REJEIÇÃO DE SI MESMO

terça-feira, 6 de março de 2012

É VOCÊ quem cria! O que é, É!
A maior prova da rejeição de si mesmo é o sentimento de desacordo interior, é o tormento de não se entender.
Minha gente, nós temos que procurar a compreensão da vida vencendo o desafio que carregamos dentro de nós, que é decifrar todos os nossos enigmas e responder a todas as nossas interrogações.
É preciso dominar o nosso instinto, entender que a nossa individualidade está sempre acima de valores coletivos e reclama o seu espaço, o seu direito de existir.
As informações que recebemos durante toda a nossa vida, a "educação" que nos jogaram cabeça a dentro, foram mascarando a nossa percepção de convívio social, foram massacrando as nossas necessidades individuais, até que passamos a acreditar que somos todos iguais, que somos um bando seguindo para a mesma direção. E sabe lá Deus em que direção!
Pois é, a igualdade até que existe diante da vida, frente ao direito de viver neste planeta, frente aos direitos humanos. Mas no que diz respeito à natureza do ser, cada um é cada um, cada um é um universo rico em diversidade.
Mas vocês aí não sabem - ou não querem - pensar de forma individual, olhar e sentir as suas individualidades e compreender que essas suas diferenças são naturais e que chamam pelo seu exercício.
A natureza não cria cópias para que não haja equívocos, para que as duplicidades não invadam espaços exclusivos. Mas vocês, com medo de assumir as suas diferenças, se agrupam na mesmice de ideias e comportamentos, buscando a segurança dos iguais.
Será que vocês pensam que ser diferente é ser anormal?
Que nada, minha gente, a natureza também não separa nada em certo e errado, em normal e anormal.
O que existe é apenas a sensação do erro residindo na sua cabeça, já distorcida por valores que até você às vezes se pergunta de onde os tirou, não é?
Na verdade, a grande parte do sofrimento da gente vem da negação do entendimento da nossa naturezaA gente quer ser qualquer coisa assim, mais ou menos assado, parecida com aquela, ter o que a outra tem, e não percebemos que estamos nos negando.
É o eterno conflito para nos harmonizar com a nossa própria verdadeÉ aquela pessoa que quer ser assim, muito mais isso e menos aquilo mas não está entendendo o principal, não está entendendo que a natureza dela não serve para essas coisas, não nasceu para essas coisas.
“Não adianta corrermos atrás daquilo que desejamos ser quando não temos vocação para sê-lo”.
Você não quer ser o que é, não é?
Nega-se, não se aceita, inveja o outro e o que pertence ao outro. Você não faz as coisas do seu jeito natural e continua a seguir o modelo que aprendeu com os outros, com a sociedade, com as instituições, com o que se convencionou como certo.
No entanto, a sua natureza tem um outro jeito. O seu coração (não a sua cabeça social) deseja outras verdades. Verdades estas que você não acredita e tem até medo de aceitar como suas. Mas quando você se defronta com estas diferenças, quando você percebe que o seu desejo é percorrer outros caminhos, a sua sensação é de medo.
Então você já entra em conflito, começa a forçar a sua natureza para mudar aqueles pensamentos, quer tomar outra atitude, a atitude convencionada pela maioriaDaí então é que eu digo que vocês são ainda fruto daquilo que vocês pensam, daquilo que vocês insistem em acreditar com a cabeça coletiva, com o intelectual.
Por que não atentar para aquilo que sente na alma e compreender a sua natureza com mais cuidado, com mais atenção?
O homem não está adaptado a conviver com as suas intimidades e impõe a si mesmo uma carga de obrigações contrárias à sua individualidade. Toma atitudes contra a sua vontade, sem disposição e sem necessidade de alma. Deixa o seu centro para ir pelo dos outros.
O homem se contraria muito, força a sua natureza, cria deformidades interiores, tudo em nome de valores sociais, em nome do medo de ser diferente. Por isso, minha gente, há tantos desajustados por aí. E o pior é que são desajustados cheios de boas intenções, acreditando em verdades que apenas os levaram ao sofrimento.
São pessoas resultantes da aculturação e da doutrinação, que não tiveram o cuidado e nem a coragem de questionar o conflito entre sua alma e o seu intelectoSão pessoas que se entregaram à lavagem cerebral feita por outras pessoas que as queriam dominadas, adaptadas a um modelo de falsa moralidade e ao pensar de um só jeito, para uma só direção.
São pessoas induzidas a atrofiar o discernimento, a atrofiar o livre-arbítrio, transformados em um bando de gente desnorteada, olhando sempre em volta, para fora, nunca olhando para dentro de siEnfim, são pessoas que perderam o senso de observação independente e abdicaram da sua relação com a inteligência da natureza e com a sua própria essência.
Este é o retrato do ser humano que se tornou temporariamente cego. Esta cegueira que dói, porque sem entendimento a vida não tem opção: é o desencontro, é a loucura, é a dor e é a doença.
Observem, avaliem, confrontem, comparem.
Assumam as suas diferenças individuais e acreditem que na natureza, na sua íntima natureza, nada de errado existe.


Calunga, “Fique com a Luz...”

"OPÇÃO" para o dia a dia... :)

segunda-feira, 5 de março de 2012


EU SOU Presença Divina


Raquel da Rosa


LUZ & Sorrisos! :)

Hábitos

Se colocarmos um ponto no centro de uma folha de papel e perguntarmos para as pessoas o que elas veem, a maior parte delas dirá que está vendo um ponto. 
A verdade é que 99% da folha é branca, mas as pessoas não notam isso, elas vão comentar sobre o pequeno ponto. 
Nós temos o hábito de ver as pessoas assim
99% de uma pessoa é positiva, mas ela tem uma pequena fraqueza e é em relação a isso que reagimos. São hábitos não-identificáveis como esses que criam maus sentimentos, emoções, pensamentos e comportamento.
BK Jayanti.

TOMAR CONTA DE SI NÃO É PECADO

Vaquinha 'vai com' as outras...
Essa peleja toda é por vocês serem muito tontos, muito fracos, se deixam levar por essa mania de ser bons, de se fazer de bom.
Mas é tudo uma encenação de vocês, uma falsidade danada essa coisa de ser bom. Falso porque vocês não tem coragem de impor a sua verdade, a sua vontade. Tenho certeza de que, se vocês não tivessem medo de ser chamados de intolerantes, vocês passavam a cuidar mais de vocês.
É muita vaidade, muito orgulho, muita loucura. É querer se fazer de santo, de manso.
Ficam aí nessa falsidade e não impõem a verdade, a vontade interior. Se negam. E quem se nega não tem jeito: será negado sempre. Os caminhos vão se fechando, a vida fica naquele sofrimento, naquela insatisfação, nas dificuldades.
Não adianta a gente continuar se enganando, pois a nossa essência pede que olhemos muito por nós. Só essa falsa educação, essa "bondade" que impuseram dentro da gente é que nos faz ficar no outro, preocupados com o outro.
O outro é o mundo - família, amigos, conhecidos e desconhecidos. O outro é aquela ideia de sentimento comunitário. O outro é a aparência, é a mania que temos de fazer "média" com o externo.
Mas vamos deixar de conversa mole, vamos responder ao que o coração pede, mesmo que timidamente. O coração pede por nós  mesmos, ao  contrário do sentimento social, que nos empurra para o outro.
Vamos deixar de muita oração, muita prece, muita conversa complicada de espiritualidade vazia, e agir como um ser verdadeiro, desejoso por encontrar a paz, a harmonia.
Esqueçam os ideais de tolerância, esqueçam os nomes feios, como a prepotência, como a arrogância.
Olhar para os outros, tentando ajudar, não é um defeito. O que não é saudavel é só ficar no outro, fugindo de vocês mesmos, não sendo responsáveis por si.
Para essa consciência tomar conta de vocês, é preciso exercitar a humildade. Humildade, ao contrário do que vocês imaginam, não é se rebaixar, não. Humildade é ter a sabedoria suficiente para perceber que vocês não tem o direito de interferir na vida dos outros, mas tem a obrigação moral de voltar para dentro de si e CUIDAR DE VOCÊS.
Não tenham medo de ser chamados de egoístas por estarem centrados nas suas necessidades. Compreendam que vocês só poderão ser úteis ao mundo quando o seu mundo interior estiver em harmonia.
Quando vocês saem do seu ser superior para viver a história dos outros, vocês acabam sempre se rebaixando e entrando na energia daquele "coitadinho que precisa de ajuda". Ficam dominados pela energia negativa do "coitadinho".
Vamos reverenciar apenas àqueles que estão num grau superior de evolução, seja na manifestação da alegria terrestre, seja na espiritualidade.
Vamos procurar entender que o povo ainda age como criança, não tem educação interior. Se a gente se envolve, caímos juntos e vamos para o chão.
Não estou falando que devemos nos tornar eremitas, nos escondendo de todos, negando a existência do mundo e dos seus problemas. Não é isso, não.
Nós não devemos nos abalar, nos envolver com tudo e com todos, viver na carne a doença do outro, o desemprego do outro, a loucura do outro.
Quero dizer, não devemos assumir a dor do outro como se fosse nossa, não devemos assumir o problema do outro como se fosse nosso.
Esta atitude é a mais infantil de todas: o problema é multiplicado, vai passando de um para o outro. Ninguém resolve nada e todos caem ao chão.
Percebam que se preocupando com a provação dos outros vocês passam a valorizar o outro e a menosprezar a si mesmos.
Se elevar é sair da falsa humildade, da farsa que é ter complexo de inferioridade, sair dessa coisa que é pôr o mundo lá em cima e vocês cá embaixoÉ inverter, virar de cabeça para baixo os seus valores sociais, que fazem com que vocês priorizem a opinião e a vontade dos outros em detrimento das suas.
Sinta que, quanto mais você sobe, mais as energias pesadas vão se soltando. Perceba que os conflitos, os medos e as preocupações vão se diluindo, sumindo. Nada de tormentos, nada de responsabilidades inúteis.
Compreenda que o peso existe quando você abaixa e carrega as coisas dos outros. Quando vamos para cima e lá lidamos com as coisas do mundo, vencemos as energias negativas, vencemos as exigências de todos.
Cada um de nós tem que responder, diante da vida, a responsabilidade que nos foi dada. A resposta é tirar as cargas ruins que vamos absorvendo dos outros, deixando o coração cada vez mais livre.


Calunga, “Fique com a Luz...”

Comece a ver a escuridão também como divina

domingo, 4 de março de 2012

Durante séculos Deus tem sido interpretado como luz, por causa de nosso medo da escuridão. Não que Deus seja apenas luz: ele é tanto luz quanto escuridão.
Deus tem de ser as duas coisas; do contrário, a escuridão não existiria. Deus tem de ser o mais baixo e o mais alto, matéria e mente. Deus tem de ser o todo, e o todo contém os polos opostos. Deus não pode ser apenas luz.
É por causa de nosso medo do escuro que nunca pensamos em Deus como escuridão. E nos aproximar de Deus por meio do medo não é certo. Deus deve ser abordado sem medo, em amor profundo.
Se você olhar com medo, projetará seu medo. Verá coisas que não existem e não verá coisas que existem. Sem medo, você olha com absoluta clareza. O medo é como fumaça a sua volta, como nuvens. E Deus só pode ser visto com clareza, clareza absoluta, incondicional, e nada mais.
Deus, portanto, é as duas coisas - tanto luz quanto escuridão. Ele é tanto verão quanto inverno, vida e morte. A dualidade desaparece, e uma tremenda unicidade desperta em sua visão.
O dual nos prende, e só podemos ser libertados pela unicidade. Como dizia Plotino: "A busca por Deus é um voo do só para o só".
Comece a ver a escuridão também como divina. Comece a ver tudo como divino, porque tudo é divino, quer saibamos disso, quer não, quer o reconheçamos, quer não. Nosso reconhecimento é irrelevante - a existência é divina. Se reconhecemos isso, nós nos regozijamos; se não reconhecemos, sofremos desnecessariamente.
Osho, "Meditações Para a Noite".

A TRANSFORMAÇÃO DO CASAMENTO

No meu entendimento, para o casamento dar certo, basta morar junto.
Sem mudar nada, sem se transformar em outra pessoa, sem exigir que o parceiro também se transforme. Esse é o segredo.
Vocês namoram, ficam noivos, agindo de um jeito, com uma personalidade. Mas basta casarem, e se transformam. E nunca se transformam para melhor. Isso aí é pura traição, casando de um jeito, dormindo de um jeito e acordando, no dia seguinte a lua-de-mel, já outro.
Será que não dá para compreender que o teu marido te conheceu e te amou exatamente do jeito que era antes?
É preciso se manter sempre como antes, para manter o carinho que despertou no homem (e olha que isso serve também para os homens).
A mulher tem uma cabeça ruim para casar que é uma droga. A mulher casa e quer virar outra, se impor, infernizar a vida do marido (e depois a dos filhos). Quer fazer e desfazer, quer porque quer que a casa seja igual ao modelinho que ela criou na cabeça, que sonhou quando solteira. Sempre diferente da casa da mãe, que ela sempre criticou. Torna tudo um inferno, mudando tudo e querendo inclusive mudar até o marido.
Mas sabem o que é preciso para ser tudo diferente e viver em paz?

Bom senso!
Ficar sempre no melhor. E o melhor é simplesmente o que você era quando solteira, então reassuma o que era. Reassuma aquela pessoa alegre, apaixonada, sonhadora, bonita, que acreditava na felicidade. Jogue para fora a ilusão do paraíso fácil, sem luta, sem doação, sem compreensão.
Todos esses problemas que você reclama surgiram depois do casamento, são fruto da sua postura interior, da sua incapacidade de lutar contra as frustrações dos seus sonhos. E sonhos egoístas, já que você não contava nunca com o marido que estava casando. Com o marido real, não aquele que você romantizava com a ideia sempre absurda de que "depois de casado ele muda, vai ficar do jeito que eu quero".
O casamento não pode/deve mudar ninguém, a não ser para evoluir a pessoa.
É só o ato de morar junto, mais nada.
E se vierem os filhos, é só criá-los.
Criá-los como professora, sem virar mãe.
Porque se Deus deu filhos é para vocês educarem e orientarem. Nada de virar aquela coisa horrorosa que vocês imaginam que é ser mãe.
Se o casamento não vai bem, não é o caso de se desesperar, não. Só precisa voltar ao seu melhor, lembrando que num determinado momento vocês fugiram de vocês mesmas para embarcarem numa viagem ilusória.
O casamento tem que ser apenas o encontro de duas pessoas que se amam, se respeitam e só desejam a felicidade.


Calunga, “Fique com a Luz...”

Essa civilização: uma farsa

sábado, 3 de março de 2012

Pergunta a Osho:
Amado Osho, o que você pensa em relação à civilização? Você é totalmente contra ela?
Chupa esse limão agora!  :)
Mas como eu poderia ser contra a civilização se ela não existe em lugar algum? Civilização não existe. Existe apenas uma pretensão. Sim, o homem perdeu sua primitiva, primordial inocência, mas ele não se tornou civilizado, porque não existe uma maneira de tornar-se civilizado.
A única forma de tornar-se civilizado é estar embasado em sua inocência, estar embasado em sua primitiva inocência, crescer a partir daí. É por isso que Jesus diz: "A não ser que você renasça, a não ser que você se torne uma criança outra vez, você nunca saberá o que é a verdade".
Essa assim chamada civilização é uma farsa, é uma moeda falsa. Se eu sou contra ela eu não estou sendo contra a civilização porque isso não é civilização. Eu sou contra ela porque ela não é de forma alguma civilização, ela é uma farsa.
Eu ouvi contar...
Uma vez alguém perguntou ao ex-príncipe de Gales: "Qual a sua ideia sobre a civilização?"
"É uma ideia muito boa", replicou ele. "Alguém deve dar início a ela imediatamente".
Eu amo essa resposta. Sim, alguém deve dar início a ela, isso ainda não aconteceu. O homem não é civilizado, o homem apenas finge ser.
Eu sou contra pretensões. Eu sou contra hipocrisias. O homem aparenta ser civilizado; fustigue um pouquinho e você descobre um homem incivilizado. Fustigue um pouco mais e tudo o que é bom nele é apenas superficial e tudo o que é mau está profundamente enraizado.
É uma civilidade ilusória. Tudo corre bem, você está sorrindo e tudo mais - e então alguém lhe lança uma simples palavra, um insulto, e você enlouquece, você se torna um maníaco e quer matá-lo. Apenas um momento antes você estava sorrindo; e apenas um momento depois você está pronto para matar, o seu instinto assassino veio à tona. Mas que tipo de civilidade é essa?
Um homem só pode ser civilizado quando ele se torna realmente meditativo. Apenas a meditação pode trazer a real civilização para o mundo. Apenas budas são civilizados. E este é o paradoxo: os budas não são contra o primitivo - eles usam o primitivo como a base, eles usam a inocência da infância como a base. E nessa base um grande tempo é erguido.
Essa civilização destrói a inocência da infância e assim ela dá a você apenas moedas falsas. Primeiro ela destrói a sua inocência primal; uma vez que essa inocência primal é destruída, você se torna esperto, astuto, calculista; então você estará preso em uma armadilha e assim essa sociedade prossegue lhe civilizando.
Primeiro ela faz você se alienar do seu próprio ser. Uma vez que você esteja alienado, então ela lhe dá moedas falsas; você tem que depender dela. 
A verdadeira civilização não vai de encontro à sua natureza, não vai de encontro à sua infância; ela será um crescimento a partir delas. Não haverá nenhum antagonismo com respeito à sua inocência primitiva, será um florescer dela. Crescerá mais e mais, porém estará enraizada na sua inocência primal.
Osho, "A Visão Tântrica – Discursos Sobre as Canções de Saraha".

A VERDADEIRA AJUDA

Nós não temos que nos incomodar com ninguém. Nós não somos responsáveis pelos outros. Para sermos bons e ajudarmos, a regra número um é não nos incomodarmos com ninguém. É fechar o corpo, fechar a aura, não sentir pena de ninguém.
Se uma pessoa está com dor, com um problema difícil e pede ajuda, é preciso ser inteligente para "entender" o fato mas não se envolver e "sentir" a mesma dor ou problema no seu corpo.
Se você não tiver nada para dar, para resolver a situação, é porque você não tem nada com o problema.
Aprendam que se a sua intuição indicar que não pode fazer nada, fique quieto, pois é para não dar mesmo. Deus não quer que você dê, que você interfira na situação.
Se envolver com a vida dos outros é facil, estamos condicionados a isso. Difícil é arrancar da gente a carga que absorvemos deles, o carma dos outros. Basta já o nosso próprio carma.
O fato de ser bom, de querer ajudar os outros é bonito. Mas temos que querer o bem dos outros com esperteza, com consciência, sem nos envolver.
O caminho melhor é segurarmos o coração, deixarmos a pieguice de lado, a falsa bondade, a falsa caridade.
Essa atitude de "se incomodar" significa quase sempre a nossa falsa moral agindo, uma desculpa para deixarmos de resolver as nossas questões para nos ocuparmos das questões dos outros.
Exercite apenas a compaixão, que é fruto do amor.
Com amor, você não sente o que o outro está sentindo, não vive o problema do outro, não interfere, não assume a responsabilidade.
Não interfira, não se incomode com o sofrimento de fora, pois afinal ninguém escapa do compromisso da evolução.


Calunga, “Fique com a Luz...”

O oceano não cabe em uma colher

sexta-feira, 2 de março de 2012

Deus não pode ser definido. Deus não pode ser explicado. Por favor lembrem-se: nunca tente explicar Deus, por que se você o explica você o estará fazendo em vão.
Deus não pode ser contido em nenhum pensamento. Porém, Deus pode ser vivido, Deus pode ser amado. Vocês podem tornarem-se deuses! – isso é possível – mas a mente não pode conter Deus.
A mente é um recipiente muito pequeno, ela é uma colher de chá e você vai querer ter o oceano Pacífico em uma colher de chá?
Sim, você pode ter um pouco de água salgada em sua colher de chá, mas isso não lhe dará ideia do Pacífico, de sua vastidão. Tempestades não acontecem em sua colher de chá, grandes ondas não irão surgir.
Sim, a água salgada na colher de chá terá o sabor do oceano, porém não será um oceano.
Osho, "A Visão Tântrica – Discursos Sobre as Canções de Saraha".

AJA COM SINCERIDADE

Nada de servir as pessoas procurando recompensa amanhã. Isso só vai criar cobranças e ressentimentos, pois quem hoje você ajudou muito certamente não vai te estender a mão amanhã, quando o necessitado for você.
Trabalhe para o Deus que está dentro de você, assim você será provido, defendido. Não tenha medo do ódio dos outros por se negar a ser conivente com os seus caprichos. Aja com a sinceridade do seu coração, sem ligar para os outros, sem querer agradar aos outros.
A sua verdade interior vale mais do que tudo. E o exercício pleno dessa sinceridade é a linguagem de Deus.
Não se desvalorizando, você evita que todas as coisas importantes para a sua prosperidade escapem do seu destino. A sua energia capta no universo as oportunidades de ganhar dinheiro, a compreensão dos outros das suas qualidades e possibilidades.
Acreditem que há pessoas com tão boa energia, com tão boa autoestima, que, mesmo não fazendo tudo muito bem-feito, as coisas acontecem, são requisitadas, a prosperidade floresce.
Quando não se tem atitudes erradas na vida, a sorte vem. A sorte não é uma mera coincidência aleatória, não. A sorte é a consequência de suas atitudes.
A valorização, por sua vez, não é parametrada pela comparação de você com os outros. 
“Ser melhor ou pior é o exercício da vaidade”.
Autovalorização é o exercício da humildade. Humildade não é se rebaixar. Ser humilde é ser livre, não ter medo de nada, nem do mundo.
Cada ato diário de se dar a si mesmo é retribuido com dádivas cada vez maiores. Dando só para os outros, a fonte seca. Você deve estar se perguntando: "Mas se eu não der para o outro, estou sendo egoísta, não estou sendo justo, bom, cristão?".
Não é assim, não.
Porque, se você estiver nessa dúvida, você está dando tudo por obrigação, dirigido pelos valores da sua cabeça.
Doar é um impulso do coração. Doa-se sem culpa, sem receber paga, recompensa ou elogios. Gratuitamente.

Calunga, “Fique com a Luz...”

SOMOS ÚNICOS

quinta-feira, 1 de março de 2012

A moral dos homens, o modo de pensar que orienta todos os nossos atos, é feita de um conjunto de princípios, de ideias básicas.
A partir delas, nós pensamos, nós agimos, estabelecemos os nossos pontos de vista, olhamos a vida de um modo todo particular, fazemos as coisas de um jeito único. Cada um de nós com os nossos princípios. Princípios morais.
Mas dois grandes venenos estão sendo criados dentro desses princípios.
O primeiro princípio moral venenoso é acreditar que está no outro o nosso referencial, o nosso modelo. O outro em primeiro lugar; você sempre depois.
Então, quando esse princípio atua, você vai pelo mundo externo, pelos outros, pelo ambiente. O ambiente te envolve e você se perde no mundo, tornando-se mais um na multidão de anônimos.
Na verdade, nós somos o nosso próprio referencial.
Nossa intuição e sensações são tão particulares que só existe um sentido na nossa vida, alimentado com unicidade. E não nos sentidos dos outros, tão diferentes da nossa essência.
Deus criou a unicidade porque cada indivíduo tem uma missão diferente, um trabalho diferente.
Você não pode usufruir da receita do outro, se alimentar na fonte do outro, usar a medida do outro, sob o risco de estar passando por cima dos seus sentimentos e se perder completamente.
O segundo princípio, é a ideia da imperfeição.
Você acredita piamente que é imperfeito. É o veneno que faz com que você nunca mais tenha autoconfiança, nunca mais acredite em você.
Quando a ideia da imperfeição bate na sua cabeça, você acredita ser um poço de defeitos. E não se cansa de enumerar a todos essas imperfeições. Fica até orgulhoso da sua modéstia. Todos vão aplaudir, vão te admirar por ter a capacidade de reconhecer essas limitações.
Mas não está sendo modesto, não. Está é cego e depressivo.
A obra de Deus - e você é uma obra de Deus - não tem defeitos.
Você, ninguém e nada tem defeitos.
O hábito de se menosprezar é uma característica da humanidade, para que todo mundo, conivente um com o outro, possa ficar "metendo o pau em todo mundo".
Menosprezar-se para se equiparar, para ser igual à multidão; menosprezar-se para ter a aceitação dos outros. Ninguém percebe o obra de Deus, ninguém entende por que é que Deus colocou, digamos, a Raiva dentro da gente. A raiva é um sentimento como um outro qualquer, faz parte da natureza humana, mas é considerada um defeito, um desvio de caráter.
É necessário apenas compreender essas coisas, mas nunca considerá-las defeitos. Quer sejam ódio, nojo, inveja... tudo é obra de Deus, e num contexto maior tem a sua validade, a sua necessidade. Mas nunca podem ser consideradas defeitos.
São instrumentos de compreensão, são exemplos da dualidade do universo.
Podemos certamente não gostar disso tudo. O não gostar é da natureza do homem. Afinal gostamos apenas do que apreciamos e não se pode gostar de tudo e de todos.
Mas é distorcer a realidade separar as coisas em defeito e perfeição. Existe espaço para tudo, tudo é necessário.
Viver é compreender que somos perfeitos na nossa natureza. Não procurar outra coisa, ser outra pessoa. Nada de exasperação, nada de comparação.
Mergulhe na sua natureza e entenda a sua natureza. É essa a verdadeira comunhão com Deus. O acesso à espiritualidade só é possível enquanto você está em paz com a sua natureza. A obra divina em você é perfeita. Reverencie a Deus, aceitando a sua natureza interior, jogando fora a moral falsa.
Esses dois distorcidos princípios morais levam o homem à depressão.
Como é que se vai gostar de alguma coisa com defeito? Como amar algo que consideramos ruim? Como é que se vai respeitar uma porcaria de segunda classe?
Como é que se atrai prosperidade, coragem para viver, energias positivas, estando entregue a uma corrente de pessimismo e desvalorização?
Insatisfeitos, seremos agressivos, ciumentos, invejosos, etc.
Cada ser humano tem o tamanho ideal, o formato ideal para o que foi reservado por Deus. Nada é defeituoso.
Compreendendo a diversidade da natureza, entende-se que os "defeitos", se direcionados de forma certa, são positivos.
Cada um é perfeito do jeito que é. Aceite ou não.
Não faço pelos outros, não ando pelos outros, não me incomodo pelos outros. A importância do outro é secundária. Eu sou o meu referencial.
Não aceito modelos de virtude, não aceito modelos ideais, não aceito essas invenções das pessoas. Não aceito a ideia de que Deus errou.
Se estou errado, então o errado é Deus, que, afinal, me criou.
É preciso compreender que dentro de nós há resposta para tudo. Que nós temos que ter a coragem de questionar, de pedir provas.
É preciso pôr à prova esses princípios que deixamos livremente dirigir a nossa conduta, o nosso comportamento, enfim, a nossa moral.
Será mesmo que temos que viver pelo próximo, esquecendo e abandonando a gente?
É a nossa maneira distorcida de ver as coisas da natureza? Ou temos que viver aquilo que Deus colocou dentro de nós, a nossa sensibilidade, a nossa percepção, o nosso sentimento?
Quando todos perceberem que as causas dos males humanos são a maneira distorcida de interpretarmos a nossa verdadeira natureza, vocês entenderão que não estou brincando não.


Calunga, “Fique com a Luz...”

Tomando as rédeas das regras

- ou Declaração -
No princípio era o verbo, disseram. Não acredito. No princípio, nem havia ser humano. Se é que houve algum princípio, assim como a gente entende. Eles dizem um monte de coisas, mentiras a rodo, e nós vamos acreditando na vida de gado. Ê boiada, luta, luta e não arruma nada. A língua escrita quer ditar as normas pra língua falada.
A língua que manda é a falada. A escrita veio depois e anda atrás, toda metida, dando as ordens que a gente não cumpre. A fala vai na frente, mutante, dançante, flutuante, os novos chegando e formando suas mudanças, sem levar regras em conta. A escrita vem atrás, negando, apontando erros que com o tempo vai engolir, impotente diante da força do uso, no dia a dia. O dicionário está cheio de palavras que foram desprezadas como ignorância. A prática se impõe à teoria.
Recentemente, intelectuais de vários países lusófonos se reuniram para definir regras gerais e “unificar” a língua portuguesa no mundo. Aqui da minha ignorância, eu acho um disparate essa iniciativa. Passei os olhos nas tais regras e meu coração repeliu grande parte delas. Esses caras, parece que não conhecem a realidade, não perdem a mania de querer impor de cima pra baixo o que só nasce de baixo pra cima. Deve ser a cegueira da arrogância, não sei.
Não escrevo para receber louvores acadêmicos ou qualificações literárias. Escrevo na forma comum de entendimento da maioria dos que podem entender o que lêem (o que já é minoria, embora numerosa). Pra entrar nos corações e mentes e mexer com alguma coisa lá dentro. Pra causar questionamentos e reflexões sobre a sociedade e a vida. 
Enquanto as elites intelectuais arrotam regras, em sua costumeira soberba e idiotia, nós vamos falando por aí, construindo a língua com o falar, inventando palavras e significados, sons e expressões, com os pés na realidade, não nos pedestais.
Declaro meu descompromisso com as regras gramaticais. Uso a escrita como achar melhor, meu foco é o receptor e a recepção é a parte mais importante da comunicação. Não há controle sobre a fala. Os meus escritos tentam falar na linguagem comum, usada e entendida por qualquer um. Lido em voz alta, quero soar como a fala e seu cantar.
http://observareabsorver.blogspot.com/
No alto à esquerda, a imagem do sertão, presente nos meus primeiros anos de estrada, sem casa nem paradeiro. Uma realidade forte, difícil, grandiosa, um povo resistente e solidário, duro e carinhoso ao mesmo tempo. Acima, ao centro, simbolizo as praias onde morei e vivi, a maior parte do nordeste. À direita, a cidade, a floresta e a montanha, onde vivi depois, já com filhos. No meio, à esquerda, uma feira de artesanato vista de trás das bancas, as mochilas e bolsas no chão, as pessoas olhando as bancas, a parte de trás dos painéis, imagem que vivenciei por tantos anos. A estrada infinita simboliza não só a vida, mas a própria infinidade. As palafitas são uma imagem que registrei com força no recôncavo baiano, em Maragogipe, onde fui recebido e hospedado por pouco tempo, mas que deixou marcada na memória a vida precária dessa gente sofrida e abandonada à própria sorte. Embaixo, o menino jogando bola com a arma na mão, uma reprodução livre de uma situação acontecida no Rio de Janeiro, embora eu não tenha sido fiel ao cenário. Fiz um desenho mais elaborado desta situação, "Ninguém nasce bandido", que tá no blog com a explicação da história, lá no comecinho, é uma das primeiras postagens. Situado no Rio, com o Corcovado e o Cristo ao fundo, alusão à área de Santa Teresa, onde vi a cena.

Eduardo Marinho