Tome uma xícara de chá

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Uma historieta Zen:
Joshu, um mestre Zen, perguntou a um novo monge do mosteiro: “Já o vi antes?”
O novo monge respondeu: “Não, senhor.”
Joshu disse: “Tome uma xícara de chá.”
Joshu, então, voltou-se para um outro monge: “Já o vi por aqui antes?”
O segundo monge respondeu: “Sim, senhor, é claro que sim.”
Joshu disse: “Então tome uma xícara de chá.
Mais tarde, o monge administrador do mosteiro perguntou a Joshu: “Como é que o senhor faz o mesmo oferecimento de chá para qualquer resposta?”
Diante disso, Joshu gritou: “Administrador, o senhor ainda está aqui?”
O administrador respondeu: “É claro, mestre.”
Joshu disse: “Então, tome uma xícara de chá.
A história é simples, mas difícil de ser entendida. É sempre assim. Quanto mais simples a coisa, mais difícil de ser entendida. Para se entender, algo complexo é necessário. Para entender, você tem de dividir e analisar. Uma coisa simples não pode ser dividida e analisada – não há nada para se dividir e analisar – a coisa é tão simples. O mais simples sempre escapa à compreensão.
É por isso que Deus não pode ser compreendido. Deus é a coisa mais simples, absolutamente a coisa mais simples possível. O mundo pode ser compreendido; ele é muito complexo. Quanto mais complexa é a coisa, mais a mente pode trabalhar nela. Quando a coisa é simples não há nada para queimar as pestanas, a mente não pode funcionar.
Os lógicos dizem que qualidades simples são indefiníveis. Por exemplo: alguém lhe pergunta o que é amarelo. É uma qualidade tão simples, a cor amarela, como você a definirá? Você dirá: “Amarelo é amarelo.” O homem dirá: “Isso eu sei, mas qual a definição de amarelo?” Se você diz que amarelo é amarelo, você não está definindo, você está simplesmente repetindo a mesma coisa novamente. É uma tautologia.
G. E. Moore, uma das mentes mais penetrantes deste século, escreveu um livro entitulado Principia Ethica. O livro inteiro resume-se a um esforço muito persistente para definir o que é o bem. Fazendo esforços em todas as direções, em duzentas ou trezentas páginas – e duzentas, trezentas páginas de G. E. Moore valem três mil páginas de qualquer outro –, ele chegou à conclusão de que o bem é indefinível. O bem não pode ser definido – é uma qualidade tão simples.
Quando algo é complexo, há muitas coisas ali; você pode definir uma coisa em função de uma outra que esteja presente ali. Se eu e você estivermos numa sala e você me perguntar “Quem é você?”, eu poderei, pelo menos, dizer que eu não sou você. Esta será minha definição, a indicação. Mas se eu estiver sozinho numa sala e eu me fizer a pergunta “Quem sou eu?”, a pergunta ressoará, mas não haverá resposta. Como definir?
É por isso que se perde Deus. O intelecto nega-o, a razão diz não. Deus é o denominador mais simples da existência – o mais simples e o mais básico. Quando a mente para, não há nada diferente de Deus – assim, como definir Deus? Ele está sozinho na sala. É por isso que as religiões tentam dividir, pois assim torna-se possível uma definição. Eles dizem: “Este mundo não é isso; Deus não é o mundo, Deus não é matéria, Deus não é corpo, Deus não é desejo.” Essas são formas de definir.
Você tem de colocar alguma coisa em oposição a alguma coisa, então uma fronteira pode ser desenhada. Como estabelecer uma fronteira se não há um vizinho? Onde colocar a cerca de sua casa se não existe vizinhança? Se não há ninguém além de você, como você pode cercar sua casa? A fronteira de sua casa baseia-se na presença de seu vizinho. Deus é sozinho, ele não tem vizinhos. Onde ele começa? Onde ele acaba? Em lugar nenhum.
Como você pode definir Deus? Exatamente para definir Deus, o Diabo foi criado. Deus não é o Diabo – pelo menos esse tanto pode ser dito. Você pode não ser capaz de dizer o que é Deus, mas você pode dizer o que ele não é: Deus não é o mundo.
Eu estava lendo um livro de um teólogo cristão. Ele diz que Deus é tudo exceto o mal. Isso, também, é suficiente para definir. Ele diz: “Tudo, exceto o mal” – esse tanto estabelecerá uma fronteira. Ele não está consciente de que se Deus é “tudo”, então, de onde vem esse mal? Ele deve estar vindo de “tudo”.
Caso contrário, há alguma outra fonte de existência além de Deus, e essa outra fonte de existência torna-se equivalente a Deus. Então, o mal nunca poderá ser destruído; tem a sua própria fonte de existência. Então, o mal não é dependente de Deus; assim, como Deus pode destruí-lo? Deus não o destruirá. Uma vez que o mal seja destruído, Deus não poderá ser definido.
Para defini-lo, ele precisa que o Diabo esteja sempre lá, ao lado dele. Os santos precisam dos pecadores, de outra forma eles não existiriam. Como você saberia quem é um santo? Todo santo precisa de pecadores à sua volta; esses pecadores fazem a fronteira.
A primeira coisa a ser entendida é que coisas complexas podem ser entendidas, coisas simples não podem. Uma coisa simples fica só.
Essa historieta Zen sobre Joshu é muito simples. É tão simples que escapa a você: você tenta pegá-la, você tenta capturá-la, ela escapa. Ela é tão simples, que sua mente não pode trabalhar sobre ela. Tente sentir a história. Eu não direi tente entender, porque você não poderá entendê-la. Tente sentir a história. Muitas coisas estão ocultas dentro dela, se você tentar senti-las. Se você tentar entendê-la, não haverá nada nela – toda a historieta é absurda.
Osho, “A Bird on the Wing”.

O meu castelo

Em Love and Awakening, John Welwood emprega a analogia do castelo para ilustrar o mundo dentro de nós. Imagine um castelo magnífico, com corredores intermináveis e milhares de aposentos. Cada cômodo do castelo é perfeito e tem um dom especial. Cada aposento representa um diferente aspecto de você mesmo e é uma parte completa do castelo inteiro e perfeito
Como uma criança, você explorou cada centímetro do seu castelo, sem vergonha ou espírito crítico. Sem medo, procurou as preciosidades e os segredos de cada cômodo. Amorosamente, você assumiu cada aposento, fosse ele um banheiro, um quarto ou uma adega. Cada um e todos os cômodos eram únicos. Seu castelo estava cheio de luz, amor e maravilhas. 
Então, um dia, alguém chegou lá e lhe disse que um dos aposentos era imperfeito, que com certeza não pertencia ao castelo. Sugeriu-lhe que, se quisesse ter um castelo perfeito, você deveria fechar aquele quarto e trancar a porta. Como desejava ser amado e aceito, você rapidamente fechou o quarto. 


À medida que o tempo foi passando, mais e mais gente foi até o seu castelo. Todos deram sua opinião sobre os aposentos, de quais gostavam e os que lhe desagradavam. E, aos poucos, você foi fechando uma porta depois da outra. Seus aposentos maravilhosos foram sendo trancados, ficaram fora do alcance da luz, mergulhados na escuridão. Um ciclo havia começado.
Desse momento em diante, você passou a fechar cada vez mais portas, pelas mais diversas razões. Fechou portas porque tinha medo ou porque achou que os quartos eram muito arrojados. Trancou a porta de outros por julgá-los muito conservadores. Outras portas foram fechadas porque alguns castelos que você visitou não tinham cômodos como aqueles. E outras, ainda, porque seu líder religioso lhe disse que você deveria manter distância de certos quartos. Você fechou toda porta que não se encaixasse nos padrões da sociedade ou em seu próprio ideal.
Acabou-se o tempo em que o seu castelo parecia não ter fim e o seu futuro se apresentava brilhante e cheio de emoções. Você já não cuidava mais de cada cômodo com o mesmo amor e admiração. Aposentos dos quais você se orgulhava, agora queria que desaparecessem. Você tentou imaginar formas de se livrar deles, mas eles faziam parte da estrutura do castelo. Chegou um momento em que você, tendo fechado a porta de todo e qualquer cômodo de que não gostasse, acabou por se esquecer completamente deles. 
No princípio, você não percebeu o que estava acontecendo; tinha se tornado um hábito. Com tanta gente dando palpites tão diferentes sobre qual a aparência que um magnífico castelo deveria ter, tornara-se mais fácil dar atenção aos outros do que à sua voz interior: a única que amava seu castelo inteiro
Na verdade, o fato de fechar aquelas portas começou a lhe dar segurança. Logo você se viu morando em poucos e apertados cômodos. Aprendera a fechar as portas para a vida e sentia-se à vontade fazendo isso. Muitos trancaram tantos aposentos que se esqueceram de que algum dia foram um castelo. Passaram a acreditar que eram apenas uma casa pequena, de dois quartos, necessitando de consertos.
Agora, imagine seu castelo como o lugar onde você abriga tudo o que você é, a parte boa e a parte má, e que todas as características que existem no planeta também estão em você. Um de seus cômodos é amor, outro é coragem; outro, elegância; e outro é graça. Há um número infinito de aposentos. Criatividade, feminilidade, honestidade, integridade, saúde, sensualidade, poder, timidez, ódio, ganância, frigidez, preguiça, arrogância, doença e maldade são aposentos do seu castelo. Cada um deles é uma parte essencial da estrutura, e cada aposento tem seu oposto em algum lugar do seu castelo. 
Felizmente, nunca ficamos satisfeitos sendo menos do que somos capazes de ser. Nosso descontentamento com nós mesmos nos motiva a ir em busca de outros cômodos perdidos do castelo. Só conseguiremos achar a chave da nossa individualidade se abrirmos todos os aposentos do castelo.
O castelo é uma metáfora para ajudá-lo a perceber a enormidade do seu ser. Cada um possui esse lugar sagrado dentro de si mesmo. É de fácil acesso, se estivermos prontos e ansiosos por ver a nossa totalidade. A maioria das pessoas tem medo do que poderá encontrar por trás das portas desses quartos. Assim, em vez de partir numa aventura, para encontrar nosso eu escondido, cheio de emoções e maravilhas, conservamo-nos fingindo que os quartos não existem. 
O ciclo continua. Mas, se você quer de fato mudar o rumo da sua vida, terá de entrar em seu castelo e abrir vagarosamente todas as portas, uma a uma. Precisará explorar seu universo interior e recuperar tudo o que havia rejeitado. Só na presença do seu eu integral você poderá apreciar sua magnificência e gozar a totalidade e a singularidade da sua vida.
Debbie Ford, “O Lado Sombrio dos Buscadores da Luz”.

Nada existe fora do AGORA

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O passado e o futuro não são tão reais quanto o presente? Afinal, o passado determina quem somos e de que forma agimos no presente. E os nossos objetivos futuros determinam as atitudes que tomamos no presente.

Você ainda não captou a essência do que estou dizendo porque está tentando entender mentalmente. A mente não pode entender esse assunto. Só você pode
Por favor, preste atenção ao seguinte:
Você alguma vez vivenciou, realizou, pensou ou sentiu alguma coisa fora do Agora? Acha que conseguirá algum dia? É possível alguma coisa acontecer ou ser fora do Agora? A resposta é óbvia, não é mesmo?

Nada jamais aconteceu no passado, aconteceu no Agora.
Nada jamais irá acontecer no futuro, acontecerá no Agora.


O que consideramos como passado é um traço da memória, armazenado na mente, de um Agora anterior. Quando lembramos do passado, reativamos um traço da memória e fazemos isso agora. O futuro é um Agora imaginado, uma projeção da mente. Quando o futuro acontece, acontece como sendo o Agora. Quando pensamos sobre o futuro, fazemos isso no Agora. Obviamente o passado e o futuro não têm realidade própria. Do mesmo modo como a lua não tem luz própria e apenas reflete a luz do sol, o passado e o futuro são apenas um reflexo pálido da luz, do poder e da realidade do eterno presente. A realidade deles é “emprestada” do Agora.

A essência dessas afirmações não pode ser compreendida pela mente. No momento em que captamos a essência, ocorre uma mudança na consciência, que passa a desviar o foco da mente para o Ser, do tempo para a presença. De repente, tudo parece vivo, irradia energia, emana do Ser.
Eckhart Tolle, “O Poder do Agora”.

O sacerdote

Um jovem diabo vem correndo para o seu chefe.
Ele está tremendo, e ele diz para o diabo velho: "Alguma coisa tem que ser feita imediatamente, porque um homem na terra descobriu a verdade! E quando as pessoas conhecerem a verdade, o que acontecerá com nossa profissão?"
O velho riu e disse: "Sente-se, descanse e não fique preocupado. Tudo já foi providenciado. Nossa gente está lá."
"Mas", ele disse: "eu vim de lá e não vi um único diabo lá."
O velho disse: "Os sacerdotes são minha gente! Eles já estão com o homem que descobriu a verdade. Agora eles se tornarão os mediadores entre o homem da verdade e a multidão. Eles erguerão templos, eles escreverão escrituras, eles interpretarão e distorcerão tudo. Eles pedirão às pessoas para cultuarem, para rezarem. E nesse rebuliço todo, a verdade será perdida! Este é meu velho método que sempre funcionou."
Osho, "O Livro do Homem".

Dependência e Liberdade

domingo, 21 de novembro de 2010

Todo ser humano anseia por liberdade e, no entanto, a grande maioria da humanidade se encontra absolutamente distante do verdadeiro significado desta palavra. A independência financeira, vista como um dos pilares da liberdade, é de fato importante, mas também pode ser ilusória se considerarmos os inúmeros riscos a que estamos submetidos na total interdependência econômica em que se encontra o planeta. 
Para garantir seus empregos, é necessário muitas vezes que as pessoas assumam posturas, opiniões e valores que nem sempre correspondem à sua verdade. Deste modo, adaptar-se ao que é imposto pelo mundo exterior se tornou tão essencial, que elas já não conseguem saber o que de fato pensam, sentem e precisam para serem felizes.
Quanto mais inconscientes permanecem desta situação, mais escravas se tornam das condições impostas pelo mundo para que sejam plenamente aceitas. Garantir a aprovação ao seu modo de ser, de agir e de pensar é a única maneira que elas enxergam para que a insegurança se torne uma ameaça distante.
O problema é que esta fórmula é apenas uma ilusão, visto que ninguém consegue fingir o que não é, durante muito tempo, sem pagar um alto preço por isto. Este preço, em geral, se manifesta na forma de desequilíbrios, tais como a depressão, a ansiedade, a síndrome do pânico, e tantos outros distúrbios de natureza psicológica que se manifestam de forma avassaladora nos dias em que vivemos.
A insanidade é o preço que se paga pelo medo de assumir a própria autenticidade. Quanto mais distantes permanecermos de nossa verdade interior, mais fortemente nos enredaremos numa teia que nos imobiliza e torna cada dia mais distante a chance de experimentarmos a paz.
"Aquilo que depende de condições não é real – é causado pela condição - pode ser tomado de algum modo em algum momento. As pessoas respeitam você, você se sente bem – mas elas podem desrespeitá-lo em algum momento. O seu sentimento de bondade, seu bem estar, está nas mãos delas. 
E por que está nas mãos delas, você é um escravo. E você sempre permanecerá com medo de que elas possam mudar sua opinião algum dia. Você terá que preencher as expectativas delas – por que nada é sem um custo.
Se você quer uma boa opinião delas a seu respeito, você tem que preencher suas expectativas. Você tem que continuamente considerá-las, e esta consideração é uma escravidão. Você não pode dizer o que você quer dizer, você não pode ser o que você gostaria de ser. Você tem que fingir, você tem que ser pseudo. Você tem que estar sorrindo quando realmente você gostaria de chorar, e você tem que chorar quando as lágrimas não estão vindo.
Esta existência inautêntica se torna possível apenas por uma simples razão, e esta é: nós dependemos das opiniões dos outros. Eles se tornam importantes, eles têm poder sobre nós. 
E o poder é dado por você, porque você depende da opinião deles – porque você se sente bem quando eles se sentem bem a seu respeito. Então você tem que mantê-los sentindo-se bem a seu respeito. Você tem que seguir alimentando-os, então eles não mudarão sua opinião. Então, você tem que mudar a si mesmo, deste e daquele modo.
Você sempre tem que olhar e ver o que eles querem – o que a sua mulher quer, o que os seus filhos querem, o que seu pai quer, a mãe, e as pessoas e o governo, e a sociedade e a igreja. Mil e uma considerações têm de ser olhadas. Como você pode ser livre? Como você pode ser você mesmo? Uma pessoa pode ser ela mesma somente quando abandona todas estas considerações.
Gurdjieff costumava dizer a seus discípulos, O primeiro fundamento para se tornar um homem e não uma máquina é abandonar a consideração! E ele não está dizendo para tornar-se rude para com as pessoas. Não é este o sentido. 
Ele está simplesmente dizendo para deixar sua felicidade ser sua. Encontre uma fonte interior, então você será independente. E esta é a real liberdade. Liberdade política não é real, liberdade econômica não é real. A liberdade real tem de ser espiritual.
E este é o sentido de liberdade espiritual: quando você permanece não afetado. Alguém insulta você e você permanece como se nada tivesse acontecido; alguém elogia você e você permanece como se nada tivesse acontecido."
Osho,  “Hallelujah! A Darshan Diary – cap. 21
- Love is madness with a method”
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Você colhe o que planta

As situações que, para nós, parecem dolorosas só ocorrem quando a pessoa tem necessidade de estimulação, de mudança, de despertar as potencialidades que ela traz como sementes divinas. Por isso, o sofrimento ainda é uma necessidade humana, da própria natureza, de transformar o indivíduo. E, à medida que ele vai se transformando, seu sentimento e seu pensamento vão mudando.
Cada vez mais, a inteligência do homem é chamada a participar, evitando assim seu sofrimento e facilitando o desenvolvimento de todos. E todos nós já temos uma boa dose de inteligência, mas ainda há muito trabalho a fazer.
A revolta, portanto, não vai mudar o ser humano, nem a sua necessidade de passar pelas experiências que forem necessárias para o seu desenvolvimento. A revolta só vai fazer, em meio à tragédia, vir mais dor. Se você está revoltado, procure envolver-se em movimentos de renovação, de modificação das ideias, porque ainda temos uma moral que submete a maioria a leis falsas. O egoísmo humano faz da lei um processo moroso, difícil, faz do governo uma grande confusão, porque o povo é muito indisciplinado.

A natureza do povo ainda é muito revoltada, muito rebelde. O povo não quer a disciplina, a responsabilidade, porque ainda se encontra em um estágio infantil. A consequência é a confusão, a dificuldade.
O respeito é imposto aos outros quando nós nos respeitamos. E nos respeitar é amadurecer no reconhecimento da responsabilidade que temos diante de nossas próprias capacidades, que exigem de nós o empenho, o estudo, a prática para nos desenvolvermos. Tudo isso é o que a espiritualidade quer fazer para vocês.
O mérito só é válido quando há o seu esforço, seu comprometimento consigo mesmo. A vida o está chamando. Estimule-se com a inteligência, busque conhecer tudo, saber de tudo, não se faça de cansado, de revoltado. Não destrua se não souber construir no lugar algo melhor. 
Essa é a nossa mensagem. É o estado de evolução que a gente quer, aos poucos, influenciar vocês para terem a coragem de levar em frente, amadurecendo em cada um a noção de princípios mais amplos para colher os frutos que você plantou. Ninguém vai colher se não plantar.


Calunga, "Um Dedinho de Prosa".

Marcas de baton no banheiro...

sábado, 20 de novembro de 2010

Numa escola pública estava ocorrendo uma situação inusitada: uma turma de meninas de 12 anos, que usava batom, todos os dias removia o excesso beijando o espelho do banheiro.
O diretor andava bastante aborrecido porque o zelador tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao final do dia. Mas, como sempre, na tarde seguinte, lá estavam as mesmas marcas de batom.
Chegou a chamar a atenção delas por quase dois meses, e nada mudou, todos os dias acontecia a mesma coisa....
Um dia o diretor juntou o bando de meninas e o zelador no banheiro, explicou pacientemente que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas que elas faziam.
Depois de uma hora falando, e elas com cara de deboche, o diretor pediu ao zelador "para demonstrar a dificuldade do trabalho".
O zelador imediatamente pegou um pano, molhou no vaso sanitário e passou no espelho.
Nunca mais apareceram marcas no espelho!
"Há professores e há educadores" !!!!
Autor desconhecido.

Você é a testemunha

Não rejeite a menteentenda-a. Quando entende algo, você vai além disso — isso fica abaixo de você. A mente tem sua utilidade — uma grande utilidade. Não existiriam qualquer ciência sem a mente, qualquer tecnologia. Todos os confortos do ser humano desapareceriam sem a mente humana. O homem regrediria para o mundo dos animais ou até para um mundo ainda mais inferior. A mente nos deu muito.

O problema não é a mente. O problema é a sua identificação com ela. Você acha que você é a mente — aí está o problema.

Pare de se identificar com a mente. Seja o observador e deixe-a funcionarsob sua vigilância, seu testemunho, sua observação. Uma diferença radical ocorre por meio da observação. A mente funciona com muito mais eficácia quando você a observa, porque todo o lixo é descartado e ela não precisa carregar um peso desnecessário — fica leve. E quando você se torna um observador, a mente também pode ter algum descanso. Do contrário, durante toda a vida a mente trabalha, dia após dia, ano após ano. Ela só pára quando você morre. Isso cria uma fadiga profunda, uma fadiga mental.

Agora os cientistas estão dizendo que até os metais se cansam — existe a chamada "fadiga do metal". Então o que dizer da mente, que é extremamente sutil, que é tão delicada? Trate-a com cuidado. Mas continue à distância, indiferente, desapegado. Quando escreve, você não se torna a caneta, embora não possa escrever sem ela. Uma boa caneta é essencial para uma boa escrita. Se você começar a escrever com os dedos, ninguém entenderá o que escreveu, nem mesmo você, e será muito primitivo. Mas você não é a caneta e a caneta não é o escritor, é só um instrumento para escrever. A mente não é o mestre, mas só um instrumento nas mãos do mestre.

Treinar a mente para a concentração é muito difícil: ela se revolta e continua a recair em antigos hábitos. Você a segura novamente e ela escapa. Você a leva para o assunto no qual estava concentrado e, de repente, descobre que ela está pensando em outra coisa — já até esqueceu em que estava concentrado. Não é uma tarefa fácil.

Mas colocá-la de lado é algo extremamente fácil — não é nada complicado. Tudo o que você tem que fazer é observar. Seja o que for que esteja passando na sua cabeça, não interfira, não tente detê-la, Não faça nada: qualquer coisa que fizer vai virar uma disciplina.

Então não faça absolutamente nada. Só observe.
O que há de mais estranho sobre a mente é que, se você se tornar um observador, ela começa a desaparecer. Assim como a luz dispersa a escuridão, a atenção plena dispersa a mente, seus pensamentos, toda a sua parafernália.

Intelecto é pensamento. A consciência é descoberta em um estado de não-pensamento: no silêncio total em que nenhum único pensamento causa perturbação. Nesse silêncio você descobre seu próprio ser — ele é tão vasto quanto o céu. E conhecê-lo é entrar em contato com algo que realmente vale a pena. De outra maneira, todo o seu conhecimento é lixo. Seu conhecimento pode ser útil, mas não vai ajudá-lo a transformar o seu ser. Ele não pode lhe trazer satisfação, contentamento, iluminação, a ponto de você poder dizer: "Estou em casa."

Seus pensamentos não são você. Existe um tráfego constante. Na sua tela mental, tantos pensamentos estão passando, mas você não é um deles. Você é a testemunha, está de fora. Está vendo esses pensamentos passarem.

Nada que possa ver pode ser você. Esse deve ser o critério: nada que testemunhe pode ser você. Você é a testemunha.

Osho, “Faça o Seu Coração Vibrar”.

Aprendendo a dizer NÃO

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Quando Angela tinha apenas dois ou três anos, seus pais a ensinaram a nunca dizer NÃO. Ela devia concordar com tudo o que eles falassem, pois, do contrário, era uma palmada e cama.
Assim, Angela tornou-se uma criança dócil, obediente, que nunca se zangava. Repartia suas coisas com os outros, era responsável, não brigava, obedecia a todas as regras, e para ela os pais estavam sempre certos.
A maioria dos professores valorizava muito essas qualidades, porém os mais sensíveis se perguntavam como Angela se sentia por dentro.
Angela cresceu cercada de amigos que gostavam dela por causa de sua meiguice e de sua extrema prestatividade: mesmo que tivesse algum problema, ela nunca se recusava a ajudar os outros.
Aos trinta e três anos, Angela estava casada com um advogado e vivia com sua família numa casa confortável. Tinha dois lindos filhos e, quando alguém lhe perguntava como se sentia, ela sempre respondia: "Está tudo bem."
Mas, numa noite de inverno, perto do Natal, Angela não conseguiu pegar no sono, a cabeça tomada por terríveis pensamentos. De repente, sem saber o motivo, ela se surpreendeu desejando com tal intensidade que sua vida acabasse, que chegou a pedir a Deus que a levasse.
Então ela ouviu, vinda do fundo do seu coração, uma voz serena que, baixinho, disse apenas uma palavra: NÃO.
Naquele momento, Angela soube exatamente o que devia fazer. E eis o que ela passou a dizer àqueles a quem mais amava:
Não, não quero.
Não, não concordo.
Não, faça você.
Não, isso não serve pra mim.
Não, eu quero outra coisa.
Não, isso doeu muito.
Não, estou cansada.
Não, estou ocupada.
Não, prefiro outra coisa.
Sua família sofreu um impacto, seus amigos reagiram com surpresa. Angela era outra pessoa, notava-se isso nos seus olhos, na sua postura, na forma serena mas afirmativa com que passou a expressar o seu desejo.
Levou tempo para que Angela incorporasse o direito de dizer NÃO à sua vida. Mas a mudança que se operou nela contagiou sua família e seus amigos. O marido, a princípio chocado, foi descobrindo na sua mulher uma pessoa interessante, original, e não uma mera extensão dele mesmo. Os filhos passaram a aprender com a mãe o direito do próprio desejo. E os amigos que de fato amavam Angela, embora muitas vezes desconcertados, se alegraram com a transformação.
À medida que Angela foi se tornando mais capaz de dizer NÃO, as mudanças se ampliaram. Agora ela tem muito mais consciência de si mesma, dos seus sentimentos, talentos, necessidades e objetivos. Trabalha, administra seu próprio dinheiro, e nas eleições escolhe seus candidatos.
Muitas vezes ela fala com seus filhos: "Cada pessoa é diferente das outras e é bom a gente descobrir como cada um é. O importante é dizer o que você quer e ouvir o desejo do outro, dizer a sua opinião e ouvir o que o outro acha. Só assim podemos aprender e crescer. Só assim podemos ser felizes."
Barbara K. Bassett.

Jack Canfield e Mark Victor Hansen,

"Histórias para Aquecer o Coração 2".

Aprenda ser impessoal

Você tem pele grossa?
A gente vai trabalhando com o povo, tentando ajudar as pessoas a se libertarem dos problemas, e vai percebendo que quem tem pele grossa não tem problema. Será que você criou uma pele psicológica, uma casca dura, ou sua pele continua fininha? A vida de quem tem pele grossa é uma maravilha. Mas quem tem pele fina vive na atormentação, na perturbação, na confusão.
Gente de pele fina absorve tudo o que acontece em volta dela. Tudo o que o outro faz é como se fizesse dentro dela. Se a pessoa é criticada ou ouve um parecer ignorante, ela já quer argumentar. Se alguém cobra algo dela, ela já acha que tem que dar satisfação. Vive preocupado com o que as pessoas pensam, com o que elas fazem. Morre de medo dos outros, porque tem pele fina e se mistura com todo mundo.
Quem tem pele grossa escuta os outros, mas sabe que tem uma estrutura interna que o protege. Essa pessoa está bem atenta. Os outros podem falar e fazer acontecer, que de fora para dentro nada penetra. De dentro para fora, sim.
Para engrossar a pele, você precisa mudar o seu modo de pensar, seu modo de ser. Precisa aprender a diferença entre ser pessoal e ser impessoal. As pessoas de pele fina pensam que ser impessoal é ser uma pessoa muito fria, egoísta, que não percebe a necessidade dos outros. Ser impessoal, então, é visto como algo ruim.
Essas pessoas acham que tem que ter compaixão e piedade pelo sofrimento alheio e fazer tudo para ajudar os outros. Pode ser muito bonita essa intenção, mas na realidade não é bem assim.
Ajudar os outros é só para quem tem boa estrutura, para quem não se contagia com a sujeira e com a lama; porque está bem protegido. Geralmente as pessoas seguem os impulsos sem olhar as condições verdadeiras da possibilidade de ajuda.
A pessoa desestruturada acha que tem que ser responsável pelo sentimento do outro. Tem muito medo dos comentários, pois dá muita importância aos outros e pouca para si mesmo. Não respeita a sua vontade e também não sente seu limite. E por isso mesmo vive frustrado, se sentindo rebaixado e depreciado.
Intimidade não é promiscuidade. Promiscuidade é mistura, é não saber mais onde começa um e onde termina o outro. É a gente se perder na loucura dos outros e os outros na nossa. É dor e é sofrimento. Já a intimidade é a revelação da sua essência com sinceridade.
Quem tem pele fina tem que se esconder, que mentir, que disfarçar, tem que lutar para se defender das pessoas e do mal que há à sua volta.
A pele grossa é o que me torna possível permanecer ao lado de uma pessoa muito doente, muito queixosa, muito ruim. Eu fico e ela não me abala, não me influencia. Eu sei que tudo isso é dela, que não é nada pessoal. Eu não ponho o pessoal, porque não acredito em ser pessoal com ninguém. Ao contrário, continuo me comportando do meu jeito.
Vamos rever esse conceito de ser impessoal. Pessoal é assumir as suas necessidades, os seus dons, as suas vontades, o seu amor, o seu sentimento. Você é pessoal com você. O outro é pessoal com ele. Entre vocês, vão ser impessoais. Vai haver a doação, a contribuição, o respeito a si e ao próximo, mas de maneira impessoal. Enquanto não rever o seu conceito do que é ser bom, do que é amar, você vai sofrer. Se você cria uma boa estrutura interna, tudo fica protegido; a sua casa, o seu carro, os seus negócios. Se a sua estrutura interna é fragil, tudo fica em perigo. Por isso, aprenda a ser impessoal.

Calunga, "Um Dedinho de Prosa".

As Regras da Maioria

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Evite esses hipócritas que decidem por você. Tome as rédeas nas suas mãos. Você tem que decidir. Na verdade, é nesse próprio ato de decisão que a sua alma nasce. Quando os outros decidem por você, sua alma continua adormecida e obtusa. Quando você começa a decidir por si próprio, passa a ter perspicácia.

A verdade não é democrática. Não é através de votos que se decide o que é verdadeiro. Caso contrário, nunca chegaríamos a verdade alguma. As pessoas votarão pelo que é mais confortável — e as mentiras são muito confortáveis, porque você não tem que fazer nada em relação a elas, só acreditar. A verdade exige grande esforço, descoberta, risco. E é preciso que você trilhe sozinho um caminho que ninguém percorreu antes.

A maioria se compõe de idiotas, completos idiotas. Cuidado com a maioria. Se tantas pessoas estão seguindo alguma coisa, isso já e prova suficiente de que ela está errada. A verdade acontece a indivíduos, não a multidões.

O homem nasce como uma semente: ele pode se tornar uma flor ou não. Tudo depende de você, do que faz consigo mesmo. Tudo  depende do fato de crescer ou não. A escolha é sua — e essa escolha tem que ser feita a todo momento. A todo momento você se encontra em uma encruzilhada.
Osho, “Faça o Seu Coração Vibrar”.

Aproveite a Vida

Tudo é muito simples na vida. É o que é. Vocês ficam querendo mudar as coisas, mas não tem nada que mudar e, sim, que deixar a vida correr.
Aproveite a vida. Tem tanta coisa para fazer: construir, viajar, passear. Quanta coisa boa! Uma boa prosa. Quantos livros para aprender de tudo. Que vida rica!
A insegurança estabelece uma fragilidade no poder de reação divina em nossas vidas. A vida flui segundo a nossa confiança, e não conforme a nossa desconfiança. As energias divinas realizadoras que promovem a nossa vida, nosso conforto, as oportunidades de crescimento, de aprendizagem, de  desenvolvimento dos potenciais precisam, para funcionar, que nós, em nosso arbítrio, venhamos a optar pela nossa confiança. Portanto, tenha fé. Acredite!
O mundo está muito carente de gente despachada, de gente positiva, que não fica chorando e se lamentando com piedade disso, piedade daquilo, mas de gente que está fazendo acontecer, que está criando trabalho para os outros, gente que vai tocando para a frente, porque enquanto está mantendo a firmeza, está mantendo as oportunidades. Gente assim cresce e abre a porta para muitas outras.
Agora, vocês que param no meio do caminho, na lamentação, e veem problema em tudo, são uns pesos. Com o pretexto de ajudar, deixam de produzir em benefício da coletividade. Então, é melhor mesmo a pessoa despachada. Essa cresce, é próspera e vai em frente, porque não vê problema nenhum.

Calunga, "Um Dedinho de Prosa".

Usando a Mente

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Tudo o que você vê foi inventado por pessoas espirituosas, não por pessoas sérias. As pessoas sérias vivem voltadas para o passado — elas não param de repetir o passado porque sabem que ele funciona. Elas nunca são inventivas.
"Mente contemporânea" é, de certa forma, uma contradição. A mente nunca é contemporânea. Ela é sempre antiga. Mente é passado e nada mais. Mente significa memória. Nenhuma mente contemporânea pode existir. Ser contemporâneo é ser desprovido de mente.
Apenas olhe, observe. O que é a sua mente? O que se quer dizer com a palavra "mente"? No que ela consiste exatamente? Todas as suas experiências, os seus conhecimentos e o passado acumulados — essa é a sua mente. Você pode ter uma mente materialista pode ter uma mente espiritualista, isso não importa nem um pouco. Mente é mente. A mente espiritual não é menos mente do que a mente materialista. E nós temos que ir além da mente.
De Aristóteles a Wittgenstein, milhares de pessoas brilhantes desperdiçaram todo o seu brilho pela simples razão de que tentaram solucionar apenas problemas em vez de se voltarem para a própria raiz de todos eles. A mente é o único problema. A mente só conhece o conflito. Mesmo quando não há conflito, a mente cria um. Mesmo quando não existe qualquer problema, a mente cria um.
A mente não pode existir sem problemas: ela se nutre de problemas. Conflito, luta, desarmonia — e a mente está perfeitamente à vontade e ambientada. Silêncio, harmonia — e a mente começa a ficar com medo, porque harmonia, silêncio e paz são nada mais do que a morte para a mente.
A mente é um robô. O robô tem sua utilidade, e é desse jeito que a mente funciona. Você aprende algo. Quando aprende, de início fica consciente. Por exemplo, quando aprende a dirigir um carro, fica bem alerta, porque sua vida está em perigo. Tem que tomar cuidado com muitas coisas: o volante, a rua, os pedestres, o acelerador, o freio, a embreagem. Tem que prestar atenção em tudo. Há tantas coisas a lembrar que você fica nervoso. E perigoso cometer um erro, por isso você precisa manter a atenção. Mas, no momento em que aprende a dirigir, essa atenção já não é mais necessária. Então a parte robotizada da mente entra em ação.
Isso é o que eu chamo de aprender. Aprender significa que algo está sendo transferido da consciência para o robô. E disso que se trata o ato de aprender. Depois que você aprendeu uma coisa, ela deixa de fazer parte da mente consciente e é enviada para o inconsciente. Agora o inconsciente pode fazê-la. Agora a consciência está livre para aprender outra coisa.
Isso é, por si só, extremamente significativo. Do contrário você ficaria aprendendo uma única coisa a vida inteira. A mente é uma ótima serva, um ótimo computador. Use-a, mas lembre-se de que ela não pode dominar você. Lembre-se de que tem que continuar sendo capaz de ficar consciente, de que ela não pode tomar posse de você totalmente, de que ela não pode se tornar tudo, de que a porta precisa ser deixada aberta para que você possa sair do robô.
Osho, “Faça o Seu Coração Vibrar”.