Enfrente o último tabu

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Deus não é, na verdade, o ponto central da inquirição religiosa - a morte é. Sem a morte, não haveria religião nenhuma. É a morte que faz o ser humano buscar o transcendental, a imortalidade.
A morte nos cerca como o oceano cerca uma pequena ilha. A ilha pode ser inundada a qualquer momento. O momento a seguir pode nunca acontecer, o amanhã pode nunca chegar.
Os animais não são religiosos pelo simples fato de que não têm consciência da morte. Eles não podem se imaginar morrendo, embora vejam outros animais morrendo. 
Trata-se de um salto quântico ver um ser morrendo e concluir: "Eu também vou morrer". Os animais não estão tão alertas, tão conscientes, a ponto de chegar a essa conclusão.
E a maioria dos seres humanos é também subumana. Um homem só é maduro quando ele chega a esta conclusão: "Se a morte acontece para todo mundo, eu não posso ser uma exceção". Depois que essa constatação cala fundo no seu coração, a sua vida pode nunca mais ser a mesma.
Você não conseguirá continuar apegado à vida assim como antes. Se ela um dia será tirada de você, então para que ser tão possessivo? Se ela vai acabar um dia, então para que se apegar e sofrer? 
Se a vida não vai durar para sempre, então por que ficar infeliz, angustiado, preocupado desse jeito? Se ela está escoando a cada dia que passa, não importa quando ela vai acabar. Então o tempo não tem importância - hoje, amanhã, depois de amanhã, a vida vai escorrer pelos vãos dos nossos dedos.
Osho, em “O Livro do Viver e do Morrer: Celebre a Vida e Também a Morte”.

A verdadeira caridade

Às vezes, a gente pensa que gostar de ajudar é simplesmente porque temos bom coração, temos boas intenções. Mas será que, quando a gente está nessa de ajudar, nós não estamos apenas exercitando a nossa vaidade, querendo ser apenas o "bacanão"? Será que quem está do outro lado, recebendo, não sente que você está apenas o usando para satisfazer o seu orgulho ou sua vaidade?
É muito fácil dar, principalmente aquilo que está sobrando para nós. É muito fácil estar do outro lado. Por mais que uma pessoa necessite de ajuda, por maior que seja o seu problema, receber é sempre muito complicado. Então, o ato de ajudar deve vir acompanhado de muita sutileza, de muita discrição, de um jeito que não humilhe quem está recebendo. 
Será então que você está se dando de modo certo ou, mesmo, será que você está dando o que realmente o outro necessita? Mas também, por outro lado, não adianta ficar se preocupando muito com o que os outros andam pensando. A gente tem é que ir fazendo as coisas, e, entre os erros e acertos, tentar ser o mais honesto possível.
Ser bom não é ser "trouxa". É preciso ter coragem e firmeza, senão os outros abusam e você acaba passando da medida. Muita atenção para não dar as costas e ser esfaqueado por quem você acha que está ajudando. Afinal, as pessoas quando estão caídas costumam ficar muito ressentidas com quem está melhor.
Mas é muito bom prestar atenção em você, nas suas atitudes: será que você é bom de coração ou é bom apenas socialmente? Porque essas duas "bondades" são muito diferentes.
Quando a gente é bom de coração, a gente age com firmeza, sem usar daquele artifício de voz mansinha, molinha, não. Isso é apenas um truque, e as pessoas percebem que é muito falso. É preciso dizer as verdades, impor a vontade que está no coração, sem adular ninguém. Para ser bom, é preciso, antes de qualquer coisa, ter força e consciência de que apenas a verdade leva para a frente, levanta e resolve qualquer problema, qualquer dificuldade.
Agora, a bondade social é aquela chaga. Você adula, diz o que o outro quer ouvir, faz voz mansinha, parece até um anjo. Mas apenas alimenta a sua vaidade e afunda mais o outro na ilusão. É uma bondade da boca para fora, uma ação que não enfrenta a verdade e apenas "mima" e adula.
Não adianta mimar ninguém, porque a vida só faz sofrer os mimados. E quando a vida faz sofrer, é apenas para que a gente perceba que no sofrimento é que ficamos fortes e que não tem lugar para os mimados e fracos. Vamos é ser firmes ao falar e firmes quando usarem de firmeza com a gente, sem a velha desculpa de que somos sensíveis e precisamos ser tratados com carinho.
Só assim é que poderemos ser bons e prestar de fato um serviço a quem precisa, sem que ninguém abuse da gente.


Calunga, "Fique com a LUZ".

Gostar não basta

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Há séculos já se sabe que o silêncio é a maior das necessidades; por isso as pessoas fogem do mundo, achando que é impossível ficar em silêncio no mundo.
Essa é uma conclusão absolutamente errada, uma lógica errada, porque o silêncio nada tem a ver com o mundo exterior. Ele é uma coisa interior. Você pode cultivá-lo em qualquer lugar.
Você pode ir à montanha, mas sua mente será a mesma — você vai jogar os mesmos jogos, porque não vai ter outra coisa para fazer, e toda a energia estará disponível para a mente.
Nos mosteiros, nos desertos, nas montanhas, a mente se torna ainda mais dominante que numa feira livre, no dia-a-dia. 
Há pessoas que gostariam de ficar em silêncio, mas gostar não basta. É necessário amar. Gostar é morno, é mais ou menos. Amar significa envolver-se apaixonadamente. Amar significa que é uma questão de vida ou morte. O amor significa intensidade, totalidade.
E as grandes dádivas da vida são somente para as pessoas que estão dispostas a entrar totalmente em algo, seja ele o silêncio, a liberdade, a verdade — não importa o quê. Todos os valores supremos exigem que você ame.
Osho, em "Meditações Para o Dia".

Amar é deixar livre

Quem é que pode cumprir a promessa do coração quando não sabe nem como vai estar amanhã? Promessa é perda de tempo. Se a gente for sincero, de verdade, vai oferecer o que tem no momento e tudo o que pode saber no momento. Vai viver com sinceridade, com amizade, com sensibilidade. Isso, sim, é importante. Que o momento seja revestido de algo bom, sem amanhã.
Mas você começa um namoro já pensando se vai dar certo. Já está pensando no amanhã, já está querendo prender a pessoa no seu egoísmo. Ela percebe isso e se assusta. Ou se é ela quem faz isso, você começa a se desinteressar, a achar que ela tem algum problema.
Você também faz exigências: tem que ser trabalhador, tem que ser bom, tem que ser assim, tem que ser assado. Mas você precisa abrir o coração e a mente para perceber que todo mundo é como os amigos. Tem gente que serve para uma coisa, tem gente que serve para outra. Tem gente que você pode conviver com profundidade, porque é uma companhia muito boa, e tem gente que só pode conviver de vez em quando.
Namoro é a mesma coisa. Há muitas formas de namorar, mas a melhor é a que não faz exigências. Tem que ser a que deixe a pessoa livre para crescer e para experimentar. Amar uma pessoa é dar a ela a liberdade de ser ela mesma, de se expressar.
O que o ser humano não tolera mais é que não tenha espaço para se expressar, para trazer de dentro dele o que a natureza colocou de original, como uma necessidade fundamental, como uma busca. Se o relacionamento for para sugar a pessoa, para restringir a sua vida, ela não vai aguentar. Cedo ou tarde, ela rompe com aquilo.
Há muitas uniões temporárias que dão certo, porque um ajuda o outro a segurar seus medos, sua situação. Não são eternas, porque ali existe uma dependência e não uma amizade. Gostar mesmo é amizade. Se você abrir o seu coração e sua mente, vai perceber que hoje há muita gente pronta para esse tipo de relacionamento.
Qualquer um dá palpite na vida do outro, fala o que quer na cara do outro. E você acha que isso é intimidade? Eu acho que é confiança demais. É a pessoa folgada, que vai dizendo o que você tem que fazer, como se ela soubesse o que é bom para os outros.
Você acha que os outros vão gostar dessa invasão na vida deles? Vai começar o bate-boca. O povo vai falar mal de você, dizer que você toma muita confiança. Então não deixe os outros tomarem confiança e não tome também, principalmente no namoro, que é uma situação delicada.
O namoro é um jogo sutil de energias sutis, de contorno afetivo profundo. São momentos de transfusão energética, em que nós nos sentimos humanos, nos sentimos profundos. A procura de uma intimidade na cama tem muito mais a ver com o encontro da profundidade interior entre duas pessoas do que propriamente a ginástica física e sexual.
O orgasmo é bom, mas a liberação do espírito é muito mais forte e muito mais satisfatória. Traz para você a complementação do seu dia, a visão do mundo espiritual. Isso é feito na sutileza do amor, do namoro. Por isso, é preciso ter delicadeza e a delicadeza pressupõe não tomar muita confiança.
Se a pessoa se oferece é uma coisa. Mas se a pessoa não se oferece é porque não está segura para isso. Então, não pegue, não tome, não exija, não invada, porque você vai perder. Ou vai encontrar na sua vida alguém que faça o mesmo.


Calunga, "Um Dedinho de Prosa".

Síndrome do Pânico

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Tem gente que anda por este mundo afora morrendo de medo de tudo.
Gente sobrecarregada de responsabilidade e cobrança, gente que quer levar o mundo todo nas costas e com um medo danado de falhar, de ser chamada de fracassada, de incompetente. Gente com a cabeça completamente enfiada na cegueira. E vem com o "cunversê" de que tem síndrome do pânico.
É o que dá enfiar na cabeça que são responsáveis pelos filhos, pelo marido, pela família toda e ainda, para sobrecarregar mais, se sentem responsáveis por qualquer outro que atravessa a sua porta.
Assumem tudo, criam um drama danado, mas morrem de medo de não aguentar o que assumiram na loucura de ser poderosas. Até quando que vão continuar nesse dramalhão? Até onde vai continuar toda essa pressão sobre as suas cabeças e sobre as suas almas?
Pois é, minha gente, todos os problemas desta vida tem que passar pela gente como uma nuvenzinha fraca, que não oferece risco nenhum. Deixem que caia a garoa, que molhe um pouquinho, deixem que refresque. Mas fazer uma tempestade que a tudo destrói na sua vida é pura loucura, é sintoma de quem deixa a vaidade e o orgulho se tornarem maiores que a sua capacidade de sobreviver.
Deixem tudo de lado, pois tudo passa com o tempo. Os problemas dos filhos, do marido e de quem quer que seja, se deixados de lado, se não considerados, acabam se diluindo, se transformando em nada. Daqui a algum tempo, se vocês olharem para trás, nada mais existirá.
Tudo passa, minha gente, tudo passa quando não damos importância aos fatos. Não adianta tentar responder por tudo, não adianta e é impossível ter essa pretensão, essa vontade insana de abraçar o mundo. Afinal o mundo não é só de vocês.
É um orgulho danado essa mania de tomar conta de tudo e de todos. É querer ser maior do que se é. Sabem que são limitados, mas basta alguém comentar ao seu lado que estão numa dificuldade, e logo vocês se apressam a ajudar. A pegar os pesos dos outros e assumir uma sobrecarga de responsabilidade.
Quase sempre é a absurda necessidade que vocês tem de se sentirem poderosos, capazes de resolver tudo. Vocês querem ser é muito bacanas, não? Daí então, com a cabeça cheia de compromissos com o mundo, é certo que vão ficar "tontos", desnorteados, sem saber como dar conta das coisas.
E é só sair para a rua e perder o rumo, morrendo de medo de tudo. Medo de falhar nas suas responsabilidades frente a todos, frente ao mundo, prisioneiros dos problemas e das energias negativas dos outros.
Isso tudo é viver num clima de ameaça, ameaça de não dar conta, que leva ao envenenamento de todo o seu sistema imunológico. Aí vocês acabam estressados e se sentem ameaçados. Mas não tem ameaça real, apenas fantasias criadas na cabeça.
Mas vocês não nasceram assim, não é? Vocês nasceram livres, descompromissados. Só que, com o seu "amadurecimento", foram aprendendo tudo errado com relação a vida.
Deixem que cada um resolva os seus desafios, que cada um seja responsável apenas pela sua vida. Podem acreditar que vocês não tem a missão de ser os salvadores do mundo. Afinal, já é tão dificil conseguir dar conta da sua própria vida.
Permitam, desprentensiosamente, que cada um resolva o seu, que cada um possa conhecer os seus limites e as suas capacidades. Por fim, deixem de se magoarem com vocês mesmos, por não terem conseguido dar conta de tudo aquilo que o seu orgulho queria que vocês fizessem.
Baixem as suas expectativas e toquem a vida com a alegria que ela merece, sem tormentos.


Calunga, "Fique com a LUZ".

Aja com sinceridade

Nada de servir as pessoas procurando recompensa amanhã. Isso só vai criar cobranças e ressentimentos, pois quem hoje você ajudou muito certamente não vai te estender a mão amanhã, quando o necessitado for você.
Trabalhe para o Deus que está dentro de você, assim você será provido, defendido. Não tenha medo do ódio dos outros por se negar a ser conivente com os seus caprichos. Aja com a sinceridade do seu coração, sem ligar para os outros, sem querer agradar aos outros.
A sua verdade interior vale mais do que tudo. E o exercício pleno dessa sinceridade é a linguagem de Deus.
Não se desvalorizando, você evita que todas as coisas importantes para a sua prosperidade escapem do seu destino. A sua energia capta no universo as oportunidades de ganhar dinheiro, a compreensão dos outros das suas qualidades e possibilidades.
Acreditem que há pessoas com tão boa energia, com tão boa auto-estima, que, mesmo não fazendo tudo muito bem-feito, as coisas acontecem, são requisitadas, a prosperidade floresce.
Quando não se tem atitudes erradas na vida, a sorte vem. A sorte não é uma mera coincidência aleatória, não. A sorte é a consequência de suas atitudes.
A valorização, por sua vez, não é parametrada pela comparação de você com os outros. 
“Ser melhor ou pior é o exercício da vaidade”.
Autovalorização é o exercício da humildade. Humildade não é se rebaixar. Ser humilde é ser livre, não ter medo de nada, nem do mundo.
Cada ato diário de se dar a si mesmo é retribuido com dádivas cada vez maiores. Dando só para os outros, a fonte seca. 
Você deve estar se perguntando: "Mas se eu não der para o outro, estou sendo egoísta, não estou sendo justo, bom, cristão". Não é assim, não. Porque, se você estiver nessa dúvida, você está dando tudo por obrigação, dirigido pelos valores da sua cabeça.
Doar é um impulso do coração. 
Doa-se sem culpa, sem receber paga, recompensa ou elogios. 
Gratuitamente.


Calunga, "Fique com a LUZ".

Semear para colher...

terça-feira, 24 de agosto de 2010


O viajante da LUZ nunca tem pressa.
O tempo trabalha a seu favor; ele aprende a dominar a impaciência, e evita gestos impensados.
Anda devagar, nota a firmeza de seus passos. Sabe que participa de um momento decisivo na história da humanidade, e precisa mudar a si mesmo antes de transformar o mundo. Por isso lembra-se das palavras de Lanza del Vasto: "uma revolução precisa de tempo para se instalar".
Um viajante da LUZ nunca colhe o fruto enquanto ele ainda está verde.
Adaptação do "Manual do Guerreiro da Luz" de Paulo Coelho.

Compreendendo

Você está fora da prisão, fora da gaiola; pode abrir as asas e o céu inteiro é seu. Todas as estrelas e a lua e o sol, pertencem a você. Você pode desaparecer no azul do além... Basta desfazer-se do apego a essa gaiola. Saia dela, e o céu inteiro será seu. Abra as suas asas e voe passando à frente do sol, como uma águia.

No céu interior, no mundo interior, a liberdade é o valor mais alto - tudo o mais é secundário, inclusive a bem-aventurança, o êxtase. Existem milhares de flores, elas são incontáveis, mas todas elas só se tornam possíveis em clima de liberdade.
Osho Christianity, the Deadliest Poison and Zen… Chapter 6

Comentário:
O pássaro retratado nesta carta está olhando para fora, do que parece ser uma gaiola. Não há porta; na verdade, as barras estão desaparecendo. As grades eram uma ilusão, e esta avezinha está sendo atraída pela graça, pela liberdade e pelo encorajamento das outras. Ela está abrindo suas asas, pronta para alçar vôo pela primeira vez.

O surgimento de uma nova compreensão - o de que a gaiola sempre esteve aberta e o céu sempre esteve ali para que nós o explorássemos - pode fazer com que nos sintamos um pouco abalados de início. Está bem, e é natural sentir-se chocado, mas não deixe que isso desperdice a oportunidade para vivenciar a leveza de coração e a aventura que lhe estão sendo oferecidas ali mesmo, junto com a sensação de abalo.


Deixe-se levar pela delicadeza e gentileza desse momento. Sinta o bater de asas dentro de você. Abra as asas e seja livre.
de OSHO, O Tarô Zen.

Dê a volta por cima das rotinas da mente

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Sentindo-se triste? Dance ou vá tomar uma ducha e veja a tristeza desaparecer de seu corpo. Sinta como a água que bate em você leva junto a tristeza, da mesma forma que leva embora o suor e a poeira de seu corpo.
Coloque sua mente em uma situação tal que ela não seja capaz de funcionar de maneira habitual. Qualquer coisa serve. Afinal, todas as técnicas que foram desenvolvidas ao longo dos séculos não passam de tentativas para distrair a mente e demovê-la dos velhos padrões.
Por exemplo, se você estiver se sentindo irritado, inspire e expire profundamente durante apenas dois minutos e veja o que acontece com a sua raiva.
Ao respirar profundamente, você terá confundido sua mente, pois ela não é capaz de correlacionar as duas coisas. "Desde quando", a mente começa a se perguntar, "alguém respira profundamente quando está com raiva? O que está acontecendo?"
A dica é nunca se repetir. Caso contrário, se toda vez que se sentir triste você for para o chuveiro, a mente transformará isso num hábito. Após a terceira ou quarta vez, ela aprenderá: "Isso é algo permitido. Você está triste, então é por isso que está tomando uma ducha." Nesse caso, a ducha irá apenas transformar-se em parte de sua tristeza. Seja inovador, seja criativo. Continue confundindo a mente.
Seu companheiro diz algo e você se sente irritado. Em vez de bater nele ou jogar alguma coisa em sua direção, mude o padrão do pensamento: dê-lhe um abraço e um beijo. Confunda-o também! De repente, você perceberá que a mente é um mecanismo e que ela se sente perdida com o que é novo.
Abra a janela e deixe novos ventos entrarem.
Osho, em "Uma Farmácia Para a Alma".

Viva O SEU mundo INTERIOR

A coisa mais difícil para a gente é aprender a seguir o nosso caminho sem se deixar atrapalhar pelos outros. É impressionante como as pessoas são sensíveis ao que os outros falam. Fico admirado ao ver como vocês tem os ouvidos abertos para escutar todo mundo, sem olhar a realidade de cada um. Vocês vão ao médico e aceitam tudo o que ele fala. Lêem um livro e aceitam tudo o que está escrito. Algumas coisas vocês contestam ou repensam.
A maioria, no entanto, dá toda a sua confiança para os outros e se entrega para as teorias, se entrega para os pensadores de uma tal maneira que se desorienta completamente da própria vida, da sua natureza. Vive fora de si, vive como se fosse um zumbi, guiado pelo ambiente.
Qualquer coisinha no ambiente destrói a sua atenção e o afeta. É o comentário, é a pressão que as pessoas fazem. Quem vive muito para fora gosta de fazer pressão, de criticar, de cobrar o outro, de reivindicar mudança. Todo mundo quer que o outro seja como ele quer. Ninguém está disposto a ceder. A vida, então, se torna um transtorno.
Voce fica magoado, ferido. E, daí, começa a constituir as defesas. Fecha os olhos para não ver. Põe no seu corpo uma porção de barreiras para não sentir. Você enlouquece no dia-a-dia, sentindo que os outros são perturbadores, agressivos e se sente confuso. Muitas das coisas que os outros põem na sua cabeça, muitas dessas influências, você segue, porque acha que tem que ter consideração pelos outros, nem que seja para se mortificar.
Passa, então, a ser escravo dos outros, que vivem impondo suas condições. O pessoal larga o problema na sua mão e você acha que tem obrigação de resolver. É o filho que explora a mãe. É a mãe que explora o filho, porque quer fazer dele o que ela bem entende. É o pai que explora a esposa e a esposa que explora o marido. É um explorar o outro, um se meter na vida do outro, um querer que o outro mude. E quando os outros não estão se metendo, é voce que está chamando:
- Me ajude. Reza para mim. O que voce acha? Me dê a sua opinião...
Você vai enfiando o mundo dentro de você e vai se atrapalhando, se atolando e ficando desesperado, aflito. Aí vem as doenças, as perdições, as tentações, as negatividades.
Se você quer uma vida boa, precisa fazer as coisas adequadas. Qualquer um pode melhorar a sua condição de vida, pode ter prosperidade, sucesso, pode encontrar tudo o que deseja no fundo do seu coração. Pode, porque a vida é generosa. Mas a vida é organizada, não é bagunça. É você que não entende as leis, porque também não faz esforço para entender. Para você, parece que tudo é um caos e que todo mundo é ruim. Só você não tem ruindade. Mas onde já se viu alguém se queixar de alguém sem ser malvado também? Quem se queixa de maldade alheia é porque é igualzinho.
Não adianta ficar bravo, revoltado, porque é você quem arca com as consequências, com os caminhos fechados, com as dificuldades, com as doenças. De que adianta ficar revoltado? Só mostra que, lá no fundo, você tem ódio. E ainda acha que ódio é solução. Por isso, vai receber muito ódio, muita maldade em volta de você, porque essa é a lei. E quem escapa da lei? Ninguém escapa da lei, nem mesmo Jesus escapou.
A gente que está aqui no plano astral observando vê que não tem protegido. Estou cansado de ver gente tão caridosa morrer toda podre, ruim, arrebentada, assassinada, com mil problemas. Jesus mesmo foi assassinado. O que prova que todo mundo está na lei. Não tem esse filho predileto, não. Não existe. Todo mundo é predileto de Deus, porque Ele criou todos com o mesmo amor. Na hora do benefício, Deus estende a mão da mesma maneira. Mas se voce infringe a lei, Ele não o protege. Se infringiu, vai dormir na cama que fez.
O que se planta é o que se colhe. Não tem injustiça, não. A ignorância de um serve de lição para o outro. Deus pega o ignorante e põe no seu caminho para você experimentar o que está plantando. Eu sei que o outro é ignorante, sei que o outro é burro. Mas por que ele entrou na sua vida? Porque você abriu um campo para ele entrar. Então, vamos acabar com essa fantasia. Se voce não assumir direito, vai sofrer muito.
Você precisa parar e ver o quanto se deixa influenciar pelos outros, porque você fica com pena e vai pegando os problemas dos outros. O povo joga uma tragédia de vítima para usar as suas forças, você entra nessa jogada, fica com pena de fulano, sicrano e beltrano. Aí, você pega todas as cargas pesadas dos outros, entra no carma, na vibração dos outros, em vez de seguir os impulsos interiores da sua vontade.
Enquanto você estiver se rejeitando, o que importa se o outro rejeita ou não? Você mesmo já rejeitou seus impulsos interiores para levar uma vida que está sendo insatisfatória. E ainda está com medo de mudar essa vida, com medo de sair de trás do seu armário, escondido, levando essa vidinha, em vez de fazer a revolução que precisa fazer para que se realize como espírito, como pessoa de uma vez por todas.
O caminho da realização é o caminho espiritual, ou seja, você se realiza como pessoa quando você consegue não mais viver sob a influência do mundo, mas, sim, sob a influência do seu mundo interior e só do seu mundo interior, porque Deus fala lá dentro e se você não prestar atenção vai se dar mal.

Calunga.

Palavra de Criança (9)

domingo, 22 de agosto de 2010

Vida
... é que nem um presente embrulhado num papel colorido. Tem gente que guarda o presente para abrir depois, mas isso é muito sem graça. Legal mesmo é fazer aquela festa, rasgar o papel e abrir o presente... no presente.
“Receba no agora o milagre que é a sua vida.”
Solidão
... é quando a gente não sabe se gosta da gente, então, acha que ninguém vai gostar. Aí a gente se afasta das pessoas, que nem um bichinho doente, não deixa ningúem chegar perto e se sente muito só.
“Aproxime-se e deixe as pessoas gostarem de você.”
Verdade
... é uma coisa que o homem usa para dizer que os outros estão errados. Ela é parecida com a lua e tem um montão de caras diferentes. Quando a verdade é verdadeira mesmo, todo mundo concorda com ela.
“Abra mão das falsas verdades.”
Alma
... é uma parte muito velha da gente, tão antiga que às vezes a gente até esquece que tem. A alma existe para nos ajudar a lembrar das coisas que a gente esqueceu. Se a gente ouvisse mais, ia acordar e ficar sabido que nem ela.
“Busque a memória e a sabedoria intuitiva de sua alma.”


Patricia Gebrim, "Palavra de Criança."

Onde você vê...


Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
e o outro vê uma chance de crescer.
Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.
Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...
Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo,
a dor e a miséria total.
Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.
E que é inútil querer apressar o passo do outro,
a não ser que ele deseje isso.
Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.
"Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura."

Fernando Pessoa
http://www.aindamelhor.com/poesia/poesias03-fernando-pessoa.php

O nome de Jesus

sábado, 21 de agosto de 2010

Se o nome de Jesus o toca, sente-se em silêncio e permita que o nome o toque.
De vez em quando, diga silenciosamente 'Jesus' e espere. Isto se tornará um mantra. É como nasce um verdadeiro mantra.
Ninguém lhe pode dar um mantra; você tem que descobrir o que o atrai, o que o toca, o que cria um grande impacto em sua alma.
Se for 'Jesus', ótimo. Sente-se em silêncio, repetindo 'Jesus', espere, e permita que o nome penetre fundo, no mais fundo recôndito do seu ser - permita que chegue ao centro. E deixe acontecer! Se você começar a dançar, ótimo; se começar a chorar, ótimo; se começar a rir, ótimo.
Seja o que for que aconteça, permita. Deixe acontecer, não interfira, não manipule. Deixe acontecer e você terá os primeiros vislumbres de prece e meditação, os primeiros vislumbres de Deus. Os primeiros raios começarão a penetrar na noite escura da sua alma.
Qualquer som que você ache belo e estético, qualquer som que crie emoção e alegria no seu coração, funciona. Mesmo que não pertença a nenhuma língua, isto não importa - você pode descobrir sons puros que vão ainda mais fundo.
Porque quando você usa uma certa palavra, ela possui um certo significado - esses significados criam limitações. Usando um som puro, não há nenhuma limitação, ele é infinito.
Osho, em "O Livro Orange".

A importância da impessoalidade

Vocês se envolvem muito emocionalmente com as coisas, muito apaixonadamente com as pessoas e não percebem a importância de ser impessoais. Para muitos, a impessoalidade é confundida com frieza, com distanciamento, com o não saber viver em sociedade.
Mas o ser impessoal é a atitude de estar "na gente", de ficar na nossa alma. É o se envolver até o limite da preservação da nossa individualidade, garantindo o direito ao que é nosso.
Entretanto, a nossa educação quase sempre nos desvia da impessoalidade, pois nos leva ao envolvimento com os problemas dos outros, com as dores do mundo. A todo instante somos levados a querer ajudar alguém, a tentar salvar ou remediar uma situação que não nos diz respeito diretamente.
Como a gente vive muito o externo, muito o outro, acabamos nos envolvendo de uma forma dolorosa. Somos ainda uma grande maioria de pessoas envolvidas com uma rede de sofrimento que começa na família, passa pelos amigos, corre até os vizinhos, abraça o ambiente do trabalho e vai mundo afora. Como se fôssemos os salvadores do mundo. Se cada um tem o seu jeito de aprender, se cada qual está na mão da vida, na mão de Deus, nós não temos o direito de interferir na sua história individual e muito menos nos dar ao sacrifício de sofrer pelo mundo.
A atitude impessoal é, enfim, a compreensão do direito que o outro tem de percorrer o seu caminho. Não é insensibilidade, não é distanciamento, não é falta de caridade. A ajuda ao outro pode quase sempre ser prestada por atos inteligentes - enquanto você pode orientar uma alternativa ao problema -, mas nunca pelo envolvimento emocional, dividindo sofrimentos e desgraças.
A dor, a desgraça ou um simples problema vivenciado por alguém precisam ser compreendidos numa amplidão maior, já que a vida não se cansa de nos ensinar por sinais, por fatos dolorosos ou alegres. E é através dessa compreensão que vamos percebendo como participar dos fatos, sem esse envolvimento doloroso. Participar é a melhor maneira de estar com o outro nos seus momentos de aflição, enquanto participar signifique apenas a possibilidade de você ser um ponto de referência, não um outro a vivenciar e sofrer com o drama.
Está aí, para vocês, lançado um grande desafio, que é viver na impessoalidade. Esquecer a sua imagem no mundo, esquecer quem é você para o mundo dos outros e viver por dentro, viver apenas das suas sensações, viver do apoio às suas necessidades da alma.
Há muita confusão em sua cabeça, muita coisa que não tem a ver com a sua vontade. Deixe tudo que não é seu de lado e concentre a sua energia para fazer bem o seu serviço, para fazer bem a sua parte. E não tenha medo de se sentir indiferente aos males do mundo, se sentir seletivo ou insensível. Você não pode ficar desviando suas energias para um universo que não é seu.
A impessoalidade está ligada à qualidade das tarefas que você se propuser a fazer em seu favor e não à sua pessoa. O que vai interessar é a situação criada por você, as suas sensações, a melhora da sua qualidade de vida.
Sem atitudes impessoais, não vamos ter nunca qualidade de vida e nunca chegaremos à realização espiritual.
“A felicidade é um estado de espírito”.
E a felicidade só será alcançada na sua plenitude quando dermos respostas aos anseios de nossa própria alma.


Calunga, "Fique com a LUZ".