Quando algo é complexo, há muitas coisas ali; você pode definir uma coisa em função de uma outra que esteja presente ali. Se eu e você estivermos numa sala e você me perguntar “Quem é você?”, eu poderei, pelo menos, dizer que eu não sou você. Esta será minha definição, a indicação. Mas se eu estiver sozinho numa sala e eu me fizer a pergunta “Quem sou eu?”, a pergunta ressoará, mas não haverá resposta. Como definir?
É por isso que se perde Deus. O intelecto nega-o, a razão diz não. Deus é o denominador mais simples da existência – o mais simples e o mais básico. Quando a mente para, não há nada diferente de Deus – assim, como definir Deus? Ele está sozinho na sala. É por isso que as religiões tentam dividir, pois assim torna-se possível uma definição. Eles dizem: “Este mundo não é isso; Deus não é o mundo, Deus não é matéria, Deus não é corpo, Deus não é desejo.” Essas são formas de definir.
Você tem de colocar alguma coisa em oposição a alguma coisa, então uma fronteira pode ser desenhada. Como estabelecer uma fronteira se não há um vizinho? Onde colocar a cerca de sua casa se não existe vizinhança? Se não há ninguém além de você, como você pode cercar sua casa? A fronteira de sua casa baseia-se na presença de seu vizinho. Deus é sozinho, ele não tem vizinhos. Onde ele começa? Onde ele acaba? Em lugar nenhum.
Como você pode definir Deus? Exatamente para definir Deus, o Diabo foi criado. Deus não é o Diabo – pelo menos esse tanto pode ser dito. Você pode não ser capaz de dizer o que é Deus, mas você pode dizer o que ele não é: Deus não é o mundo.
Eu estava lendo um livro de um teólogo cristão. Ele diz que Deus é tudo exceto o mal. Isso, também, é suficiente para definir. Ele diz: “Tudo, exceto o mal” – esse tanto estabelecerá uma fronteira. Ele não está consciente de que se Deus é “tudo”, então, de onde vem esse mal? Ele deve estar vindo de “tudo”.
Caso contrário, há alguma outra fonte de existência além de Deus, e essa outra fonte de existência torna-se equivalente a Deus. Então, o mal nunca poderá ser destruído; tem a sua própria fonte de existência. Então, o mal não é dependente de Deus; assim, como Deus pode destruí-lo? Deus não o destruirá. Uma vez que o mal seja destruído, Deus não poderá ser definido.
Para defini-lo, ele precisa que o Diabo esteja sempre lá, ao lado dele. Os santos precisam dos pecadores, de outra forma eles não existiriam. Como você saberia quem é um santo? Todo santo precisa de pecadores à sua volta; esses pecadores fazem a fronteira.
A primeira coisa a ser entendida é que coisas complexas podem ser entendidas, coisas simples não podem. Uma coisa simples fica só.
Essa historieta Zen sobre Joshu é muito simples. É tão simples que escapa a você: você tenta pegá-la, você tenta capturá-la, ela escapa. Ela é tão simples, que sua mente não pode trabalhar sobre ela. Tente sentir a história. Eu não direi tente entender, porque você não poderá entendê-la. Tente sentir a história. Muitas coisas estão ocultas dentro dela, se você tentar senti-las. Se você tentar entendê-la, não haverá nada nela – toda a historieta é absurda.
Osho, “A Bird on the Wing”.