Ser normal não é natural (2)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ninguém quer ver que a vida deu tudo, está cheia de cor, de originalidade, de vibração, cheia de força, cheia de possibilidades. 
Mas, na cabeça, vocês querem ser normais. Sofrem da doença do normal. Normal é descolorido, minha gente! Normal é sem cor. Normal é um número na multidão. Você quer ser um número na multidão, é? Será, minha filha, que isso vai satisfazer o seu espírito? Se satisfizer, está bom. Mas se você está com tédio, se sofre de insatisfação na vida, é porque você é normal. É cheia de tapeação com as coisas materiais.

- Ah, porque eu trabalho para viver, para sustentar, para criar os filhos e tal...

E é aquela vida descolorida, sempre igual. As pessoas assim ficam sobrando pelos cantos da vida, feito zumbi. E depois ficam aí sofrendo na mente social encarnada, nessa danação na Terra, seguindo os normais. Enquanto o seu espírito interior, sua alma, seu ser essencial tem que esperar você se cansar dessas besteiras para despertar para si e emancipar-se para seguir os planos que a natureza arquitetou para você. Muitas vezes é o sofrimento que desencanta as besteiras do mundo para que a alma possa se libertar e ser feliz, porque ninguém pode ser feliz negando Deus dentro de si, negando a sua essência, a sua natureza. Não importa, minha gente, o discurso que você faz, as histórias que você conta. Se age contra a natureza, o resultado é dor e sofrimento. 
Fica copiando os outros, sem entender que ser espiritual é ser a gente mesmo. É aceitar Deus em nós. O que é Deus em nós, minha filha? É você mesmo do jeito que você é, com as suas esquisitices. O que você chama de loucura nada mais é do que as características que Deus lhe deu: a cara, a mão que Deus lhe deu. O que você pensa que é? 
Se quer deixar de ser macaca, pare de copiar. Como é que você quer ser espiritual, se é macaca? Uai, você não gosta de ver que é macaca, mas é! Não pode ver as coisas dos outros que já quer: 
- Ah, que bonito, também quero. 
É macaquinha, tola, com uma vida pobre, pequena, cheia de coisa ruim. Vamos levantar e entender, de uma vez por todas, que honrar a vida em nós é uma necessidade para criar o sucesso, de harmonia, de paz interior, de elevação, de crescimento e de desenvolvimento. Para que você tenha a realização, a felicidade e a posse dos tesouros que a natureza lhe deu e não que negue. 
O povo que quer consertar a obra divina só pode ter problema. Você acha que não? Aposto que você tem muita coisa que não solta, que prende: 
- Ah, Calunga, se eu for assim, vão dizer que sou louca. Se eu for assim, vou perder o meu emprego ... 
Essas bobagens que você pensa. Acha que se louvar a Deus, Deus vai abandoná-la? É você que abandonou Deus para ser igual aos outros, para se enganar. Depois perdeu tudo o que Deus pode lhe dar. Quando louva a Deus, assumindo a sua verdadeira pessoa, você põe Deus do seu lado, põe Deus e as facilidades do Universo divino a seu favor, porque o Universo divino está cheio de facilidades, de forças, de poderes que podem trabalhar para nós. Mas se a gente está contra ... Uai, depois fica se queixando que a vida é dura, que não tem isso, não tem aquilo ... Mas você é contra, minha filha. Quer parecer bonitinha para os outros, em vez de honrar a sua natureza. Depois que você fica igual a todo mundo e que ninguém liga mais para você porque você é uma igual, é uma qualquer na multidão, um nada, fica aí: 
- Ah, fui rejeitada. Ah, esse mundo é cruel e ninguém liga para ninguém. Só os ruins têm dinheiro, têm destaque ... 
- Ah, que conversa feia. Não mostre assim sua degradação. Fica feio exibir a sua ignorância por aí. A gente fica olhando a vida curar: o povo no leito da dor, largando qualquer vaidade. No sofrimento, a gente vai vendo que nada vale a pena, porque a dor nos chama para a verdade, para nos tirar da ilusão e da vaidade. Fico só olhando o trabalho da vida em cada um. Como a vida corrige as loucuras da gente, as bobagens e as ilusões. 
Quando a gente vê a pessoa que é muito si mesma, que assume sua natureza interior, que leva para a frente, pode crer que chegou lá porque já passou, já se desiludiu: 
- Besteira essas vaidades do mundo. O negócio é ficar em paz com a minha natureza, é ser o que se é. Deixa eu também não ficar me incomodando com o criticismo dos outros. 
Quem é natural não é normal. Quem está do lado de Deus e da natureza não é normal. 
Mas que é engraçado, é! É um planeta de macaquinhos. Só não ficam pendurados em árvores, mas andam de carrinho pendurados nos elevadores. É, realmente, tudo macaquinho! 


Calunga, "Tudo pelo Melhor".

Ser você mesmo

O homem é o único animal imperfeito. Os cães não são imperfeitos — todo cão é perfeito. Os gatos, as árvores e as rochas não são imperfeitos. Em toda esta vasta existência, o homem é o único animal que é imperfeito. E é exatamente aí que está sua glória, porque na imperfeição existe crescimento, abertura, evolução. Quando você é perfeito, não há mais lugar algum para ir. A perfeição será um suicídio para a humanidade.
Simplesmente pense: o que você fará quando for perfeito? Em primeiro lugar, isso não pode acontecer. Em segundo lugar, se acontecer, o que você fará então? O perfeccionista ficará perdido, absolutamente perdido, porque ele só conhece um jeito de viver, que consiste em continuar se aperfeiçoando.

Todo mundo está usando máscaras com um sorriso, uma aparência feliz, e todo mundo está enganando a todos.
Você usa uma máscara e os outros pensam que você é mais feliz do que eles — e você acha que os outros são mais felizes do que você. A grama parece mais verde do outro lado da cerca. Eles vêem a sua grama e ela parece mais verde. Ela realmente parece mais verde, mais espessa, melhor. Essa é a ilusão que a distância cria.
Seja apenas você mesmo e, assim, não haverá mais sofrimento, nem competição, nem preocupação de que os outros tenham mais ou de que você não tenha o suficiente. Se você quer que a grama seja mais verde, não precisa ficar olhando para o outro lado da cerca: faça com que a grama seja mais verde do seu lado da cerca! É uma coisa tão simples...

Se você realmente quer desfrutar a vida em toda a sua riqueza, tem que aprender a ser incoerente, a ser coerentemente incoerente. Ser capaz de ir de um extremo ao outro — às vezes profundamente enraizado na terra e às vezes voando alto no céu. Às vezes fazendo amor e às vezes meditando. E então, aos poucos, o seu céu e a sua terra ficarão cada vez mais próximos e você se tornará o horizonte em que eles se encontram.

Você vê pessoas que sofrem porque sempre fizeram concessões e não conseguem se perdoar por isso. Elas sabem que poderiam ter sido mais ousadas, mas provaram ser covardes. Elas falharam para si próprias, perderam o respeito por si mesmas. Essa é a consequência das concessões.
Por que alguém deveria fazer concessões? O que temos a perder? Nessa vida tão curta, viva o mais intensamente possível. Não tenha medo de ir aos extremos. Você não pode ser menos do que total — essa é a última fronteira. E não faça concessões. Concessão é uma das palavras mais feias. Ela significa: "Eu dou metade e você dá metade; eu aceito metade e você aceita metade." Mas por quê? Se você pode ter tudo, se pode ter a faca e o queijo na mão, por que fazer concessões?
Os hábitos podem ser abandonados sem que você precise lutar outra eles. É isso o que as pessoas costumam fazer. Se elas querem mudar um hábito, criam outro hábito contrário para combater aquele. Passam de um hábito para outro. Se você quer parar de fumar, começa a mascar chicletes — esse hábito é tão descabido quanto fumar. Você troca um hábito por outro, mas continua sendo a mesma pessoa inconsciente.
Abandonar um hábito e não tentar compensá-lo, continuando completamente consciente e alerta, sem começar a procurar algo que o substitua, é uma das coisas mais difíceis que existem na vida. Mas não é impossível.
A vida de verdade tem que ser vivida sem hábitos. Você já ouviu isto, já lhe disseram muitas e muitas vezes: "Livre-se dos maus hábitos." Eu lhe digo: livre-se de todos os hábitos! Não existem hábitos bons e hábitos ruins — todos são ruins. Mantenha-se sem hábitos, viva sem hábitos. Assim você vive cada momento em liberdade.
Quando tiver um pequeno vislumbre de que é você quem cria seu próprio sofrimento, será muito difícil continuar a criá-lo. É fácil viver em sofrimento quando você sabe que são os outros que o provocam. O que pode fazer? Você é impotente... É por isso que continuamos jogando as responsabilidades nas costas dos outros.
A mente comum sempre joga as responsabilidades nos outros. É sempre o outro quem faz você sofrer. Sua mulher, seu marido, seus pais ou seus filhos estão fazendo você sofrer. Ou a estrutura financeira da sociedade, o capitalismo, o comunismo, o fascismo, a ideologia política predominante, a estrutura social... Ou o destino, o carma, Deus... Você dá o nome que quiser.
As pessoas têm milhões de maneiras de se esquivar da responsabilidade. Mas, no momento em que diz que outra pessoa o está fazendo sofrer, você não pode fazer nada para mudar a situação.
Desculpas, desculpas e mais desculpas só impedem uma única constatação: a de que "eu sou responsável por mim mesmo". Ninguém mais é responsável por mim. Isso é uma responsabilidade absolutamente minha. Seja eu quem for, sou a minha própria criação.

Não culpe os outros. Sejam eles quem forem, não importa. Na verdade, toda malandragem e trapaça deste mundo servem para deixá-lo consciente. Se este mundo não o ajudasse a ficar consciente, então que mundo seria capaz de um dia fazer de você uma pessoa perceptiva, cautelosa? Este é um mundo bom — ele lhe proporciona um tremendo desafio para ser cauteloso.
Osho, “Faça o Seu Coração Vibrar”.

Verdade é celibato

domingo, 5 de dezembro de 2010

Depois que você ouviu uma verdade, é impossível esquecê-la. Essa é uma das qualidades da verdade: você não precisa se lembrar dela. A mentira é algo do qual você tem que se lembrar continuamente — há o risco de você esquecê-la. A pessoa habituada a mentiras precisa ter uma memória melhor do que aquela habituada à verdade. A pessoa verdadeira não precisa de memória. Se você só disser a verdade, não há a necessidade de se lembrar.
Mas se você disser uma mentira, então vai precisar se lembrar continuamente, porque terá que dizer uma mentira a uma pessoa, outra mentira a outra pessoa, uma coisa diferente a uma terceira. Você precisará guardar na memória e lembrar do que disse e para quem disse. E, sempre que se levantar uma questão sobre uma mentira, você precisará mentir novamente — acaba tendo que criar uma série delas. A mentira não acredita em controle da natalidade.
Verdade é celibato: ela nunca tem filhos!
Sempre que alguém transmite mandamentos, cria dificuldades para as pessoas, porque na época em que são transmitidos eles já estão ultrapassados. A vida passa muito rapidamente: ela é dinâmica, não é estática. Não é um poço de águas estagnadas, é um Ganges, está sempre fluindo. Nunca é a mesma por dois momentos consecutivos. Portanto, uma coisa pode estar certa agora e pode não estar daqui a pouco. O que fazer, então? A única saída é ajudar as pessoas a ficarem tão conscientes a ponto de elas mesmas poderem decidir como responder a uma vida em constante mudança.
A regra de ouro da vida é que não existem regras de ouro.
Não podem existir. A vida é tão vasta, tão imensa, tão estranha, misteriosa... Ela não pode ser reduzida a uma regra ou máxima. Nenhuma máxima dá conta de tudo, as máximas são muito pequenas — não podem conter a vida e suas energias vivas. Por isso, a regra de ouro faz sentido: a de que não existem regras de ouro.
Um ser humano autêntico não vive à base de regras, de máximas, de mandamentos. O ser humano autêntico simplesmente vive.
Osho, “Faça o Seu Coração Vibrar”.

Ser normal não é natural (1)

Como o povo é engraçado com essa mania de copiar! Um cópia o outro. Parece que Deus não deu ao homem o poder da criação. Mas cada um é si mesmo. Cada um é, na verdade, um universo, um jeito próprio de falar, de se mexer, uma cabeça, uma sentença. Cada um é uma cara, mas o povo faz uma força para ficar com a mesma cara, vestir as mesmas roupas, fazer tudo igual. 
É uma coisa engraçada o ser humano. Vocês não acham? 
A natureza trabalha pela originalidade e o homem trabalha pela ilusão da igualdade, porque acha que tem que ser igual, porque não quer ser diferente. Ao mesmo tempo em que, de vez em quando, ele quer ser especial para ser melhor do que os outros. Mas não quer ser diferente, não. Quer ser igual. Um imita o outro, fala igual ao outro, faz igual ao outro, quer comprar a roupa que o outro comprou, quer comprar o carro que o outro comprou. É de uma pobreza! 
O homem podia ser tão mais colorido, trazendo de dentro de si a sua originalidade. Mas todo mundo esconde. Morre de medo de mostrar uma coisinha diferente. "Ai, que loucura!" Tem medo de parecer louco: 
- Eu faço isso, mas isso aqui é normal. 
Ah, minha gente, que doença! Você é normal, minha filha? Você, então, é doente. Eu sinto muito, porque você está contra a sua natureza. A natureza não é normal, não! Ela faz cada um com uma cara, faz cada um de um jeito. E aí vem vocês dizer que está errado, que vocês têm que ser tudo igual. Falam igual, comem igual, pensam igual. Que coisa mais triste! E tem gente sofrendo nesse mundo só porque quer ser igual. Não é uma coisa engraçada o ser humano? Sofre porque, na verdade, fica contra si, se sente esquisito, um marginal.

- Ah, porque não sou igual. Quero ser igual à fulana, igual à sicrana. 
Mas as pessoas escondem isso. 
- Ah, mas isso não é normal, Calunga? 
Que coisa triste quando a pessoa pensa assim. Penso: coitada, como vai sofrer na vida. Quanta luta para esconder a própria natureza divina dentro dela. Uai, Deus não se repete em ninguém. Se você está procurando ser normal, está contra Deus e só vai arrumar encrenca na vida. Vai, meu filho! 
- É que eu não gosto de ser diferente. Tenho medo que os outros me olhem e digam: "Ah, que mulher mais esquisita! Que homem esquisito!" 
O povo fica na vaidade, mesmo. Vive para os outros verem, para os outros não falarem. É um povo de uma pobreza, uma coisa triste que vai descolorindo a vida dele, descolorindo, desbotando e vai ficando aquela coisa velha, feia. Anda pela rua como uma alma penada. Esse povo dirige carro, come, vê televisão, mas é um povo todo desbotado, sem cor, sem vibração, sem alegria, sem entusiasmo. Todos fazendo as obrigações da vida. 
- Ah, Calunga, porque eu tenho as minhas obrigações. Sou uma pessoa responsável. 
Tudo sem cor, os olhos sem vida. 
-Ah, Calunga, sou assim, mas também todo mundo é! Então, você está pior do que eu pensei. Está numa vida ruim, triste, traindo a sua natureza. Está numa vida descolorida. E depois ainda ataca a vida:
- Ah, porque a vida é ruim, a vida é sem graça, a vida é cheia de problemas. Porque eu sofro assim, porque sofro assado. 


Calunga, "Tudo pelo Melhor".

O que é um problema?

sábado, 4 de dezembro de 2010

Um problema só é um problema se dissermos que é. E o problema não é o problema, mas nossa reação quanto ao problema é que é o problema.
Há um ditado Zen que diz: “Não podemos impedir que os pássaros voem sobre nós, mas podemos impedir que eles façam ninhos em nossas cabeças”.
Não se trata de negar os problemas, mas de não cair na tentação de lhes dar demasiada atenção e importância. Trata-se de descobrir quem somos, e quando o fazemos, desenvolvemos e sentimos uma liberdade interna tamanha que estas coisas já não podem nos distrair.
Nosso subconsciente tem armazenado todas as nossas lembranças. Enquanto as lembranças estão adormecidas, acomodados no banco de nossa memória, não ocasionam nenhum inconveniente. Pessoas que aparecem de repente à nossa frente, visitas que fazemos a certos lugares ou certas situações que vivenciamos fazem com que essas lembranças despertem. Desse modo, as memórias se convertem em pensamentos e se manifestam. 
Por isso é muito importante saber que na realidade as pessoas aparecem em nossa vida para nos dar outra oportunidade. Qual é essa oportunidade?. É a de assumirmos a responsabilidade cem por cento e dizer: “Sinto muito, me perdoe por aquilo que está em mim que criou isto”. Notaram que cada vez que surge um problema, ele é sempre um presente? Se o tema não estivesse dentro de nós, não seríamos capazes de percebê-lo. Os problemas são simplesmente uma repetição de nossas lembranças.
São como a informação que está gravada em numa fita de áudio. Quando a fita funciona, pensamos que é real. Os problemas se repetem porque, quando aparecem, reagimos e nos apegamos a eles. Não deixamos de pensar no assunto, e assim ficamos agarrados a ele em vez de soltá-lo. Perceberam que só pensamos com veemência quando aparece um problema? Uma vez que se inicia este ciclo vicioso, esquecemo-nos que temos o poder de parar a gravação.
Em seu livro O Poder do Agora, Eckhart Tolle diz: “A mente nunca pode encontrar a solução, nem pode permitir-se deixar que você a encontre, porque ela mesma é parte intrínseca do ‘problema’”.
Muitas vezes a gravação está funcionando, mas o volume está muito baixo, e por esta razão, nem sequer estamos conscientes dela. Entretanto, o subconsciente sempre está tocando as gravações. Por isso é tão essencial assumir cem por cento da responsabilidade. Só desse modo entendemos que somos simplesmente nós e nossas gravações, nossos pensamentos e nossos programas. 
Tomemos o exemplo de um filme projetado na parede ou numa tela. Sabemos perfeitamente que, embora vejamos a imagem projetada na parede ou na tela, a mesma não está lá, mas dentro da máquina de projeção. O mesmo ocorre com nossos problemas. Quando estes aparecem, é só uma projeção do que está acontecendo dentro de nós mesmos e não fora. Entretanto, passamos a vida tentando trocar a tela, mas não é esse o problema. Procuramos a solução no lugar errado.
É muito importante recordar que os problemas, as situações e as pessoas não existem fora de nós tal como os percebemos, mas sim nossa percepção é simplesmente um reflexo de nossos pensamentos. Os problemas tampouco são o que pensamos que são. Nunca sabemos o que é o que está se passando realmente. Os problemas são sempre “oportunidades”. Devemos nos dar conta que temos um efeito sobre o evento ou o problema, e que nós o criamos. Esta é na realidade uma boa notícia, pois se nós o criamos, nós podemos trocá-lo sem depender de nada nem de ninguém.
Mabel Katz, “Ho’oponopono - O Caminho mais Fácil”.

A essência de cada um

Havia uma vez, em algum lugar que poderia ser qualquer lugar, e em um tempo que poderia ser qualquer tempo, um formoso jardim, com umas macieiras, laranjeiras, pereiras, belas roseiras, todas elas felizes e satisfeitas. Tudo era alegria no jardim, exceto por uma árvore profundamente triste. A pobrezinha tinha um problema: Não sabia quem era!
“O que lhe falta é concentração”, dizia-lhe a macieira. “Se realmente tentar, poderá produzir saborosas maçãs. Veja como é fácil”.
“Não escute a macieira”, exigia a roseira. “É mais simples ter rosas, e vê quão belas são as rosas!”
E a árvore desesperada, tentava tudo o que lhe sugeriam, e como não conseguia ser como outros, sentia-se cada vez mais frustrada. Um dia chegou ao jardim o mocho, a mais sábia das aves, e ao ver o desespero da árvore, exclamou: “Não se preocupe. Seu problema não é tão grave. É o mesmo de muitos seres sobre a terra. Eu te darei a solução: “Não dedique sua vida a ser o que outros queiram que você seja. Seja você mesma, conheça-te , ouça sua voz interior”. E dito isto, o mocho desapareceu.
Minha voz interior? Ser eu mesma? Conhecer-me?” perguntava-se a árvore desesperada, quando de repente compreendeu. Fechando os ouvidos, abriu o coração, e por fim pôde escutar sua voz interior lhe dizendo:
- “Você jamais dará maçãs porque não é uma macieira, nem florescerá cada primavera porque não é uma roseira. É um carvalho, e seu destino é crescer grande e majestosa. Está aqui para dar proteção às aves, sombra aos viajantes, beleza à paisagem! Tens uma missão! Cumpre-a!”
E a árvore se sentiu forte e segura de si mesma e se dispôs a ser todo aquilo a que estava destinada. Assim logo ocupou seu espaço e foi admirada e respeitada por todos. E só então o jardim foi completamente feliz.
Eu olho ao redor e me pergunto: “Quantos serão carvalhos que não permitem a si mesmos crescer? Quantos são roseiras que, por medo à provocação, só dão espinhos? Quantas laranjeiras existem que não sabem florescer?” 
Na vida todos temos um destino a cumprir, um espaço a preencher. Não permitamos que nada nem ninguém nos impeça de conhecer e compartilhar a maravilhosa essência de nosso ser.

Mabel Katz, “Ho’oponopono - O Caminho mais Fácil”.

As três partes

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Nossa mente se divide em três partes: o superconsciente, o consciente e o subconsciente.
O superconsciente, é nossa parte espiritual. É aquela parte que, não importa o que esteja passando, é sempre perfeita. É a parte que sabe sobre tudo, tem bem claro quem é em todo momento.
O consciente é a parte mental, o que nós chamamos de o intelecto. É um aspecto muito importante de nós, porque é a parte que tem a capacidade de escolher, já que dispomos de livre-arbítrio. Em cada instante de nossa vida estamos escolhendo. O que escolhemos? Escolhemos se vamos reagir e nos agarrar com o problema ou se preferirmos soltá-lo e deixar que o resolva aquela parte nossa que sabe o que deve fazer. Também escolhemos se vamos aceitar que não sabemos nada (e que não precisamos saber) ou se preferimos pensar que nosso conhecimento é melhor que o de Deus e que podemos resolver tudo sozinhos e por nossa conta. O consciente é a parte que decide se opta por assumir 100% da responsabilidade e dizer: “Sinto muito, me perdoe por aquilo que está em mim que criou isto”, ou apontar com o dedo e jogar toda a culpa no outros.
O intelecto não foi criado para saber. Não necessita saber nada. O intelecto é um presente, o presente que temos de escolher.
O subconsciente é nossa parte emocional. É a criança interior. Esta é a parte que armazena todas as lembranças na memória. Esta parte muito importante nossa é descuidada constantemente e é também a responsável por tudo aquilo que manifestamos em nossas vidas. Esta é a parte que dirige nosso corpo, a que respira automaticamente sem que tenhamos que “pensar” em respirar. É nossa parte intuitiva. 
Alguma vez notaram que nos sentimos nervosos e não sabemos por que? O subconsciente nos alerta (se prestarmos atenção) quando estamos em perigo. Se estivéssemos mais atentos a esses sinais do subconsciente, poderíamos evitar muitos eventos desagradáveis. Esta é a parte mais amiga que podemos ter. É muito importante que nos comuniquemos com ela. Devemos aprender a amá-la e cuidar dela muito bem.
Uma vez que decidimos trilhar pelo caminho de nos tornarmos responsáveis e conscientes, nossa criança interior fará a limpeza por nós automaticamente sem que tenhamos que pensar. 
É de extrema importância escutar esta criança interior, a aprender como se comunicar com ela, como cuidar dela e, sobretudo, como trabalhar com a nossa criança interior para “soltar”, para liberar os problemas do dia a dia sem nos apegarmos a eles.
No livro O Ensino, Buda diz: “Embora um homem vença a milhares de homens nos campos de batalha, só aquele que vence a si mesmo ganhará sua batalha”.
O lado espiritual do ser humano é aquele que denominei de superconsciente. Essa é a parte nossa que tudo sabe, que tem contato com o transcendental. Muitas vezes esses contatos não acontecem porque os canais estão obstruídos. Nossas crenças, programações, as agitações da mente e da vida obstruem esse canal de fundamental importância para nossa realização e para descobrirmos nosso verdadeiro caminho.
Nossa mente racional que a tudo julga e analisa é o que chamo de consciente ou intelecto. O consciente é importante, pois é com ele que escolhemos, e a todo instante estamos fazendo escolha. Com o consciente controlamos nosso presente mesmo que não nos demos conta disso. E automaticamente estamos plantando a semente do futuro.
O subconsciente é aquela parte do cérebro que registra todas as nossas experiências. Os maus tratos da infância, as coerções mentais, crenças e complexos que nos forma inculcados. Tudo está registrado no subconsciente. Estão lá nos limitando e sabotando. É por isso que está relacionado com a criança interior, com a qual precisamos nos comunicar a fim de liberar essas programações mentais que nos prejudicam.
Mabel Katz, “Ho’oponopono - O Caminho mais Fácil”.

Dissolvendo o sofrimento do passado (2)

O que acontece ao sofrimento quando nos tornamos conscientes o bastante para romper a nossa identificação com ele?
A inconsciência cria o sofrimento. A consciência transforma o sofrimento nela mesma. São Paulo expressa esse princípio universal de uma forma linda ao dizer: “Tudo é revelado ao ser exposto à luz e o que for exposto à própria luz se torna luz”. Assim como não se pode lutar contra a escuridão, não se pode lutar contra o sofrimento. Tentar fazer isso poderia gerar um conflito interior e um sofrimento adicional. Observar o sofrimento já é o bastante. Observá-lo implica aceitá-lo como parte do que existe naquele momento.
O sofrimento consiste na energia vital aprisionada que se desprendeu do campo energético total e se fez temporariamente autônoma, através de um processo artificial de identificação com a mente. Ela se volta para dentro de si mesma e se torna algo contrário à vida, como um animal tentando comer o próprio rabo. Por que você acha que a nossa civilização se tornou tão autodestrutiva? Acontece que as forças destrutivas da vida, ainda são energia vital.
Mesmo quando começamos a deixar de nos identificar e nos tornamos observadores, o sofrimento ainda continua a agir por um tempo e vai tentar fazer com que voltemos a nos identificar com ele. Embora não esteja mais recebendo a energia originada da nossa identificação com ele, o sofrimento ainda tem sua força, como uma roda-gigante que continua a girar, mesmo quando deixa de receber o impulso. Nesse estágio, o sofrimento pode até ocasionar dores em diversas partes do corpo, mas elas não vão durar. Esteja presente, fique consciente. Vigie o seu espaço interior. Você vai precisar estar presente e alerta para ser capaz de observar o sofrimento de um modo direto e sentir a energia que emana dele. Agindo assim, o sofrimento não terá força para controlar o seu pensamento. No momento em que o seu pensamento se alinha com o campo energético do sofrimento, você está se identificando com ele e, de novo, alimentando-o com os seus pensamentos.
Por exemplo, se a raiva é a vibração de energia que predomina no sofrimento e você alimenta esse sentimento, insistindo em pensar no que alguém fez para prejudicá-lo ou no que você vai fazer em relação a essa pessoa, é porque você já não está mais consciente, e o sofrimento se tornou “você”. Onde existe raiva, existe sempre um sofrimento oculto. Quando você começa a entrar em um padrão mental negativo e a pensar como a sua vida é horrorosa, isso quer dizer que o pensamento se alinhou com o sofrimento e que você passou a estar inconsciente e vulnerável a um ataque do sofrimento. Utilizo a palavra “inconsciência” no presente contexto para significar uma identificação com um padrão mental ou emocional. Isso implica uma ausência completa do observador.
Manter-se em um estado de alerta consciente destrói a ligação entre o sofrimento e o mecanismo do pensamento, e aciona o processo de transformação. E como se o sofrimento se tornasse o combustível para a chamada da consciência, resultando em um brilho de mais intensidade. Esse é o significado esotérico da antiga arte da a1quimia: a transformação do metal não-precioso em ouro, do sofrimento em consciência. A separação interior cicatriza, e você se torna inteiro outra vez. Cabe a você, então, não criar um sofrimento adicional.
Resumindo o processo: concentre a atenção no sentimento dentro de você. Reconheça que é o sofrimento. Aceite que ele esteja ali. Não pense a respeito. Não permita que o sentimento se transforme em pensamento. Não julgue nem analise. Não se identifique com o sentimento. Esteja presente e observe o que está acontecendo dentro de você. Perceba não só o sofrimento emocional, mas também a presença “de alguém que observa”, o observador silencioso. Esse é o poder do Agora, o poder da sua própria presença consciente. Veja, então, o que acontece.
Eckhart Tolle, “O Poder do Agora”.

A Vida é um verbo

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A linguagem é criada para o uso diário, é criada para a vida mundana. No que diz respeito a isso, ela é boa. É perfeitamente adequada para o mercado, mas, quando você começa a mergulhar em águas mais profundas, ela se torna cada vez mais inadequada — não apenas inadequada: ela começa a ficar absolutamente incorreta.
Por exemplo, pense nestas duas palavras: experiência e experienciar. Quando você usa a palavra experiência, ela lhe transmite uma sensação de conclusão, como se algo tivesse chegado a um ponto final. Na vida não existem pontos finais. A vida não sabe absolutamente nada sobre pontos finais — ela é um processo contínuo, um rio eterno. O objetivo nunca chega. Está sempre chegando, mas nunca chega. Portanto, a palavra experiência não é correta. Ela transmite uma noção falsa de conclusão, de perfeição. Faz com que você sinta que chegou. Experienciar é muito mais verdadeiro.
No que diz respeito à vida de verdade, todos os substantivos são errados, só os verbos são verdadeiros. Quando você diz "Isto é uma árvore", está fazendo uma afirmação errada do ponto de vista existencial. Não do ponto de vista linguístico ou gramatical, mas do ponto de vista existencial você está fazendo uma afirmação errada, porque a árvore não é uma coisa estática. Ela está crescendo. Ela nunca está em um estado de "ausência de ser", está sempre se tornando algo. De fato, chamá-la de árvore não está correto. Ela está arborescendo. O rio está enriezando.
Se você olhar a vida a fundo, os substantivos desaparecem e só ficam os verbos. Mas isso criará um problema no mundo lá fora.
Você não pode dizer às pessoas: "Eu fui a um enriezando" ou "Esta manhã, vi uma linda arborescendo". Elas iam achar que você ficou louco! Mas nada é estático na vida. Nada está em repouso.
Maturidade nada tem a ver com as experiências exteriores da vida. Tem algo a ver com a sua jornada interior, com as experiências do seu interior. Maturidade é um outro nome para realização: você chegou à plenitude do seu potencial, tornou-se você de verdade. A semente empreendeu uma longa jornada e floresceu.
O crente não é alguém que busca. O crente não quer buscar nada. É por isso que ele acredita. O crente quer evitar a busca, por isso ele acredita. O crente quer ser levado, salvo. Ele precisa de um salvador, ele está sempre em busca de um messias — alguém que possa comer por ele, mastigar por ele, digerir por ele.
Mas, se eu comer, a fome que você tem não será saciada. Ninguém pode salvá-lo, a não ser você mesmo.
A crença não tem nada a ver com a verdade. Você pode acreditar que é noite, mas o dia não vai anoitecer só porque você acredita nisso. Ele não vai se tornar noite. Você está vivendo um tipo de alucinação.
Existe este perigo na crença: ela faz você achar que conhece a verdade. E como faz você achar que conhece a verdade, isso se torna uma grande barreira na busca. Acredite ou desacredite e você estará bloqueado — porque a descrença nada mais é do que a crença numa forma negativa.
O católico acredita em Deus, o comunista acredita em um não-deus: ambos são crentes. Vá para a Caaba ou vá para o Comintern, vá para o Kailasa ou para o Kremlin — é tudo a mesma coisa. O crente acredita que é assim, o descrente acredita que não é. E pelo fato de os dois já terem chegado a uma conclusão, sem se darem ao trabalho de ir lá e descobrir por si mesmos, quanto mais forte for a crença, maior será a barreira. Eles nunca farão uma peregrinação, não é preciso. Viverão cercados pela própria ilusão, criada e sustentada por eles mesmos. Pode ser reconfortante, mas não é libertador. Milhões de pessoas estão desperdiçando a vida com a crença e a descrença.
A busca pela verdade começa quando você deixa de lado todas as crenças. Você diz: "Eu gostaria de encontrar a verdade por mim mesmo. Não acreditarei em Cristo e não acreditarei em Buda. Eu gostaria de me tornar eu mesmo um Cristo ou um Buda. Gostaria de ser uma luz para mim mesmo. "Por que você deveria ser cristão? Seja um Cristo se você puder, mas não seja um cristão. Seja um Buda se tiver algum respeito por si mesmo, mas não seja um budista. O budista acredita. O Buda sabe.
Se você pode saber, se é possível saber, então por que se contentar em acreditar?
Você tem que entender a diferença entre consciência moral e consciência.
A consciência é sua.
A consciência moral é transmitida pela sociedade. Ele é uma imposição sobre a sua consciência.
Cada sociedade impõe um tipo de ideia sobre a sua consciência, mas todas elas impõem alguma coisa. E depois que algo é imposto sobre a sua consciência, você não é mais capaz de escutá-la — ela fica muito distante. Entre a sua consciência e você se ergue uma parede espessa de dever e de moral que a sociedade lhe impôs desde a sua mais tenra infância.
A menos que você faça uma pessoa se sentir culpada, você não consegue escravizá-la psicologicamente. E impossível aprisioná-la a uma certa ideologia, a um certo sistema de crença.
Mas depois que você cria a culpa na mente da pessoa, toma tudo o que havia de coragem nela. Destrói tudo o que havia de aventureiro nela. Reprime todas as possibilidades de que ela seja, um dia, um indivíduo por seus próprios méritos.
Com a ideia de culpa, você quase extirpa o potencial humano dessa pessoa. Ela nunca poderá ser independente. A culpa a forçará a depender de um messias, de um ensinamento religioso, de Deus, de conceitos de céu e inferno, de toda essa coisa.
E para criar a culpa você só precisa de algo muito simples: comece a falar de erros, enganos — pecados.
Osho, “Faça o Seu Coração Vibrar”.

Quem sou?

Quando descobri que eu era muito mais que meu corpo físico, me abriu um mundo novo cheio de infinitas possibilidades, um mundo sem grades. Quando me dei conta do poder que tinham meus pensamentos, entendi o porquê da vida.
Muitos de nós vivemos com estas grades. As semtimos, mas não as vemos porque são invisíveis. Estas grades são nossas crenças, nossos julgamentos e opiniões, e sobre tudo o que nós pensamos de nós mesmos. No momento em que decidirmos tomar consciência de quem somos realmente, as grades se abrem e nos damos conta de que somos livres, sempre o fomos sem que soubessemos. Assim conseguimos escapar da prisão que nós mesmos criamos.
Disseram-nos que somos seres humanos e nos acreditamos isso. Se pensarmos que somos seres indefesos e sem nenhum poder, isso é o que vamos manifestar na vida. Somos os reis de nosso próprio império e podemos construir e manifestar tudo o que nos quisermos em nossas vidas. Não depende de ninguém mais, somente de nós.
Todos somos filhos de Deus e fomos criados a sua semelhança. Somos criadores. Como criamos? Com nossos pensamentos. É assim bem simples.
Alguns mestres nos falam da necessidade de “fazer de conta” (ou nos darmos conta), e nos dizem: “Façamos de conta que somos seres iluminados. Façamos de conta que somos amados por Deus. Ou Façamos de conta que somos perfeitos tal como somos. Respiremos profundamente e aspiremos aquilo que é verdade, somente então tudo fará sentido. É necessário buscar a verdade. Você deverá construir sua vida fundamentada nesta verdade. Se aspirarmos aquilo que é verdadeiro, a verdade é automaticamente atraída a nossas vidas”.
Quem sou? 
Essa é a única pergunta que devemos nos fazer na vida. Descobrir nossa verdadeira essência e identidade é a razão de nossa de nossa existência e deveria ser nossa única preocupação, nossa única meta. É muito importante descobrir quem somos.
Mabel Katz, “Ho’oponopono - O Caminho mais Fácil”.

Calunga... Conversando com Você

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Acender a LUZ Interior
por Calunga

Adão e Eva

Não precisamos de um ser humano melhor, precisamos de um novo ser humano. As melhorias acontecem há séculos e nada mudou. Agora não precisamos de uma humanidade melhor — já chega! Agora queremos uma humanidade totalmente nova, sem ligações com o passado. Queremos começar de novo, como se fôssemos Adão e Eva, recém-expulsos do Jardim do Éden.
Como viver por mais tempo? Como conquistar uma espécie de imortalidade? As pessoas tentam conseguir isso de muitas maneiras. Ter filhos é uma delas, por isso a urgência constante em ter filhos. A raiz desse desejo de ter filhos não tem nada a ver com os filhos em si, tem a ver com a morte. Você sabe que não poderá ficar aqui para sempre. Não importa o quanto tente, você não vai conseguir. Sabe disso porque milhões não conseguiram e ninguém jamais foi bem-sucedido. Você alimenta uma esperança vã. Portanto, encontre outra maneira. Uma das mais simples, a mais antiga delas, é ter filhos. Você não ficará aqui para sempre, mas algo de você, uma partícula sua, uma célula sua, continuará vivendo. Trata-se de uma maneira indireta de se tornar imortal.
A função dos pais não é ajudar os filhos a crescerem — eles crescerão sem você. A função deles é apoiar, nutrir, ajudar o que já está crescendo. Não indique direções e não dê ideias. Não fale a eles o que é certo e o que é errado — deixe-os descobrir isso através da própria experiência. 
As crianças são tão inteligentes! Sim, elas precisam de orientação e precisam da sua ajuda — elas são indefesas, mas também são extremamente inteligentes. Por isso os pais têm que ficar muito alertas para saber até onde ajudar e onde parar de ajudar. É bom segurar na mão do seu filho quando ele está aprendendo a andar, mas não continue segurando a mão dele a vida inteira.
Os mistérios da existência só são desvendados para a criança inteligente. E a pessoa realmente inteligente continua sendo criança até seu último suspiro. Ela nunca perde isso — a admiração da criança ao olhar os pássaros, ao olhar as flores, ao olhar o céu. A inteligência também tem que ser, da mesma forma, pueril.
Jesus está certo ao dizer: "A menos que nasça novamente, você não verá o reino de Deus." O que ele chama de "Deus" eu chamo de "existência". Mas a afirmação é verdadeira. "Nascer novamente" significa ser criança novamente.
Mas quando uma pessoa madura vira criança novamente, existe uma diferença entre a criança comum e alguém que renasceu. A criança comum é inocente porque é ignorante. Já a inocência resgatada é o mais importante valor da vida porque não é ignorância. É pura inteligência.
Inteligência é a capacidade inata de ver, de perceber. Toda criança nasce inteligente e depois vai ficando burra por obra da sociedade. Nós a ensinamos a ser burra e, mais cedo ou mais tarde, ela recebe o diploma de burrice.
Inteligência é um fenômeno natural — assim como a respiração e a visão. A inteligência é a visão interior. Ela é intuitiva, não tem nada a ver com intelecto. Lembre-se: nunca confunda intelecto com inteligência. Eles são pólos opostos. O intelecto é a cabeça: é ensinado pelos outros, é imposto a você. Você tem que cultivá-lo. É emprestado, é algo exterior, não é inato.
Mas a inteligência é inata. Trata-se do seu próprio ser, da sua própria natureza. Todos os animais são inteligentes. Eles não são intelectuais, é verdade, mas todos são inteligentes. As árvores são inteligentes, toda a existência é inteligente e toda criança que vem ao mundo nasce inteligente. Você já encontrou alguma criança burra? É impossível! Mas encontrar um adulto inteligente é muito raro — alguma coisa dá errado no caminho.
Osho, “Faça o Seu Coração Vibrar”.

Dissolvendo o sofrimento do passado (1)

Enquanto não somos capazes de acessar o poder do Agora, vamos acumulando resíduos de sofrimento emocional. Esses resíduos se misturam ao sofrimento do passado e se alojam em nossa mente e em nosso corpo. Isso inclui o sofrimento vivido em nossa infância, causado pela falta de compreensão do mundo em que nascemos.
Todo esse sofrimento cria um campo de energia negativa que ocupa a mente e o corpo. Se olharmos para ele como uma entidade invisível com características próprias, estaremos chegando bem perto da verdade. É o sofrimento emocional do corpo. Apresenta-se sob duas modalidades: inativo e ativo. O sofrimento pode ficar inativo 90% do tempo, ou 100% ativado em alguém profundamente infeliz. Algumas pessoas atravessam a vida quase que inteiramente tomadas pelo sofrimento, enquanto outras passam por ele em algumas situações que envolvem relações familiares e amorosas, lesões físicas ou emocionais, perdas do passado, abandono, etc. Qualquer coisa pode ativá-lo, especialmente se encontrar ressonância em um padrão de sofrimento do passado. Quando o sofrimento está pronto para despertar do estágio inativo, até mesmo uma observação inocente feita por um amigo ou um pensamento é capaz de ativá-lo.
Alguns sofrimentos são irritantes, mas inofensivos, como é o caso de uma criança que não pára de chorar. Outros são monstros destrutivos e mórbidos, verdadeiros demônios. Alguns são fisicamente violentos; outros, emocionalmente violentos. Eles podem atacar tanto as pessoas à nossa volta quanto a nós mesmos, seus “hospedeiros”. Os pensamentos e sentimentos relativos à nossa vida tornam-se, então, profundamente negativos e autodestrutivos. Doenças e acidentes frequentemente acontecem desse modo. Alguns sofrimentos podem até levar uma pessoa ao suicídio.
Às vezes levamos um choque ao descobrir uma faceta detestável em alguém que pensávamos conhecer bem. Entretanto, é mais importante observar essa situação em nós mesmos do que nos outros. Preste atenção a qualquer sinal de infelicidade em você, qualquer que seja a forma, pois talvez seja o despertar do sofrimento. Ele pode se manifestar como uma irritação, um sinal de impaciência, um ar sombrio, um desejo de ferir, sentimentos de raiva, ira, depressão ou uma necessidade de criar algum tipo de problema em seus relacionamentos. Agarre o sinal no momento em que ele despertar de seu estado inativo.
O sofrimento deseja sobreviver, mas, para isso, precisa conseguir que nos identifiquemos inconscientemente com ele. Portanto, quando o sofrimento toma conta de nós, cria uma situação em nossas vidas que reflete a própria frequência de energia da qual ele se alimenta. Sofrimento só se alimenta de sofrimento. Não se consegue alimentar de alegria. Acha-a indigesta.
Quando o sofrimento nos domina, faz com que desejemos ter mais sofrimento. Passamos a ser vítimas ou perpetradores. Queremos infligir sofrimento, ou senti-lo, ou ambos. Na verdade, não há muita diferença entre os dois. É claro que não temos consciência disso e afirmamos que não queremos sofrer. Mas, preste bem atenção e verá que o seu pensamento e o seu comportamento estão programados para continuar com o sofrimento, tanto para você quanto para os outros. Se você estivesse consciente disso, o padrão iria se desfazer, porque desejar mais sofrimento é uma insanidade, e ninguém é insano conscientemente.
O sofrimento, a sombra escura projetada pelo ego, tem medo da luz da nossa consciência. Teme ser descoberto. Sobrevive graças à nossa identificação inconsciente com ele, assim como do medo inconsciente de enfrentarmos o sofrimento que vive dentro de nós. Mas se não o enfrentarmos, se não direcionarmos a luz da nossa consciência sobre o sofrimento, seremos forçados a revivê-lo. O sofrimento pode nos parecer um monstro perigoso, mas eu lhe garanto que se trata de um fantasma frági1. Ele não pode prevalecer sobre o poder da nossa presença.
Alguns ensinamentos espirituais dizem que todo sofrimento é, em última análise, uma ilusão, e isso é verdade. A questão é se isso é uma verdade para você. Acreditar simplesmente não transforma nada em verdade. Você quer sofrer para o resto da vida e permanecer dizendo que é uma ilusão? Será que essa atitude livra você do sofrimento? O que nos interessa aqui é o que podemos fazer para vivenciar essa verdade, ou seja, torná-la real em nossas vidas.
Portanto, o sofrimento não quer que nós o observemos diretamente e vejamos o que ele realmente é. No momento em que o observamos, sentimos seu campo energético dentro de nós e desfazemos nossa identificação com ele, surge uma nova dimensão da consciência. Chamo a isso presença. Passamos a ser testemunhas ou observadores do sofrimento. Isso significa que ele não pode mais nos usar, fingindo ser nosso eu interior. Então, não temos mais como realimentá-lo. Aqui está nossa mais profunda força interior. Acabamos de acessar o poder do Agora. 

Eckhart Tolle, "O Poder do Agora".